Neste sábado (12/09/2026), documentos do Caso Banco Master tornados públicos revelaram que a Polícia Federal atribui ao empresário Augusto Lima, ex-sócio do Master, participação na elaboração de carteiras de crédito consideradas fraudulentas e posteriormente repassadas ao Banco de Brasília (BRB). Segundo a investigação, o banco público comprou cerca de R$ 12,2 bilhões em Cédulas de Crédito Bancário que a PF classifica como falsas ou sem lastro adequado, enquanto auditoria mencionada nos autos estimou em pelo menos R$ 5 bilhões o prejuízo associado às operações. Lima nega as acusações e afirma que deixou o Master em maio de 2024.
PF aponta Augusto Lima como articulador
O relatório policial reúne mensagens, pagamentos e negociações que, segundo os investigadores, demonstrariam participação de Lima na montagem e circulação das carteiras.
A PF afirma que as operações envolveram créditos consignados relacionados a associações de servidores e estruturas empresariais conectadas aos investigados.
O material também registra comunicações entre Lima, executivos de empresas participantes das operações e dirigentes do BRB.
Esses elementos sustentam a hipótese policial, mas ainda serão submetidos ao contraditório e à apreciação judicial.
BRB comprou R$ 12,2 bilhões em ativos questionados
O valor total das Cédulas de Crédito Bancário adquiridas pelo BRB chega a aproximadamente R$ 12,2 bilhões, segundo a PF.
Uma auditoria mencionada pela investigação estimou perda de pelo menos R$ 5 bilhões para o banco público.
A dimensão do valor transforma o episódio em uma das principais frentes econômicas do Caso Master, porque eventual prejuízo recai sobre uma instituição controlada pelo Governo do Distrito Federal.
Terra Firme aparece em repasses milionários
Outro elemento citado pela Polícia Federal envolve a empresa Terra Firme, controlada por Augusto Lima.
Segundo a investigação, pagamentos milionários feitos pelo Master à companhia coincidiram temporalmente com momentos em que Lima teria atuado junto ao BRB para viabilizar liberações de recursos.
A coincidência temporal é tratada pela PF como indício relevante, mas caberá aos investigadores demonstrar a natureza econômica desses pagamentos e eventual relação causal com as operações do banco público.
Defesa contesta versão policial
A defesa de Augusto Lima nega que ele tenha criado ou participado de esquema fraudulento.
Entre os argumentos apresentados está o fato de o empresário ter deixado formalmente o Banco Master em maio de 2024.
Os advogados sustentam que as conclusões policiais não possuem sustentação probatória suficiente e criticam interpretações feitas a partir de mensagens e relações empresariais.
Essa divergência deverá ser confrontada com contratos, datas de constituição das carteiras, registros de cessão e documentos internos das instituições envolvidas.
Prisão ocorreu em novembro de 2025
Lima foi preso no contexto da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025.
Segundo as informações divulgadas, foi colocado em liberdade 11 dias depois, mediante medidas cautelares, incluindo tornozeleira eletrônica.
A PF pediu posteriormente medidas adicionais para aprofundar o rastreamento fiscal e bancário das operações.
Caso se conecta ao impasse bilionário do BRB
Os problemas decorrentes das operações entre Master e BRB já produziam efeitos institucionais antes da nova documentação.
Em agosto de 2026, o Jornal Grande Bahia mostrou que o caso havia produzido um impasse de R$ 6,6 bilhões envolvendo o BRB, discussões no Banco Central e disputas relacionadas a carteiras de crédito.
Os novos elementos ampliam a necessidade de determinar quanto das perdas pode ser recuperado e quais agentes participaram efetivamente da criação, compra, validação e circulação dos ativos.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- Maio de 2024 — Augusto Lima deixa formalmente o Banco Master, segundo sua defesa.
- 2024 e 2025 — Operações e negociações entre Master e BRB passam a envolver grandes carteiras de crédito.
- Novembro de 2025 — Augusto Lima é preso na Operação Compliance Zero.
- 11 dias depois — Empresário deixa a prisão sob medidas cautelares.
- Agosto de 2026 — Impasses financeiros entre BRB e ativos vinculados ao Master continuam produzindo efeitos bilionários.
- Setembro de 2026 — Documentos deixam de tramitar sob sigilo.
- 12/09/2026 — Tornam-se públicos detalhes da acusação da PF sobre a participação de Augusto Lima.
A investigação sobre as carteiras repassadas ao BRB possui consequência pública direta porque envolve uma instituição financeira estatal. Diferentemente de perdas exclusivamente privadas, eventual prejuízo ao banco pode produzir efeitos patrimoniais e fiscais para seu controlador.
A cifra de R$ 12,2 bilhões precisa ser separada da estimativa de prejuízo de pelo menos R$ 5 bilhões. O primeiro valor corresponde ao volume de ativos comprados; o segundo, à perda estimada por auditoria mencionada na investigação. Confundir essas grandezas distorceria a dimensão econômica do caso.
Também permanece necessário esclarecer em qual etapa cada investigado atuou. Criação das carteiras, validação documental, venda, decisão de compra e liberação dos recursos são atos diferentes e podem envolver responsabilidades distintas.
A PF terá de demonstrar documentalmente o mecanismo atribuído a Augusto Lima; o BRB deverá esclarecer seus controles internos e critérios de aquisição; o Banco Central precisará explicar a supervisão das operações; e o sistema de Justiça definirá eventual responsabilidade penal e patrimonial. A recuperação de ativos e a identificação de perdas reais serão tão relevantes quanto a responsabilização individual.








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