PF encontrou em churrasqueira do senador Ciro Nogueira lista com nove nomes e valores durante investigação do Caso Master

Neste sábado (12/09/2026), documentos tornados públicos após o levantamento de sigilo do Caso Banco Master revelaram que a Polícia Federal encontrou, durante busca realizada em 07/05/2026 na residência do senador Ciro Nogueira, no Lago Sul, em Brasília, uma lista intitulada “Câmara”, contendo nove nomes acompanhados de números, localizada em uma churrasqueira. No mesmo endereço, os agentes registraram a apreensão de US$ 27.735, € 1.555 e 890 liras turcas, além de celulares, relógios e veículos de alto padrão. A existência da lista não permite concluir, sem elementos adicionais, que os números correspondam a pagamentos ilegais, propina ou repasses efetivamente realizados.

Documento estava em churrasqueira

A apreensão ocorreu durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, segundo as informações reveladas após a abertura dos autos. A lista continha nove nomes vinculados à Câmara dos Deputados, acompanhados por números cuja natureza ainda precisa ser esclarecida pela investigação.

Segundo o relato policial divulgado, uma funcionária teria informado que papéis deveriam ser queimados, mas a diligência ocorreu antes da destruição. Essa versão constitui elemento registrado pela investigação e ainda deve ser confrontada com depoimentos, perícias e manifestações da defesa.

Valores encontrados não possuem origem ilícita automaticamente

A PF também localizou moedas estrangeiras na residência.

A apreensão de dinheiro em espécie, isoladamente, não comprova crime. Será necessário verificar origem, declaração fiscal, titularidade e eventual relação com os fatos investigados.

O mesmo princípio vale para os bens descritos pela polícia. Padrão patrimonial elevado pode ser relevante para análise financeira, mas somente adquire significado criminal quando confrontado com renda, patrimônio declarado ou operações suspeitas.

Lista pode se tornar peça relevante da investigação

A importância do documento depende de sua interpretação e de elementos de corroboração.

Caso os números representem valores financeiros, a PF terá de identificar moeda, contexto, finalidade e eventual correspondência com transações efetivamente realizadas.

Se representarem outra forma de anotação política ou administrativa, a leitura criminal poderá ser afastada.

Pelo menos um dos parlamentares mencionado em reportagens sobre a lista, Arthur Lira, informou por meio de assessoria que não reconhece o documento.

Ciro já aparecia em outra frente do Caso Master

Antes da divulgação da lista, Ciro Nogueira já figurava em investigações relacionadas à atuação do Banco Master e de Daniel Vorcaro.

Uma das questões examinadas é a atuação política do senador em matérias de interesse do setor financeiro.

As suspeitas são negadas pelo parlamentar, e não há condenação relacionada aos fatos.

Fim do sigilo tornou apreensão conhecida

A documentação somente alcançou ampla publicidade depois de Mendonça retirar o segredo de Justiça de novas frentes do Caso Master.

A divulgação demonstra como a abertura dos autos está produzindo uma segunda etapa da cobertura jornalística, na qual documentos anteriormente restritos passam a ser confrontados publicamente com versões de investigados e citados.

Esse processo aumenta a transparência, mas exige cautela para evitar que anotações sem contexto sejam transformadas prematuramente em prova de pagamento.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • 07/05/2026 — Quinta fase da Operação Compliance Zero realiza busca na residência de Ciro Nogueira, no Lago Sul.
  • 07/05/2026 — PF localiza lista intitulada “Câmara”, moedas estrangeiras e outros bens.
  • 11/09/2026 — Mendonça amplia a retirada do sigilo de procedimentos relacionados ao Caso Master.
  • 12/09/2026 — O conteúdo da lista e detalhes da busca tornam-se públicos e passam a integrar o debate sobre a investigação.

A localização de uma lista com nomes de políticos e números em local incomum justifica investigação, mas não autoriza transformar automaticamente as anotações em uma contabilidade de propina. Esse significado precisa ser demonstrado.

A localização física do documento, o relato sobre eventual tentativa de destruição e a coincidência com investigação financeira ampliam sua relevância probatória potencial, mas todos esses elementos ainda precisam de confirmação e contextualização.

O contraditório será indispensável. Cada pessoa mencionada deve ser ouvida sobre sua eventual relação com Ciro, Vorcaro ou o Banco Master, especialmente antes da atribuição pública de qualquer recebimento.

Os próximos passos caberão à Polícia Federal, que deverá identificar a autoria e a finalidade da lista, confrontá-la com registros financeiros e colher depoimentos; à PGR, responsável por avaliar eventual repercussão penal; e ao STF, competente para decisões processuais relacionadas às autoridades com foro.


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