Novas informações divulgadas nesta segunda-feira (21/09/2026) acrescentaram dados específicos à frente da Operação Overclean que examina as relações entre ACM Neto (União Brasil) e o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”. Reportagem baseada em elementos reproduzidos na decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), informa que a Polícia Federal contabilizou precisamente 232 chamadas pelo WhatsApp entre Neto e Moura, entre agosto e dezembro de 2024. O novo material também atribui aos investigadores a interpretação de que o político ocuparia posição superior à de Moura na hierarquia política examinada pela PF. Trata-se de uma hipótese investigativa, e não de conclusão judicial ou condenação.
O número exato representa avanço em relação às informações anteriormente disponíveis. O Jornal Grande Bahia havia publicado, em 19/09/2026, com base na Folha de S.Paulo, que a PF identificara “mais de 200 contatos telefônicos” entre os dois no mesmo intervalo. O novo dado delimita a quantidade em 232 comunicações realizadas por chamadas do WhatsApp.
A quantidade de chamadas, isoladamente, não revela o conteúdo das conversas nem comprova que todas tenham relação com fatos investigados. Sua relevância para a apuração depende da eventual correlação com mensagens, decisões administrativas, contratos, movimentações financeiras e outros elementos probatórios.
PF atribui a ACM Neto posição superior a Moura na estrutura política examinada
A informação mais sensível divulgada nesta segunda-feira diz respeito à leitura feita pela Polícia Federal sobre a relação entre ACM Neto e José Marcos de Moura. Segundo reportagem que atribui os dados ao Valor Econômico, a decisão de Nunes Marques que autorizou a décima fase da Overclean reproduz conclusões dos investigadores segundo as quais Neto seria um personagem politicamente superior ao empresário na estrutura sob investigação.
Esse enquadramento possui alcance distinto da informação anteriormente publicada pelo JGB de que a PF situava ACM Neto em posição central na frente da investigação relacionada a Belo Horizonte. O elemento agora divulgado acrescenta uma interpretação hierárquica: segundo a descrição atribuída aos investigadores, Moura recorreria a Neto em decisões relacionadas à ocupação de espaços políticos e administrativos.
Mensagem de Fuad Noman traz ordem “Escolhe” e resposta menciona Neto e Rueda
Outro conteúdo ainda não reproduzido de forma integral pelo JGB é o diálogo ocorrido em dezembro de 2024 entre José Marcos de Moura e o então prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, morto posteriormente.
Segundo reportagem da revista Veja, Noman enviou ao empresário uma fotografia de uma anotação na qual apareciam as áreas municipais de Combate à Fome e Mobilidade Urbana, cada uma acompanhada da indicação de duas subsecretarias. Em seguida, escreveu uma única palavra:
“Escolhe”.
Moura respondeu:
“Vou conversar com Rueda e Neto e falo com o senhor”.
A referência seria a Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, e a ACM Neto, vice-presidente da legenda.
Moura acrescentou Educação às áreas de interesse
Na sequência da troca de mensagens, Moura apresentou uma preferência mais específica:
“Pode ser as duas mais educação e abrindo mão do governo?”
A formulação acrescenta um elemento novo à compreensão das articulações identificadas pela PF porque demonstra que, após afirmar que consultaria Rueda e Neto, o empresário mencionou diretamente a Educação juntamente com as duas outras áreas colocadas à disposição pelo então prefeito.
A reportagem da Veja informa que não há registro da resposta de Fuad Noman a essa mensagem. Essa ausência impõe um limite factual importante: o diálogo documenta aquilo que Moura afirmou pretender discutir e quais espaços demonstrou interesse em ocupar, mas não estabelece, isoladamente, qual teria sido a posição de ACM Neto, Antonio Rueda ou do próprio prefeito sobre a proposta.
Investigação cita assessora que teria atribuído nomeação à aprovação de ACM Neto
Outro elemento novo divulgado nesta segunda-feira é a referência a uma assessora da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte.
Segundo a reportagem que atribui as informações ao Valor Econômico, a Polícia Federal registrou que essa servidora teria afirmado que sua nomeação havia sido aprovada por ACM Neto.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- Agosto a dezembro de 2024 — 232 chamadas: a PF contabilizou 232 chamadas pelo WhatsApp entre ACM Neto e José Marcos de Moura, número exato que substitui a informação anteriormente divulgada de “mais de 200 contatos”.
- Dezembro de 2024 — Fuad oferece escolha de áreas: o então prefeito Fuad Noman envia a Moura referências às áreas de Combate à Fome e Mobilidade Urbana e escreve “Escolhe”.
- Dezembro de 2024 — Moura cita dirigentes do União Brasil: o empresário responde que conversaria com Antonio Rueda e ACM Neto antes de retornar ao prefeito.
- Dezembro de 2024 — Educação entra na conversa: Moura pergunta sobre a possibilidade de ficar com as duas áreas mencionadas e também com Educação. A reportagem consultada informa que não há registro da resposta de Fuad Noman.
- 21/09/2026 — número exato e interpretação hierárquica são divulgados: reportagem baseada em informações atribuídas ao Valor Econômico informa as 232 chamadas e registra que a PF situaria ACM Neto acima de Moura na estrutura política examinada pelos investigadores.
Os novos elementos acrescentam qualidade documental e precisão quantitativa ao que já era conhecido. Antes, havia informação sobre mais de 200 contatos e referências genéricas a articulações políticas em Belo Horizonte. Agora aparecem o número específico de 232 chamadas, as palavras utilizadas no diálogo entre Moura e Fuad e a indicação explícita de que o empresário pretendia consultar Rueda e Neto antes de responder sobre espaços na administração municipal.
O aspecto mais relevante não está, isoladamente, no volume das chamadas, mas na necessidade de verificar se existe convergência temporal e material entre comunicações, indicações administrativas e atos concretos. As mensagens mostram aquilo que Moura disse a Fuad; não mostram, no material atualmente público, o que ACM Neto ou Antonio Rueda responderam. Tampouco o número de chamadas revela seus respectivos conteúdos.
A atribuição pela PF de uma posição hierarquicamente superior a ACM Neto exige cuidado adicional. Trata-se de uma interpretação investigativa cuja sustentação deverá ser examinada a partir das provas reunidas nos autos. O mesmo vale para a declaração atribuída a uma assessora de que sua nomeação teria sido aprovada pelo político: sem identificação da servidora, contexto integral e documentação correlata, o elemento permanece dependente de confirmação e aprofundamento.
O principal ponto de acompanhamento passa, portanto, a ser o acesso aos registros individualizados das 232 chamadas, às mensagens que antecederam ou sucederam os contatos, à identificação da assessora mencionada e aos documentos utilizados pela PF para estabelecer a suposta relação hierárquica. Esses elementos permitirão determinar se as comunicações retratam exclusivamente articulação política e partidária ou se encontram correspondência objetiva em atos administrativos examinados na Operação Overclean.








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