Presidente Lula diz na ONU que diplomacia é única saída para crises globais, critica veto no Conselho de Segurança e cita recorde de 65 conflitos em 2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (22/09/2026), em Nova York, que a diplomacia é a única opção para enfrentar os desafios globais, ao abrir o Debate Geral da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. Primeiro chefe de Estado a ocupar a tribuna, seguindo a tradição brasileira consolidada desde 1955, Lula concentrou a intervenção na multiplicação das guerras, na perda de capacidade de resposta da ONU, na paralisia do Conselho de Segurança, no fortalecimento do multilateralismo e na necessidade de impedir que conflitos regionais assumam proporções globais. A advertência sobre a escalada da violência encontra respaldo nos dados mais recentes do Uppsala Conflict Data Program (UCDP) e do Peace Research Institute Oslo (PRIO): em 2025, foram registrados 65 conflitos armados envolvendo Estados em 35 países, maior número da série iniciada em 1946.

Lula associa multiplicação das guerras à crise da política internacional

No centro do pronunciamento esteve a avaliação de que a arquitetura multilateral criada depois da Segunda Guerra Mundial atravessa uma crise de efetividade. Lula declarou que a ONU precisa recuperar sua função como “templo da paz” e sintetizou sua posição afirmando que “a guerra é a falência total da política”. Na interpretação apresentada pelo presidente, a incapacidade de prevenir e interromper conflitos reduz a credibilidade das instituições internacionais e amplia a vulnerabilidade dos países e populações sem capacidade militar comparável à das grandes potências. A cobertura internacional do pronunciamento registrou a crítica de Lula à perda de credibilidade da organização e ao funcionamento do Conselho de Segurança.

O diagnóstico apresentado na tribuna é sustentado por uma deterioração mensurável do ambiente internacional. O relatório Conflict Trends: A Global Overview, 1946–2025, elaborado pelo PRIO a partir da base do UCDP, contabilizou 65 conflitos estatais em 2025, contra 61 em 2024. O número de confrontos diretamente travados entre Estados chegou a oito, duas vezes o registrado no ano anterior e o maior desde o início da série histórica, em 1946.

O levantamento do PRIO estimou ainda cerca de 245 mil mortes relacionadas a combates em 2025, fazendo do período um dos mais violentos desde o fim da Guerra Fria. Entre os focos que mais contribuíram para a mortalidade estão a guerra entre Rússia e Ucrânia, a violência em Gaza e o conflito no Sudão. O crescimento simultâneo dos conflitos estatais, das guerras interestatais e da violência contra civis fornece o contexto empírico para a advertência feita pelo presidente brasileiro sobre o risco de expansão de crises inicialmente regionais.

Conselho de Segurança fica no centro da crítica brasileira

Lula atribuiu parte da dificuldade de resposta internacional ao que classificou como “imobilismo” do Conselho de Segurança da ONU. O órgão tem, pela própria Carta das Nações Unidas, a responsabilidade primária pela manutenção da paz e da segurança internacionais. Suas decisões substantivas precisam de pelo menos nove votos favoráveis e não podem receber voto negativo de nenhum dos cinco membros permanentes — China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.

É justamente esse poder especial de voto que alimenta a controvérsia mencionada no pronunciamento. Um voto negativo de qualquer um dos cinco membros permanentes pode impedir a aprovação de uma resolução substantiva, mesmo que ela conte com apoio dos demais integrantes. O mecanismo decorre do artigo 27 da Carta e integra a estrutura institucional criada ao final da Segunda Guerra Mundial.

A crítica brasileira ao veto, contudo, é anterior ao atual governo. Documentos históricos compilados pela Fundação Alexandre de Gusmão mostram que a delegação do Brasil já discutia os limites do mecanismo nos primeiros anos da ONU e que, embora tenha aceitado sua inclusão na Carta para viabilizar o acordo de São Francisco, manifestou posteriormente preocupação com seu uso e com seus efeitos sobre a capacidade de atuação do Conselho de Segurança.

Reforma da ONU é pauta recorrente da diplomacia brasileira

Ao recuperar esse antecedente, Lula inseriu seu discurso de 2026 numa linha diplomática mantida pelo Brasil há décadas: a defesa da atualização do sistema de governança criado em 1945. Em pronunciamentos anteriores, o governo brasileiro já havia sustentado que a atual composição permanente do Conselho não representa adequadamente a distribuição contemporânea do poder político, econômico e demográfico, especialmente diante da participação da África, da América Latina e dos países em desenvolvimento.

A distinção institucional entre Conselho de Segurança e Assembleia Geral ajuda a compreender a discussão. Os 193 Estados-membros dispõem de um voto cada na Assembleia, enquanto o Conselho possui 15 integrantes, dos quais cinco permanentes. Pela Carta, os Estados concordam em cumprir decisões do Conselho; a Assembleia Geral, por sua vez, debate questões internacionais e formula majoritariamente recomendações, ainda que possa assumir papel político relevante quando o Conselho permanece bloqueado.

Assim, a defesa de maior protagonismo da Assembleia não elimina a questão do Conselho: a capacidade jurídica e operacional atribuída ao órgão de segurança continua sendo distinta. Esse desenho explica por que a discussão sobre reforma institucional acompanha a denúncia de paralisia provocada por divergências entre membros permanentes.

Estreito de Ormuz simboliza efeitos globais de guerras regionais

Entre os exemplos citados por Lula esteve o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional de energia. O presidente afirmou que uma das principais passagens marítimas do planeta jamais deveria ter sido convertida em uma zona de guerra, vinculando segurança marítima, economia mundial e necessidade de solução diplomática.

O caso ganhou dimensão concreta ao longo de 2026. A Organização Marítima Internacional (IMO) informou, em 16 de setembro, ter verificado 80 ataques contra navios mercantes na região e nas proximidades do Estreito de Ormuz desde o início da atual escalada no Oriente Médio, em 28 de fevereiro de 2026. Pelo menos 22 marítimos morreram, segundo a organização.

A crise também alterou intensamente a navegação comercial. Dados marítimos publicados nesta terça-feira indicaram que apenas dois navios de commodities atravessaram Ormuz na segunda-feira, muito abaixo da média de aproximadamente 125 grandes embarcações comerciais por dia anterior ao conflito. O episódio demonstra como uma guerra regional pode atingir preços de energia, seguros, fretes, comércio internacional e cadeias de abastecimento muito além do território diretamente envolvido nas hostilidades.

Resolução sobre escravidão reconheceu crime contra a humanidade

Lula também destacou decisões recentes da Assembleia Geral como exemplos da possibilidade de construção de consensos mesmo em um ambiente internacional fragmentado. Uma delas foi a Resolução 80/250, aprovada em 25 de março de 2026, que declarou o tráfico de africanos escravizados e o sistema de escravização racializada de africanos como “o mais grave crime contra a humanidade”.

A resolução foi liderada por Gana e aprovada por 123 votos favoráveis, três contrários e 52 abstenções. Argentina, Israel e Estados Unidos votaram contra. O texto relaciona a classificação à escala, duração, natureza sistêmica, brutalidade e consequências persistentes da escravidão.

Embora Lula tenha citado o copatrocínio brasileiro como parte da atuação diplomática do país, a iniciativa formal foi liderada por Gana. Essa distinção é importante para separar a participação brasileira na construção do apoio internacional da autoria e liderança institucional da proposta.

ONU aprovou resolução para corrigir distorções cartográficas

Outra decisão mencionada pelo presidente ocorreu em 4 de setembro de 2026, quando a Assembleia Geral aprovou por 164 votos a 1 e seis abstenções a resolução denominada “Correct the Map”, liderada por Togo e pela União Africana. O objetivo é estimular representações cartográficas que preservem melhor a proporção relativa das áreas continentais, diante das distorções provocadas por projeções tradicionalmente utilizadas.

A resolução não proíbe a projeção de Mercator nem determina a adoção obrigatória de um único mapa. Ela recomenda que governos, escolas, organizações internacionais e empresas de tecnologia considerem projeções de área equivalente, entre elas a Equal Earth, quando a comparação do tamanho das massas continentais for relevante.

O debate está especialmente relacionado à representação da África. A projeção de Mercator, criada no século XVI e funcional para determinados usos de navegação, amplia visualmente territórios situados em latitudes mais elevadas e reduz a percepção relativa de regiões próximas ao Equador. A resolução estabelece expressamente que a mudança de projeção não altera fronteiras, soberania ou estatuto jurídico de territórios.

Brasil leva segurança pública e crime organizado ao debate internacional

O pronunciamento também incorporou questões domésticas. Lula afirmou que o Brasil não subestima o avanço do crime organizado e declarou que o Estado está preparado para enfrentar organizações criminosas, ao mesmo tempo em que defendeu cooperação internacional sem transferência da responsabilidade brasileira sobre seu território e suas fronteiras.

Em 24 de março de 2026, foi sancionada a Lei nº 15.358, que instituiu o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, denominado Lei Raul Jungmann. A norma criou tipos penais relacionados ao chamado domínio social estruturado e alterou dispositivos do Código Penal, do Código de Processo Penal, da legislação sobre crimes hediondos, drogas, armas, lavagem de dinheiro e organizações criminosas.

Dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em agosto informaram que ações integradas realizadas em um período de 90 dias resultaram em 25.502 prisões, apreensão de 336,4 toneladas de drogas, 1.311 armas de fogo e 40.365 munições, além de impacto financeiro estimado em R$ 7,6 bilhões sobre organizações criminosas. Os números são registros oficiais das operações coordenadas no período e, isoladamente, não permitem afirmar tendência estrutural de longo prazo sem comparação metodológica com séries anteriores.

Brasil permanece fora do Mapa da Fome

Na área social, Lula mencionou a permanência do Brasil fora do chamado Mapa da Fome. O relatório SOFI 2026, divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, confirmou que a prevalência de subnutrição no país permaneceu abaixo de 2,5% da população, limite utilizado pela FAO para essa classificação.

O levantamento utiliza médias de períodos plurianuais, portanto o resultado não corresponde exclusivamente a 2026. A edição atual considera dados relativos ao triênio 2023–2025. Segundo a publicação, a insegurança alimentar severa caiu para 0,6%, menor valor da série apresentada pelo governo brasileiro com base no relatório internacional.

A distinção temporal é relevante porque resultados desse tipo refletem processos acumulados e não podem ser atribuídos isoladamente a uma medida ou a um único ano. A FAO havia reconhecido já no SOFI 2025 a saída do Brasil do Mapa da Fome, com dados referentes ao triênio 2022–2024; a edição seguinte confirmou a permanência do país abaixo do limite utilizado pela organização.

Lula inclui clima, inteligência artificial, big techs e apostas

O presidente incorporou ainda ao discurso a crise climática, a inteligência artificial, o poder econômico das plataformas digitais e a expansão das apostas on-line. Na formulação apresentada à Assembleia, esses assuntos possuem dimensão transnacional porque envolvem empresas, fluxos financeiros, sistemas tecnológicos e externalidades que ultrapassam as fronteiras nacionais.

Na questão climática, Lula vinculou a defesa da ciência à possibilidade de conciliar atividade econômica e proteção ambiental. No ambiente digital, sustentou que a ausência de regras para big techs e sistemas de inteligência artificial pode produzir impactos sobre direitos, informação e soberania. A regulação digital e a governança da inteligência artificial já haviam aparecido em outras intervenções internacionais do governo brasileiro ao longo de 2026.

Ao abordar as empresas de apostas, o presidente afirmou que indústrias bilionárias transformam dependência em lucro e deixam famílias expostas. A referência introduziu no pronunciamento internacional uma questão predominantemente doméstica, mas inserida num mercado digital e financeiro transfronteiriço.

Defesa dos ODS amplia dimensão social do discurso

Lula também vinculou o fortalecimento da ONU aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A 81ª sessão foi organizada sob o tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas” e inclui na programação eventos sobre desenvolvimento, clima, elevação do nível do mar, pandemias, racismo e desarmamento nuclear.

Ao defender que os governos devem colocar os pobres no orçamento e fazer com que setores mais ricos contribuam proporcionalmente, o presidente associou a agenda de paz à redução das desigualdades. Trata-se de uma continuidade de temas utilizados pelo Brasil em Assembleias anteriores, nas quais combate à fome, reforma da governança internacional, clima e desigualdade foram apresentados como dimensões interdependentes do multilateralismo.

A argumentação estabelece uma relação entre segurança internacional e desenvolvimento: conflitos armados consomem recursos, interrompem cadeias produtivas, provocam deslocamentos populacionais e comprometem metas sociais. A 81ª Assembleia ocorre justamente num contexto em que a própria ONU procura articular paz, desenvolvimento sustentável e recuperação da confiança nas instituições multilaterais.

Discurso ocorre às vésperas das eleições brasileiras

A manifestação de Lula aconteceu a 12 dias do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, marcado para 4 de outubro. O Tribunal Superior Eleitoral estabelece eventual segundo turno para 25 de outubro, quando aplicável às disputas para presidente e governador.

Esse contexto exige distinguir as duas dimensões do pronunciamento. De um lado, temas como reforma do Conselho de Segurança, multilateralismo, solução negociada de guerras e ampliação da representação dos países em desenvolvimento integram posições reiteradas da diplomacia brasileira há diferentes governos e reaparecem regularmente nas intervenções presidenciais. De outro, referências à segurança pública, políticas sociais e outras questões domésticas ocorrem em plena campanha eleitoral e também dialogam com o debate interno brasileiro.

A proximidade do pleito, portanto, compõe o contexto político em que o discurso foi pronunciado, mas não altera a natureza institucional da participação brasileira na Assembleia Geral nem permite, por si só, atribuir motivação eleitoral a cada uma das posições apresentadas.

ONU precisa “voltar a produzir esperança”, afirma Lula

Na parte final do pronunciamento, Lula recuperou a trajetória histórica da organização. Citou a descolonização, a promoção dos direitos humanos, o apoio ao desenvolvimento sustentável e a proteção de refugiados e migrantes como realizações construídas desde a criação das Nações Unidas.

Ao pedir que a ONU volte a produzir esperança, o presidente retornou ao núcleo do discurso: a defesa de que a cooperação política e a negociação devem substituir a ampliação das respostas militares. A formulação dialoga diretamente com a realidade mostrada pelos dados do UCDP, segundo os quais 2025 estabeleceu o maior número de conflitos estatais desde 1946.

A questão central colocada pela fala brasileira, portanto, não se limita à existência da ONU, mas à sua capacidade prática de agir diante de guerras, disputas entre grandes potências e problemas que nenhum Estado consegue administrar isoladamente.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • 1945 — A Carta das Nações Unidas institui o Conselho de Segurança e concede poder especial de voto aos cinco membros permanentes; a delegação brasileira aceita o mecanismo durante a construção do acordo, embora registre reservas sobre o veto.
  • Desde 1955 — O Brasil consolida a tradição de abrir o Debate Geral da Assembleia Geral, seguido normalmente pelos Estados Unidos, país anfitrião.
  • 2025 — UCDP e PRIO registram 65 conflitos armados envolvendo Estados em 35 países e oito conflitos interestatais, recordes desde o início da série em 1946.
  • 25/03/2026 — Assembleia Geral aprova a Resolução 80/250, liderada por Gana, sobre o tráfico de africanos escravizados e a escravização racializada; placar de 123 votos a favor, três contra e 52 abstenções.
  • 24/03/2026 — Brasil sanciona a Lei nº 15.358, instituindo o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado.
  • 8 e 9/06/2026 — PRIO e Universidade de Uppsala divulgam os novos dados sobre conflitos, confirmando o recorde de 2025.
  • 21/07/2026 — SOFI 2026 confirma que o Brasil permanece fora do Mapa da Fome, com prevalência de subnutrição inferior a 2,5% no período considerado.
  • 04/09/2026 — Assembleia Geral aprova, por 164 votos a 1, a resolução “Correct the Map”, destinada a incentivar projeções cartográficas que preservem melhor a proporção entre as áreas continentais.
  • 16/09/2026 — IMO informa ter verificado 80 ataques a navios mercantes na região de Ormuz desde 28 de fevereiro, com pelo menos 22 mortes de marítimos.
  • 22/09/2026 — Lula abre o Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, defende a diplomacia, critica a paralisia do Conselho de Segurança e pede recuperação da capacidade da organização de prevenir guerras.
  • 04/10/2026 — Data prevista pelo calendário eleitoral brasileiro para o primeiro turno das Eleições Gerais de 2026.

O dado mais relevante para avaliar o discurso de Lula é a coincidência entre sua crítica institucional e a deterioração objetiva dos indicadores de segurança internacional. O recorde de 65 conflitos estatais em 2025, acompanhado da duplicação dos confrontos diretamente travados entre Estados, mostra que a discussão sobre a capacidade das instituições multilaterais não ocorre apenas no plano retórico. O aumento das guerras pressiona mecanismos criados justamente para impedir que disputas regionais evoluam para confrontos de maior escala.

Existe, entretanto, uma diferença entre diagnosticar a paralisia do sistema e reformá-lo. O Conselho de Segurança concentra competências jurídicas que a Assembleia Geral não possui na mesma extensão, enquanto qualquer mudança profunda na distribuição de poder da ONU depende de negociações entre Estados que possuem interesses frequentemente divergentes. O veto, questionado pelo Brasil desde os primeiros anos da organização, permanece incorporado à Carta e é uma prerrogativa dos cinco membros permanentes.

Há também aspectos do discurso que devem permanecer claramente atribuídos ao presidente. Afirmações sobre resultados de políticas públicas, combate ao crime, responsabilidade das potências ou desempenho institucional constituem posições do governo e precisam ser confrontadas com séries estatísticas, documentos oficiais e fontes independentes. No caso da fome, por exemplo, a permanência do Brasil fora do mapa da FAO está documentada; no campo da segurança, operações recentes apresentam números expressivos de prisões e apreensões, mas esses resultados não substituem uma avaliação de longo prazo sobre criminalidade e capacidade estatal.

O núcleo factual da intervenção brasileira é, portanto, verificável: Lula abriu o Debate Geral da 81ª Assembleia em um momento de recorde histórico de conflitos estatais, colocou a reforma do sistema multilateral no centro da agenda e apresentou a negociação diplomática como alternativa à expansão militar. Os próximos desdobramentos dependerão menos do discurso isolado do Brasil do que da capacidade dos 193 Estados-membros, sobretudo das potências com assento permanente no Conselho de Segurança, de transformar compromissos políticos em negociações, cessar-fogos, decisões institucionais e mecanismos efetivos de cooperação.


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