A vereadora de Salvador Marta Rodrigues (PT) afirmou nesta quarta-feira (30/09/2026) que considera “gravíssimo” o conteúdo de um relatório da Polícia Federal (PF) divulgado pela CNN Brasil que aponta ACM Neto (União Brasil), candidato ao Governo da Bahia, como liderança de uma organização investigada por suspeitas relacionadas a contratos públicos. O documento integra as apurações da Operação Overclean e, segundo a reportagem, atribui ao ex-prefeito participação na estrutura investigada. ACM Neto nega envolvimento em irregularidades e afirma que a divulgação representa tentativa de interferência no processo eleitoral.
Segundo a CNN, o relatório sigiloso foi elaborado em novembro de 2025. A PF registrou no documento a conclusão investigativa de que ACM Neto exerceria função de liderança de uma organização formada para obtenção de recursos públicos mediante contratos que os investigadores consideram superfaturados. A análise teria identificado ainda 232 contatos entre ACM Neto e o empresário Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, entre agosto e dezembro de 2024.
Marta Rodrigues afirmou que o conteúdo exige esclarecimentos públicos por parte do candidato. Segundo a parlamentar, a natureza das suspeitas investigadas — que abrangem possíveis fraudes em licitações e contratos, organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a Administração Pública — torna necessário que ACM Neto apresente sua versão detalhada à sociedade.
Marta Rodrigues cobra explicações sobre relatório da Polícia Federal
Ao comentar o documento, Marta afirmou que a situação não deveria ser tratada apenas como uma controvérsia eleitoral. “A gente merece, o povo baiano merece esclarecimentos”, declarou a vereadora, defendendo que as informações divulgadas sejam respondidas diretamente pelo candidato.
A parlamentar também criticou o fato de ACM Neto não ter abordado o tema, segundo sua avaliação, durante entrevista recente concedida à TV Bahia. Marta sustentou que, diante da proximidade do primeiro turno das eleições estaduais, marcado para domingo (04/10/2026), as informações relacionadas à investigação possuem interesse público.
As declarações da vereadora têm natureza político-eleitoral e representam sua interpretação sobre o impacto do caso. Até o momento, não existe condenação criminal de ACM Neto relacionada aos fatos descritos no relatório divulgado pela CNN, e a investigação permanece sujeita à produção de provas, manifestação das defesas e decisões judiciais.
Operação Overclean apura contratos superiores a R$ 80 milhões
A 10ª fase da Operação Overclean, deflagrada pela Polícia Federal em 17/09/2026, investiga suspeitas de irregularidades em contratações realizadas no âmbito da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, entre 2024 e 2025. Segundo comunicado oficial da PF, pelo menos três procedimentos resultaram em contratos que, somados, ultrapassam R$ 80 milhões. Outros processos também estão sendo analisados.
A PF informou oficialmente que apura indícios de direcionamento de procedimentos para fornecimento de serviços e materiais didáticos. De acordo com a instituição, os fatos sob investigação podem, em tese, caracterizar crimes contra a Administração Pública, fraude em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Na fase deflagrada em setembro, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo. A comunicação institucional da PF, entretanto, não identificou ACM Neto nominalmente. As informações específicas sobre sua inclusão e classificação no relatório foram divulgadas posteriormente pela CNN a partir do documento sigiloso obtido pelo veículo.
PF pediu buscas e bloqueio de até R$ 77,8 milhões contra ACM Neto
Segundo a CNN, a Polícia Federal solicitou ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para busca e apreensão contra ACM Neto. Os investigadores também pediram o bloqueio de bens e valores de até R$ 77,8 milhões, montante associado aos pagamentos efetuados nos três contratos examinados.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se favoravelmente às medidas solicitadas pela PF. De acordo com a reportagem, a PGR avaliou que os elementos reunidos apresentavam consistência suficiente para justificar o aprofundamento das diligências.
Nunes Marques, contudo, rejeitou as medidas requeridas especificamente contra ACM Neto. O ministro concluiu que os elementos apresentados naquele momento não eram suficientes para autorizar as cautelares contra o candidato. O magistrado autorizou medidas contra outros investigados e auxiliares, destinadas à coleta de elementos que possam confirmar ou afastar as hipóteses apresentadas pela investigação.
ACM Neto nega participação e fala em interferência eleitoral
Em manifestação divulgada após a revelação das informações, a assessoria de ACM Neto afirmou existir uma tentativa de associar seu nome a fatos dos quais, segundo sua defesa, não participou. O candidato declarou que os vazamentos ocorreriam com objetivo de produzir repercussão eleitoral às vésperas da votação.
Em nota anterior sobre a Operação Overclean, ACM Neto havia afirmado que não possui relação com os fatos investigados e citou a decisão do STF que rejeitou as buscas contra ele como argumento em defesa de sua posição. A manifestação sustenta que nenhuma conduta ilícita teria sido demonstrada contra o ex-prefeito.
A decisão de Nunes Marques de rejeitar as medidas cautelares não encerra a investigação nem equivale a uma declaração definitiva sobre o mérito das suspeitas. Da mesma forma, as conclusões constantes de um relatório policial representam uma linha investigativa submetida a controle do Ministério Público e do Judiciário e não substituem eventual processo criminal ou sentença.
Marta relaciona caso à disputa eleitoral na Bahia
Marta Rodrigues também inseriu a divulgação do relatório no contexto político da campanha estadual. A vereadora afirmou que as informações surgem após o ato realizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Salvador, na terça-feira (29/09/2026), ao lado do governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT) e dos candidatos ao Senado Jaques Wagner (PT) e Rui Costa (PT).
A caminhada ocorreu entre Ondina e Barra, na reta final da campanha eleitoral. Marta utilizou o episódio para criticar tentativas de aproximação política entre a imagem de Lula e a candidatura de ACM Neto, argumento integrante da disputa eleitoral entre os grupos que concorrem ao Governo da Bahia. A realização do ato com Lula, Jerônimo, Wagner e Rui Costa havia sido confirmada previamente pelas respectivas campanhas.
As afirmações de Marta sobre as consequências eleitorais das investigações representam avaliação política da vereadora, não uma conclusão derivada do inquérito policial ou uma projeção sobre o resultado das urnas.
Banco Master e Reag também foram citados pela vereadora
Em sua manifestação, Marta Rodrigues também retomou informações divulgadas anteriormente sobre relações empresariais entre ACM Neto, Banco Master e Reag. Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), segundo informações publicadas pela CNN em março, registraram aproximadamente R$ 3,6 milhões em operações envolvendo a A&M Consultoria Ltda., empresa da qual ACM Neto é sócio, o Banco Master e a Reag.
ACM Neto confirmou anteriormente a existência dos contratos de consultoria e dos pagamentos, sustentando que os serviços foram formalmente contratados, efetivamente realizados e submetidos ao recolhimento de tributos. Não há, somente pela existência desses pagamentos, demonstração de que os contratos tenham natureza ilícita.
Os negócios envolvendo a consultoria, portanto, constituem um conjunto factual distinto das suspeitas examinadas pela Operação Overclean. Eventuais relações entre diferentes investigações dependem de demonstração documental e probatória pelas autoridades competentes.
Investigação deverá avançar com análise de provas e manifestações das defesas
O novo conteúdo divulgado acrescenta um elemento às investigações relacionadas à Operação Overclean porque revela como a Polícia Federal enquadrou a atuação atribuída a ACM Neto em relatório produzido ainda em 2025. O documento passa a ser relevante também porque a PGR apoiou medidas investigativas contra o candidato, enquanto o relator do caso no STF entendeu que os elementos apresentados não justificavam, naquele momento, as cautelares solicitadas.
Os próximos desdobramentos dependem da análise dos materiais apreendidos nas fases da operação, de eventuais novos relatórios da Polícia Federal, de manifestações da Procuradoria-Geral da República e de futuras decisões do Supremo Tribunal Federal.
No plano político, o caso entra na reta final das Eleições 2026, mas a apuração criminal possui rito próprio e deve ser analisada separadamente da disputa eleitoral. A atribuição de responsabilidade penal exige produção de provas, contraditório, ampla defesa e decisão judicial.








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