Vereador Marta Rodrigues critica Flávio Bolsonaro e ACM Neto, associa estratégias eleitorais e defende apuração de denúncias no STF

A vereadora de Salvador Marta Rodrigues (PT) criticou, neste sábado (05/09/2026), o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e o candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil). Segundo a parlamentar, os dois integram o mesmo campo político e recorrem a estratégias semelhantes na disputa eleitoral, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador Jerônimo Rodrigues (PT) mantêm atuação política conjunta na Bahia.

As declarações ocorreram em meio à repercussão política das investigações relacionadas ao Banco Master e das informações que passaram a envolver integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio Bolsonaro está entre os políticos que passaram a cobrar providências contra o ministro Alexandre de Moraes após a divulgação de documentos e mensagens relacionados às apurações. As responsabilidades jurídicas eventualmente decorrentes do material, entretanto, permanecem dependentes da atuação das instituições responsáveis pela investigação.

Marta afirmou que a exploração eleitoral das controvérsias envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça deve ser diferenciada da apuração institucional dos fatos. Para a vereadora, denúncias ou questionamentos relativos aos integrantes do Supremo devem ser investigados, mas não podem ser convertidos, antes de conclusões formais, em afirmações definitivas sobre responsabilidade jurídica.

Marta Rodrigues associa Flávio Bolsonaro e ACM Neto na disputa eleitoral

Ao tratar da campanha na Bahia, Marta Rodrigues afirmou que Flávio Bolsonaro e ACM Neto possuem convergência política e acusou o ex-prefeito de Salvador de buscar distanciamento eleitoral do candidato presidencial apoiado pelo campo bolsonarista.

“Não é à toa que Flávio Bolsonaro tem ACM Neto como aliado na Bahia. Eles têm os mesmos princípios políticos e utilizam estratégias semelhantes para tentar desestabilizar e enganar o eleitor”, declarou a vereadora. A afirmação constitui uma avaliação política de Marta e integra a disputa de narrativas entre os grupos que concorrem às eleições de 2026.

A parlamentar também questionou o que classificou como tentativa de construção de um “Lula-Neto”, expressão utilizada no debate eleitoral para sugerir aproximação ou convivência política entre eleitores de Lula e ACM Neto. Segundo Marta, Lula está politicamente vinculado à candidatura de Jerônimo Rodrigues, enquanto ACM Neto ocupa o campo de oposição ao atual governo estadual.

Lula, Jerônimo e a nacionalização da eleição na Bahia

A relação entre a eleição presidencial e a disputa pelo Governo da Bahia constitui um dos componentes da campanha estadual. Pesquisas recentes mostram Lula com vantagem entre o eleitorado baiano, enquanto Jerônimo Rodrigues e ACM Neto disputam o Governo do Estado em cenários competitivos. Levantamento AtlasIntel/A Tarde divulgado em quinta-feira (03/09/2026) registrou ACM Neto com 49,1% e Jerônimo com 47,9% em um dos cenários estaduais.

Marta sustenta que a vinculação política entre Lula e Jerônimo deve ser considerada pelo eleitor ao avaliar os projetos que disputam a Presidência e o Governo da Bahia. “Enquanto Lula caminha ao lado de Jerônimo, trabalhando pelo desenvolvimento do país e da Bahia, ACM Neto está no mesmo campo político de Flávio Bolsonaro”, declarou.

A tentativa dos candidatos estaduais de administrar a influência da eleição presidencial já integra a campanha baiana de 2026. Levantamentos anteriores também indicaram maior intenção de voto em Lula do que em Jerônimo Rodrigues no estado, enquanto a disputa estadual permanece mais equilibrada entre o governador e ACM Neto.

Vereadora retoma controvérsias das Eleições de 2022

Ao criticar Flávio Bolsonaro, Marta Rodrigues retomou episódios ocorridos durante as Eleições de 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro e integrantes de seu grupo político questionaram publicamente a confiabilidade do sistema eletrônico de votação. A vereadora citou também operações realizadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante o segundo turno daquele pleito.

Na véspera da votação de 30/10/2022, o Tribunal Superior Eleitoral determinou que a PRF não realizasse operações relacionadas ao transporte público disponibilizado aos eleitores e, após a divulgação de ações policiais no dia da eleição, determinou que a direção da corporação prestasse esclarecimentos.

Marta afirmou que eleitores tiveram o deslocamento prejudicado por abordagens da PRF. A relação dessas operações com o comparecimento eleitoral, porém, exige ressalva: após o segundo turno, Alexandre de Moraes informou que não foi constatado aumento da abstenção nos estados do Nordeste associado às ações da PRF. Lula venceu a eleição presidencial de 2022 com 60.345.999 votos, equivalentes a 50,90% dos votos válidos, contra 58.206.354 votos, ou 49,10%, de Jair Bolsonaro.

Marta cita material eleitoral de 2022 e acusa tentativa de associação com Lula

A vereadora também retomou a campanha estadual de 2022 para sustentar suas críticas a ACM Neto. Segundo ela, apoiadores do então candidato ao Governo da Bahia distribuíram material eleitoral que apresentava a imagem de Neto ao lado de Lula.

Marta classificou o episódio como uma tentativa de criar no eleitorado a percepção de proximidade política entre os dois. A acusação é apresentada pela parlamentar como parte de sua interpretação sobre a estratégia eleitoral de ACM Neto e não constitui, isoladamente, comprovação de uma campanha coordenada de desinformação.

A vereadora relacionou ainda as disputas políticas daquele período aos questionamentos promovidos por Jair Bolsonaro contra o sistema eleitoral, aos bloqueios de rodovias registrados após sua derrota e aos atos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes, em Brasília, foram invadidas e depredadas.

Controvérsia no STF entra no debate eleitoral de 2026

As declarações de Marta ocorrem enquanto informações relacionadas ao Banco Master produzem repercussões no STF, na Polícia Federal e na Procuradoria-Geral da República. O ministro André Mendonça determinou à PF a elaboração de relatório sobre menções a Alexandre de Moraes, ao procurador-geral da República Paulo Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em material obtido nas investigações relacionadas ao banco.

A divulgação desses elementos provocou manifestações de parlamentares e candidatos. Flávio Bolsonaro pediu a renúncia de Alexandre de Moraes, enquanto outros integrantes da oposição passaram a defender medidas contra o ministro. A existência das mensagens e documentos sob análise não corresponde, por si só, a uma conclusão sobre prática de ilícito por parte das autoridades mencionadas.

Marta afirmou concordar com a apuração das informações. “Se há denúncia contra Alexandre de Moraes, que seja investigada. Se existem questionamentos sobre André Mendonça, que sejam apurados”, declarou. Em seguida, acrescentou que, em sua avaliação, investigações não devem ser utilizadas para transformar “acusação sem prova em verdade”.

Debate entre governo e oposição chega à política externa

A vereadora também relacionou a disputa eleitoral às divergências entre o Governo Lula e integrantes da família Bolsonaro sobre a política externa brasileira. Marta citou as articulações realizadas pelo deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e as consequências das medidas tarifárias norte-americanas para setores da economia brasileira.

Segundo a parlamentar, o Governo Federal mantém sua atuação concentrada na administração dos efeitos econômicos e na negociação das relações comerciais do país. A interpretação apresentada por Marta procura estabelecer um contraste entre a atuação governamental e a estratégia política atribuída aos integrantes da oposição.

As declarações inserem a Bahia na nacionalização crescente da campanha de 2026, na qual os posicionamentos de Lula e Flávio Bolsonaro interferem nas estratégias de Jerônimo Rodrigues e ACM Neto. Ao mesmo tempo, os desdobramentos relacionados ao STF e ao Banco Master acrescentam temas institucionais à disputa eleitoral, cuja evolução dependerá tanto das investigações quanto das manifestações dos candidatos nas próximas semanas.


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