Nesta segunda-feira (26/10/2026), com a totalização concluída do segundo turno presidencial, os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o eleitorado de Salvador deu ampla maioria a Luiz Inácio Lula da Silva (PT): o presidente reeleito recebeu 1.154.072 votos, equivalentes a 73,24% dos votos válidos, contra 421.752 votos, ou 26,76%, de Flávio Bolsonaro (PL). A diferença na capital baiana alcançou 732.320 votos, enquanto o comparecimento subiu para 1.647.069 eleitores e a abstenção recuou de 20,14% no primeiro turno para 15,77% na votação decisiva.
Lula supera 1,15 milhão de votos e abre vantagem de 46,47 pontos
A votação válida para presidente em Salvador somou 1.575.824 votos. Desse universo, quase três em cada quatro votos foram destinados a Lula. Flávio Bolsonaro ficou com pouco mais de um quarto do total. A distância entre os dois candidatos foi de 46,47 pontos percentuais e de 732.320 votos.
O resultado da capital foi ainda mais favorável ao candidato do PT do que o conjunto da Bahia. No estado, Lula terminou o segundo turno com 71,31%, diante de 28,69% de Flávio Bolsonaro. Salvador, portanto, ficou aproximadamente 1,93 ponto percentual acima da média estadual na votação de Lula.
A diferença é ainda maior quando se compara Salvador ao resultado nacional. Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, correspondentes a 51,79% dos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. A capital baiana deu ao petista uma proporção de votos 21,45 pontos percentuais superior à alcançada por ele no país.
Levantamento publicado após a votação apontou Salvador como a capital brasileira na qual Lula obteve o maior percentual de votos no segundo turno de 2026. A dimensão do resultado reforça o peso da capital dentro da vantagem construída pelo petista na Bahia e no Nordeste.
Segundo turno ampliou vantagem construída por Lula no primeiro turno
A predominância de Lula em Salvador já havia aparecido no primeiro turno, realizado em 04/10/2026, mas tornou-se significativamente maior na rodada decisiva.
Na primeira votação, o candidato do PT havia recebido 944.358 votos, equivalentes a 65,26% dos válidos. Flávio Bolsonaro somara 391.188 votos, ou 27,03%. Os demais dez candidatos à Presidência reuniram, juntos, 111.468 votos na capital.
Entre os dois turnos, Lula acrescentou 209.714 votos à sua votação em Salvador. Flávio Bolsonaro cresceu em termos absolutos, mas em ritmo muito inferior: recebeu 30.564 votos adicionais. Assim, enquanto Lula avançou de 65,26% para 73,24%, alta de 7,98 pontos percentuais, o candidato do PL passou de 27,03% para 26,76%, recuo proporcional de 0,27 ponto, apesar do aumento no número absoluto de votos.
A vantagem de Lula sobre Flávio, que era de 553.170 votos no primeiro turno, aumentou para 732.320 no segundo. A distância cresceu, portanto, em 179.150 votos.
Comparecimento cresce e número de votos válidos aumenta
Outro movimento relevante ocorreu na participação eleitoral. No primeiro turno, 1.561.593 eleitores compareceram às urnas em Salvador, enquanto 393.886 deixaram de votar. A taxa de abstenção foi de 20,14%.
No segundo turno, o comparecimento alcançou 1.647.069 eleitores, equivalente a 84,23% do eleitorado considerado na totalização. Em números absolutos, 85.476 pessoas a mais compareceram às urnas em relação à primeira etapa. A taxa de abstenção caiu para 15,77%, redução de 4,37 pontos percentuais.
O crescimento da participação foi acompanhado pelo aumento dos votos válidos. Eles passaram de 1.447.014, no primeiro turno, para 1.575.824 no segundo, acréscimo de 128.810 votos.
Também houve redução dos votos que não foram destinados a candidatos. No primeiro turno, Salvador registrou 37.013 votos brancos e 77.566 nulos, totalizando 114.579. No segundo turno, os brancos representaram 1,15% dos votos depositados e os nulos, 3,18%. Considerados conjuntamente, os votos não válidos ficaram em torno de 4,33% do comparecimento, abaixo dos aproximadamente 7,34% observados na primeira rodada.
Dados agregados não permitem identificar transferência individual de votos
A ampliação da votação dos dois finalistas não pode ser interpretada automaticamente como transferência direta dos votos recebidos pelos candidatos eliminados no primeiro turno.
Os outros dez concorrentes haviam somado 111.468 votos válidos em Salvador. Ao mesmo tempo, o universo total de votos válidos aumentou em 128.810 entre as duas rodadas, impulsionado pelo maior comparecimento e pela menor proporção de brancos e nulos.
Por isso, os resultados agregados permitem medir quanto Lula e Flávio Bolsonaro cresceram, mas não permitem identificar individualmente de onde vieram esses votos. Qualquer conclusão sobre migração eleitoral dependerá de pesquisas específicas, estudos amostrais ou levantamentos por seção e perfil do eleitorado.
Salvador amplia percentual de Lula em relação ao segundo turno de 2022
A comparação histórica mostra que Salvador já havia dado ampla maioria a Lula na eleição presidencial anterior. No segundo turno de 2022, o petista recebeu 70,73% dos votos válidos na capital, enquanto Jair Bolsonaro (PL) obteve 29,27%.
Em 2026, a participação de Lula subiu para 73,24%, acréscimo de 2,51 pontos percentuais em comparação com a segunda rodada de quatro anos antes. A participação do candidato do PL, agora representado por Flávio Bolsonaro, ficou nos mesmos 2,51 pontos abaixo do percentual obtido por Jair Bolsonaro em 2022.
A comparação deve ser interpretada com cautela porque envolve candidaturas, conjunturas políticas e universos eleitorais distintos. Ainda assim, os números demonstram continuidade de uma característica objetiva: nas duas últimas disputas presidenciais decididas em segundo turno, Salvador entregou mais de 70% de seus votos válidos a Lula.
A capital também destoou do resultado nacional do primeiro turno de 2026. Enquanto Flávio Bolsonaro terminou a primeira rodada na liderança do país, com 47,03%, contra 45,16% de Lula, Salvador havia dado ao petista 65,26%, diante de 27,03% do senador do PL.
Resultado de Salvador teve peso relevante na diferença nacional
O resultado soteropolitano precisa ser compreendido dentro da composição estadual e nacional dos votos.
Na Bahia, Lula terminou o segundo turno com 6.485.258 votos, ou 71,31%, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 2.608.761, equivalentes a 28,69%. A diferença estadual foi de 3.876.497 votos.
Somente em Salvador, a vantagem do candidato do PT foi de 732.320 votos. Em termos estritamente aritméticos, essa diferença corresponde a aproximadamente 16,5% dos 4.430.191 votos de vantagem obtidos por Lula nacionalmente.
Essa comparação não significa que Salvador, isoladamente, tenha decidido a eleição. O presidente é escolhido pelo conjunto nacional dos votos válidos. O dado, entretanto, permite dimensionar a importância eleitoral da capital baiana na formação da vantagem obtida por Lula no estado e na composição final do resultado brasileiro.
Crise do transporte coletivo marcou o dia de votação em Salvador
A votação de 25/10/2026 ocorreu em Salvador sob uma controvérsia institucional relacionada à oferta de transporte público aos eleitores.
Antes do segundo turno, o TRE-BA havia informado que o poder público deveria assegurar transporte coletivo gratuito, com frequência equivalente à dos dias úteis, conforme as Resoluções TSE nº 23.751/2026 e nº 23.759/2026. Na capital, a gratuidade deveria alcançar ônibus convencionais, BRT, STEC e Elevador Lacerda, além dos sistemas estaduais e metropolitanos.
Durante a manhã da eleição, porém, eleitores relataram demora e dificuldades para chegar aos locais de votação. Uma fiscalização divulgada pelo Governo da Bahia informou que o Procon-BA encontrou 370 ônibus parados em quatro garagens da capital.
Diante das ocorrências, o presidente do TRE-BA, desembargador Maurício Kertzman Szporer, determinou o restabelecimento imediato de 100% da frota, com frequência equivalente à dos dias úteis e manutenção da gratuidade. A decisão estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento e determinou fiscalização pelas forças policiais.
O tribunal também determinou à Polícia Federal a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. A Prefeitura de Salvador informou posteriormente que o secretário estava em Paris, em missão oficial, e que retornaria para prestar esclarecimentos.
Prefeitura atribuiu atrasos a problemas nas garagens
A administração municipal apresentou uma versão diferente para a origem da redução observada no início da operação.
O prefeito Bruno Reis afirmou que os veículos estavam disponíveis e atribuiu os atrasos a questões operacionais e à necessidade de retirada de propaganda eleitoral que teria sido colocada em ônibus nas garagens. Segundo a prefeitura, foi determinada posteriormente a liberação dos veículos, mesmo aqueles que ainda estivessem adesivados, para evitar novos prejuízos à circulação.
Essas informações constituem versões e registros institucionais distintos. A existência de veículos parados e as determinações judiciais estão documentadas; a definição de eventuais responsabilidades administrativas, eleitorais ou penais depende de apuração pelas autoridades competentes.
STF prorrogou votação, mas urnas já encerradas não foram reabertas
A crise de deslocamento registrada em Salvador e relatos semelhantes em outras localidades chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O ministro Cristiano Zanin determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h, no horário de Brasília. A medida foi tomada após pedidos relacionados às dificuldades de transporte. A campanha de Lula havia solicitado ampliação do horário, enquanto a candidatura de Flávio Bolsonaro também havia defendido extensão em estados atingidos por fortes chuvas.
A decisão não significou, porém, a reabertura de todas as urnas encerradas às 17h. O próprio TSE esclareceu que a votação continuaria apenas nos locais onde o processo ainda não havia sido encerrado. A totalização dos Boletins de Urna foi temporariamente interrompida e retomada depois das 19h.
No balanço posterior, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a insuficiência de transporte deveria ser apurada pela Justiça Eleitoral. O tribunal informou também que a mudança excepcional de horário exigiu adaptações técnicas e operacionais na totalização.
Os números disponíveis não permitem estabelecer uma relação causal entre os problemas no transporte e o resultado eleitoral de Salvador. Tampouco permitem determinar quantas pessoas deixaram de votar especificamente por dificuldades de deslocamento. O dado mensurável é que, apesar das ocorrências, o comparecimento geral na capital foi maior do que no primeiro turno e a taxa de abstenção caiu 4,37 pontos percentuais.
Lula é reeleito após reverter resultado nacional do primeiro turno
O resultado de Salvador integrou uma eleição nacional marcada por mudança de liderança entre as duas etapas.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro havia terminado à frente, com cerca de 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula registrou 45,16%. Nenhum dos candidatos alcançou maioria absoluta, levando a disputa para o segundo turno.
Na votação de 25/10/2026, Lula reverteu a desvantagem e foi reeleito com 64.256.232 votos, ou 51,79%. Flávio Bolsonaro terminou com 59.826.041 votos, ou 48,21%, diferença nacional de 4.430.191 votos.
O TSE informou que o segundo turno contou com mais de 158 milhões de eleitores aptos e cerca de 128,2 milhões de comparecimentos, com abstenção nacional próxima de 19,2%, inferior à registrada no primeiro turno.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 2º turno de 2022 — Lula vence em Salvador com 70,73% dos votos válidos, contra 29,27% de Jair Bolsonaro, estabelecendo uma referência histórica para a comparação com 2026.
- 04/10/2026 — No primeiro turno presidencial, Lula recebe 944.358 votos (65,26%) em Salvador; Flávio Bolsonaro obtém 391.188 (27,03%). A abstenção fica em 20,14%.
- 05/10/2026 — A totalização nacional confirma Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno; o candidato do PL termina a primeira etapa à frente no país.
- 23/10/2026 — O TRE-BA informa que o transporte público deverá ser gratuito no segundo turno e operar com frequência equivalente à dos dias úteis.
- 25/10/2026, manhã e início da tarde — Eleitores relatam dificuldades de transporte em Salvador; fiscalizações encontram ônibus parados em garagens e o TRE-BA determina recomposição integral da frota.
- 25/10/2026 — O TRE-BA determina à Polícia Federal a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. A prefeitura informa que ele estava em missão oficial no exterior.
- 25/10/2026, fim da tarde — O ministro Cristiano Zanin determina extensão da votação até as 19h nas seções que ainda permaneciam abertas; urnas já encerradas não foram reabertas.
- 25/10/2026 — Com 100% das urnas apuradas em Salvador, Lula termina com 1.154.072 votos (73,24%) e Flávio Bolsonaro, com 421.752 (26,76%).
- 26/10/2026 — O TSE consolida o balanço do segundo turno e registra Lula reeleito com 64.256.232 votos (51,79%), diante de 59.826.041 (48,21%) de Flávio Bolsonaro.
O resultado de Salvador confirma uma concentração territorial do voto presidencial favorável a Lula que já estava presente no primeiro turno e se intensificou na etapa decisiva. O aspecto mais relevante não é apenas a passagem de 65,26% para 73,24%, mas a combinação entre crescimento absoluto de 209.714 votos, maior comparecimento e redução dos votos brancos, nulos e das abstenções. Flávio Bolsonaro também ganhou votos em números absolutos, mas não acompanhou a velocidade de expansão do adversário.
A comparação entre os turnos exige cautela metodológica. Não é possível afirmar, apenas com a totalização, que determinados eleitores migraram de uma candidatura para outra. A entrada de novos votantes na segunda rodada, a redução de brancos e nulos e a eliminação de dez candidaturas alteraram simultaneamente o universo de votos válidos. Estudos posteriores por seção eleitoral, pesquisas de fluxo de voto e análises territoriais poderão esclarecer melhor a composição desse crescimento.
A controvérsia envolvendo o transporte público constitui um segundo eixo de interesse público. Há fatos documentados — ônibus encontrados em garagens, ordem judicial para recomposição da frota, multa prevista e determinação envolvendo o secretário municipal — e há versões divergentes sobre as causas da redução. O aumento geral do comparecimento não elimina a necessidade de investigar eventuais restrições individuais ao direito de voto. Da mesma forma, a ocorrência de problemas no transporte não autoriza, sem evidências adicionais, concluir que eles tenham determinado o resultado eleitoral.
O núcleo factual está definido: Salvador deu 73,24% dos votos válidos a Lula e 26,76% a Flávio Bolsonaro, ampliou a vantagem do candidato petista para 732.320 votos e reduziu a abstenção para 15,77%. A dimensão do resultado torna a capital uma das principais bases eleitorais do presidente reeleito e atribui relevância nacional ao comportamento do eleitorado soteropolitano.








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