O vice-governador da Bahia, Geraldo Júnior, conhecido como Geraldinho, afirmou na sexta-feira (09/10/2026), durante caminhada entre os bairros do Imbuí e da Boca do Rio, em Salvador, que a base governista pretende ampliar no segundo turno presidencial a vantagem obtida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no estado. O ato reuniu o governador reeleito Jerônimo Rodrigues e lideranças da chapa governista após um primeiro turno no qual Lula recebeu 5.664.771 votos, ou 66,17% dos válidos, na Bahia, contra 2.442.585 votos, ou 28,53%, de Flávio — diferença de 3.222.186 votos. Nacionalmente, porém, o candidato do PL terminou o primeiro turno à frente, e os dois disputarão a Presidência em 25/10/2026.
A caminhada integra a reorganização das forças políticas que apoiam Lula na Bahia depois das eleições de 04/10/2026. Além da ampla vantagem presidencial no estado, Jerônimo foi reeleito governador no primeiro turno com 55,80% dos votos válidos, enquanto Rui Costa e Jaques Wagner conquistaram as duas vagas baianas em disputa para o Senado.
No ato em Salvador, Geraldinho afirmou que a articulação governista está sendo direcionada aos 417 municípios baianos, com prioridade para a manutenção do eleitorado que votou em Lula, a busca de novos votos e a mobilização de pessoas que não compareceram às urnas no primeiro turno.
Geraldinho aposta em ampliar diferença superior a 3,2 milhões de votos
Ao comentar o resultado das urnas, o vice-governador relacionou a mobilização do segundo turno ao desempenho conjunto da chapa governista na Bahia.
“Quero agradecer a cada baiano e cada baiana pela confiança no nosso time, que conquistou uma grande vitória no primeiro turno, com a reeleição do governador Jerônimo e dos nossos dois senadores. Recebemos esse resultado com muita gratidão e responsabilidade.”
Na sequência, Geraldinho destacou diretamente a diferença obtida por Lula no estado.
“Agora, estamos mobilizados nos 417 municípios baianos, conversando com a população e trabalhando para ampliar a votação do presidente Lula, que fez uma diferença superior a 3,2 milhões de votos em comparação ao opositor no 1º turno. A Bahia já demonstrou sua confiança nesse projeto, e queremos fortalecer ainda mais essa parceria no segundo turno.”
A referência aos 3,2 milhões de votos é compatível com os números da totalização: Lula somou 5.664.771 votos na Bahia e Flávio Bolsonaro, 2.442.585, produzindo diferença de 3.222.186 votos.
Bahia assume papel estratégico na tentativa de Lula reverter resultado nacional
A importância eleitoral da Bahia aumenta porque o resultado estadual ocorreu em sentido contrário ao nacional. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou na primeira posição no país com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. Em atualização divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral com 99,99% das urnas apuradas, Flávio contabilizava 56.104.268 votos e Lula, 53.876.617.
Como nenhum candidato ultrapassou metade dos votos válidos, a eleição presidencial será decidida no domingo, 25/10/2026. Pela legislação eleitoral, o segundo turno constitui uma nova votação: os votos recebidos no primeiro não são transferidos automaticamente, e vence quem obtiver a maioria dos votos válidos na segunda etapa.
A estratégia de ampliar a vantagem em estados nordestinos aparece, portanto, como um dos caminhos disponíveis à campanha de Lula para compensar a diferença registrada nacionalmente. A Bahia representou o maior volume absoluto de votos obtido pelo presidente no Nordeste: foram 5,66 milhões, enquanto a vantagem regional de Lula sobre Flávio ultrapassou 11 milhões de votos.
Salvador registra mobilização após vitória estadual de Jerônimo Rodrigues
A caminhada teve concentração na Praça do Imbuí e avançou em direção à Boca do Rio. Além de Geraldo Júnior e Jerônimo Rodrigues, a mobilização contou com lideranças do grupo político governista. Cobertura realizada no local registrou a participação dos senadores eleitos Jaques Wagner e Rui Costa.
Jerônimo chegou ao segundo turno presidencial politicamente fortalecido pela própria reeleição. Com 100% da apuração estadual concluída, o governador recebeu 4.626.509 votos, equivalentes a 55,80% dos válidos, enquanto ACM Neto (União Brasil) obteve 3.625.227 votos, ou 43,72%. A diferença foi de 1.001.282 votos.
O resultado permitiu ao PT assegurar mais quatro anos no comando do Executivo baiano. O ciclo começou com as eleições de Jaques Wagner em 2006 e 2010, prosseguiu com Rui Costa em 2014 e 2018 e continuou com as vitórias de Jerônimo Rodrigues em 2022 e 2026.
Rui Costa e Jaques Wagner reforçam estrutura eleitoral governista
Nas eleições para o Senado, Rui Costa e Jaques Wagner conquistaram as duas cadeiras em disputa pela Bahia. Rui recebeu 4.335.196 votos, correspondentes a 30,07% dos votos destinados às candidaturas senatoriais, e Wagner contabilizou 3.986.690 votos, ou 27,65%.
A eleição simultânea das duas candidaturas ligadas ao governo estadual ampliou a capacidade de mobilização territorial da base de Jerônimo no segundo turno presidencial.
A campanha governista também pretende atuar sobre a abstenção. O senador Otto Alencar já havia apontado cerca de 2,26 milhões de eleitores baianos que não votaram no primeiro turno como um contingente a ser disputado na etapa decisiva.
No plano nacional, a abstenção também adquiriu relevância eleitoral. Cerca de 33,4 milhões de eleitores deixaram de votar no primeiro turno, dos quais aproximadamente 8 milhões estavam no Nordeste, região em que Lula apresentou seu melhor desempenho.
Geraldinho associa reeleição de Lula à continuidade de investimentos
Durante a caminhada, o vice-governador vinculou a defesa da reeleição presidencial à continuidade da relação administrativa entre os governos federal e estadual.
Segundo Geraldinho, essa cooperação alcança áreas como saúde, educação, mobilidade e infraestrutura. Em sua declaração, ele mencionou hospitais, policlínicas, maternidades, escolas de tempo integral, universidades e institutos federais, além de projetos de mobilidade e infraestrutura.
“Reeleger o presidente Lula é fundamental para que a Bahia continue avançando. Essa parceria tem permitido ampliar investimentos, realizar obras e levar serviços públicos a quem mais precisa, tanto na capital quanto no interior.”
Entre os projetos citados pelo vice-governador estão o VLT, a Ponte Salvador–Itaparica, a expansão do sistema metroviário, contenções de encostas e intervenções de drenagem.
Disputa nacional contrasta com vantagem petista na Bahia
A eleição presidencial apresenta uma configuração territorial distinta da disputa estadual. Enquanto Lula obteve 66,17% na Bahia, sua votação nacional ficou em 45,16% dos válidos. Flávio Bolsonaro registrou 28,53% entre os baianos, mas alcançou 47,03% no país.
Essa diferença explica por que os dois campos políticos passaram a concentrar esforços no estado. Do lado governista, a prioridade declarada é ampliar a margem pró-Lula. Na oposição, ACM Neto, derrotado por Jerônimo na eleição estadual, anunciou apoio a Flávio Bolsonaro e afirmou que mobilizará sua base na Bahia no segundo turno.
Os números do primeiro turno também indicam que o eleitorado baiano não reproduziu automaticamente a mesma escolha entre os cargos. ACM Neto obteve 43,72% para governador, aproximadamente 15 pontos percentuais acima dos 28,53% alcançados por Flávio Bolsonaro na votação presidencial. Lula, por sua vez, chegou a 66,17%, cerca de dez pontos acima dos 55,80% obtidos por Jerônimo.
Esse comportamento mostra que a transferência de votos entre lideranças e candidaturas possui limites e que a disputa do segundo turno dependerá da capacidade de cada grupo de convencer e levar novamente o eleitorado às urnas.
Pesquisas nacionais apontam desafio para campanha de Lula
Os primeiros levantamentos nacionais divulgados depois do primeiro turno registram vantagem de Flávio Bolsonaro, embora pesquisas sejam retratos estatísticos do período em que foram realizadas e não previsões do resultado final.
Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, realizada entre 3 e 8 de outubro, com 5.026 entrevistados, apontou Flávio com 52,8% dos votos válidos e Lula com 47,2%. A margem de erro informada é de 1 ponto percentual e o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-03663/2026.
O Datafolha, em levantamento com 2.520 eleitores, registrou 52% dos votos válidos para Flávio e 48% para Lula, com margem de erro de 2 pontos percentuais. A pesquisa possui registro BR-02949/2026.
Os dois levantamentos reforçam o caráter estratégico da tentativa petista de aumentar a votação em estados onde o presidente já apresentou desempenho elevado, simultaneamente à busca por recuperar votos nas regiões em que terminou atrás.
Segundo turno será realizado em 25 de outubro
O calendário oficial da Justiça Eleitoral estabelece o domingo, 25/10/2026, como data do segundo turno para presidente e governador nos estados em que nenhuma candidatura estadual obteve maioria absoluta no primeiro turno.
Até lá, as campanhas terão como principais contingentes eleitorais os cidadãos que votaram em candidaturas eliminadas, os eleitores que escolheram votos brancos ou nulos e aqueles que se abstiveram em 4 de outubro.
Na Bahia, a estratégia apresentada por Geraldo Júnior é utilizar a estrutura política formada em torno da reeleição de Jerônimo Rodrigues, da eleição de Rui Costa e da reeleição de Jaques Wagner para tentar elevar uma vantagem que já ultrapassou 3,2 milhões de votos no primeiro turno.








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