O governador Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito para um segundo mandato à frente do Governo da Bahia neste domingo (04/10/2026), com definição projetada ainda no primeiro turno, ao superar ACM Neto (União Brasil) na apuração dos votos. Na disputa pelas duas cadeiras baianas do Senado Federal, o ex-governador Rui Costa (PT) já aparecia oficialmente como eleito na atualização consultada, enquanto o senador Jaques Wagner (PT) mantinha a segunda colocação, à frente de Angelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL). Às 20h08, com 70,78% das seções totalizadas para o Senado, Rui tinha 29,28%, e Wagner, 26,80%. Naquele boletim, entretanto, a indicação formal de “eleito” ainda aparecia apenas para Rui Costa, razão pela qual a reeleição de Wagner dependia da continuidade da totalização para ser tratada como matematicamente definida pela Justiça Eleitoral.
A vitória de Jerônimo foi projetada pelo Datafolha e noticiada quando a apuração já havia ultrapassado 80% das urnas. Com 80,75% das seções apuradas, o governador registrava 54,59% dos votos válidos, enquanto ACM Neto tinha 44,90%. O resultado representa a segunda vitória eleitoral consecutiva de Jerônimo sobre o ex-prefeito de Salvador e assegura ao PT mais quatro anos à frente do Executivo baiano.
A apuração oficial é realizada pela Justiça Eleitoral a partir da transmissão e do processamento dos Boletins de Urna. O TSE informa que os dados são atualizados continuamente no sistema Resultados e que uma eleição pode ser considerada matematicamente definida antes da conclusão de 100% das seções, desde que os votos ainda não contabilizados sejam insuficientes para modificar o resultado.
Jerônimo amplia vantagem durante apuração e define eleição no primeiro turno
A apuração baiana mostrou uma ampliação progressiva da vantagem de Jerônimo Rodrigues. Com cerca de um terço das urnas totalizadas, ele já aparecia com aproximadamente 53% dos votos válidos. Quando o percentual de seções apuradas chegou a 76,30%, o governador tinha cerca de 54,4%, contra 45,1% de ACM Neto. Posteriormente, com 80,75%, a vantagem havia avançado para 54,59% a 44,90%.
O desempenho permitiu a definição da eleição sem necessidade de segundo turno. Para governador, o sistema é majoritário e exige maioria absoluta dos votos válidos para uma vitória na primeira etapa da eleição. A Justiça Eleitoral distingue esse modelo da eleição para o Senado, em que, no pleito de 2026, são escolhidos os dois candidatos mais votados em cada unidade da Federação.
O resultado de 2026 modifica um aspecto central da disputa ocorrida quatro anos antes. Em 2022, Jerônimo obteve 49,45% dos votos válidos no primeiro turno, ficando próximo da maioria absoluta, mas precisou disputar uma segunda votação contra ACM Neto. Em 30/10/2022, venceu o adversário e foi eleito governador.
Segunda vitória de Jerônimo sobre ACM Neto reforça continuidade política iniciada em 2007
Com a reeleição, Jerônimo Rodrigues conquista seu segundo mandato consecutivo e prolonga uma sequência de governos estaduais do Partido dos Trabalhadores iniciada em 2007, com Jaques Wagner, continuada por Rui Costa e posteriormente pelo próprio Jerônimo. Ao final do mandato iniciado em 2027, o PT terá completado seis mandatos consecutivos no Executivo estadual.
A sucessão política baiana passou por Wagner, eleito governador por dois mandatos; Rui Costa, que também governou o estado por dois períodos consecutivos; e Jerônimo Rodrigues, escolhido em 2022 para suceder Rui. A eleição deste domingo preserva essa linha de continuidade administrativa, embora cada governo tenha enfrentado contextos políticos, econômicos e administrativos distintos.
A campanha de 2026 voltou a colocar Jerônimo e ACM Neto como os dois principais polos da disputa. Pesquisas divulgadas durante a campanha registraram diferenças reduzidas e sucessivos cenários de empate técnico. Na véspera da eleição, contudo, a última pesquisa Quaest registrou Jerônimo numericamente à frente, com 46% dos votos totais, contra 42% de ACM Neto, equivalentes a 52% a 48% dos votos válidos.
Rui Costa garante vaga no Senado e Wagner permanece à frente pela segunda cadeira
No Senado, Rui Costa assumiu a liderança da apuração desde os primeiros boletins. Às 20h08, com 70,78% das seções eleitorais totalizadas, o ex-governador tinha 2.924.446 votos, equivalentes a 29,28% dos votos válidos para o cargo, e já aparecia identificado como eleito na apuração reproduzida a partir dos dados da Justiça Eleitoral.
Jaques Wagner, candidato à reeleição, ocupava a segunda posição, com 2.676.623 votos e 26,80%. Na sequência apareciam Angelo Coronel, com 20,72%, e João Roma, com 20,67%. Professora Delliana, Marcelo Carvalho, Carlos Sodré, Gregorio Gould, Marcelo Santtana e Marcelo Millet completavam a relação de candidatos.
O quadro indicava uma vantagem consistente de Wagner para a segunda cadeira, mas há uma distinção jornalística necessária: no boletim das 20h08, Rui Costa já estava explicitamente identificado como eleito, enquanto Wagner ainda não recebia a mesma classificação. Dessa forma, a segunda colocação representava uma trajetória consolidada de reeleição, porém a atribuição formal deveria acompanhar a atualização matemática do sistema do TSE.
Duas vagas ao Senado alteraram dinâmica eleitoral na Bahia
A eleição senatorial de 2026 tem uma característica diferente da realizada em 2022. Neste pleito, são renovados dois terços do Senado, totalizando 54 das 81 cadeiras da Casa. Cada eleitor pôde registrar votos em dois candidatos diferentes, sendo eleitos os dois mais votados em cada estado e no Distrito Federal
Na Bahia, as duas cadeiras atualmente vinculadas aos mandatos iniciados em 2019 estavam em disputa. Jaques Wagner, eleito senador em 2018, buscava permanecer na Casa, enquanto Rui Costa disputava pela primeira vez um mandato senatorial após dois períodos como governador e passagem pela Casa Civil do Governo Federal.
A composição governista foi oficializada na convenção realizada em 01/08/2026, em Salvador. O encontro confirmou Jerônimo Rodrigues candidato à reeleição, Geraldo Júnior como vice e lançou Rui Costa e Jaques Wagner para as duas vagas do Senado, em uma estratégia eleitoral que concentrou os principais nomes do PT baiano na chapa majoritária.
Pesquisas finais anteciparam ordem da disputa, mas urnas ampliaram vantagem de Jerônimo
Os levantamentos divulgados nos últimos dias da campanha mostravam uma eleição competitiva para o Governo da Bahia. A Quaest divulgada em 03/10/2026 registrou 52% dos votos válidos para Jerônimo e 48% para ACM Neto, dentro de um cenário estatisticamente apertado. Um dia depois, a apuração real apresentou vantagem maior para o governador.
Na disputa senatorial, a mesma Quaest indicava Rui Costa com 33% dos votos válidos e Jaques Wagner com 30%, enquanto Angelo Coronel e João Roma apareciam nas posições seguintes. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores nos dias 2 e 3 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais, e foi registrada sob o número BA-02224/2026.
O Jornal Grande Bahia havia registrado, antes da votação, que tanto a AtlasIntel/A TARDE quanto a Quaest/TV Bahia colocavam Rui e Wagner nas duas primeiras posições da corrida senatorial. Os resultados das urnas, nas parciais disponíveis, reproduziram essa ordem, embora pesquisas e resultados eleitorais não sejam diretamente equivalentes por possuírem metodologias, universos e momentos de referência distintos.
Chapa governista concentrou campanha em Jerônimo, Rui e Wagner
A formação da chapa representou uma concentração incomum de ex-governadores e do governador em exercício na mesma composição eleitoral. Jaques Wagner governou a Bahia por dois mandatos, Rui Costa o sucedeu por outros dois e Jerônimo assumiu o Executivo estadual em 2023. A campanha procurou apresentar essa sequência como uma linha de continuidade política e administrativa.
Nos últimos dias de campanha, os três participaram conjuntamente de atos em diversas regiões do estado. Em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, em 29/09/2026, de uma caminhada entre Ondina e Barra e pediu votos para Jerônimo, Wagner e Rui, associando a eleição dos candidatos ao Senado à composição da base parlamentar no Congresso Nacional.
Na manhã deste domingo, antes da abertura da apuração, Wagner declarou acreditar na vitória de Jerônimo ainda no primeiro turno, na própria reeleição e na eleição de Rui Costa. Naquele momento, tratava-se de uma projeção política do candidato; os resultados começaram a ser divulgados somente após o encerramento da votação, às 17h.
Resultado fortalece representação do grupo governista no Executivo e no Congresso
A reeleição de Jerônimo preserva o comando do Executivo estadual pelo mesmo grupo político que governa a Bahia desde 2007. A eleição de Rui Costa para o Senado também transfere para o Legislativo federal um político que acumulou experiência no Executivo estadual e federal, criando uma nova configuração institucional para a representação baiana em Brasília.
Caso a segunda colocação de Jaques Wagner seja formalmente confirmada até o encerramento da totalização, dois dos três representantes baianos no Senado a partir de 2027 serão integrantes do PT. O terceiro senador do estado, Otto Alencar, eleito em 2022, possui mandato até 2031.
Do ponto de vista político, a configuração reforça a capacidade de articulação do grupo governista tanto no plano estadual quanto no Congresso. Isso não elimina, contudo, a autonomia constitucional dos mandatos parlamentares nem substitui o processo formal da Justiça Eleitoral, que ainda envolve encerramento da totalização, proclamação dos resultados e posterior diplomação dos eleitos.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 30/10/2022 — Eleição de Jerônimo Rodrigues: após obter 49,45% dos votos válidos no primeiro turno, Jerônimo derrota ACM Neto na segunda votação e assume o Governo da Bahia em 2023.
- 2018 a 2026 — Mandato de Jaques Wagner no Senado: o ex-governador é eleito senador em 2018 e chega às Eleições 2026 buscando um segundo mandato consecutivo.
- 01/08/2026 — Chapa governista é oficializada: convenção em Salvador confirma Jerônimo Rodrigues e Geraldo Júnior para o Executivo estadual e Rui Costa e Jaques Wagner para as duas vagas do Senado.
- 03/10/2026 — Última Quaest: levantamento registra Jerônimo com 52% dos votos válidos e ACM Neto com 48%; para o Senado, Rui Costa aparece com 33% e Wagner com 30% dos válidos.
- 04/10/2026, manhã — Candidatos votam: Jerônimo, Rui e Wagner participam da votação em Salvador; Wagner declara acreditar em vitória da chapa governista.
- 04/10/2026, 17h — Início da divulgação: o TSE começa a receber e processar os Boletins de Urna e disponibiliza a totalização nacional em tempo real.
- 04/10/2026, noite — Jerônimo tem reeleição projetada: com 80,75% das urnas apuradas, registra 54,59%, contra 44,90% de ACM Neto, segundo dados da apuração usados na projeção do Datafolha.
- 04/10/2026, 20h08 — Rui é indicado eleito ao Senado: com 70,78% das seções totalizadas, Rui Costa registra 29,28%, e Jaques Wagner ocupa a segunda posição com 26,80%; Wagner ainda aguardava a indicação matemática formal de eleito no boletim disponível.
O resultado para o Governo da Bahia possui significado político distinto do verificado em 2022. Há quatro anos, Jerônimo Rodrigues chegou muito perto da maioria absoluta, mas precisou de segundo turno. Em 2026, a apuração abriu uma margem suficiente para projetar sua reeleição já na primeira votação. Mais do que a simples continuidade administrativa, o resultado indica capacidade do grupo governista de preservar sua maioria estadual após vinte anos consecutivos de governos petistas.
Também merece atenção a distância entre parte das pesquisas divulgadas durante a campanha e o resultado observado na apuração. Diversos levantamentos registraram empate técnico ou liderança nominal de ACM Neto durante semanas. A Quaest da véspera foi uma das pesquisas que captou a mudança de posição de Jerônimo, mas as urnas, nas parciais posteriores, indicaram uma vantagem superior àquela estimada. O fenômeno deverá ser examinado considerando decisão tardia do eleitorado, distribuição regional dos votos, abstenção e diferenças metodológicas entre os institutos.
No Senado, a eleição de Rui Costa e a liderança consistente de Jaques Wagner demonstram força da estratégia de reunir dois ex-governadores na mesma chapa. Entretanto, o rigor jornalístico exige separar a situação dos dois candidatos enquanto a totalização estiver incompleta: Rui Costa já aparecia marcado como eleito na atualização verificada; Wagner ocupava a segunda vaga, mas ainda sem essa classificação formal no boletim das 20h08. A confirmação definitiva deverá ser registrada pelo TSE conforme o avanço da apuração.
A reeleição de Jerônimo Rodrigues em primeiro turno, na eleição de Rui Costa ao Senado e na manutenção de Jaques Wagner na segunda colocação, em posição de conquistar novo mandato. Os próximos passos cabem ao TSE e ao TRE-BA, responsáveis pela conclusão da totalização, proclamação do resultado e diplomação. Politicamente, os resultados preservam a continuidade do grupo que governa a Bahia desde 2007 e podem ampliar sua presença no Senado, com efeitos sobre a representação do estado e sobre a correlação de forças no Congresso Nacional.








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