O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, afirmou nesta quinta-feira (22/10/2026) que a articulação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Jerônimo Rodrigues tem colocado a segurança hídrica entre as prioridades federais para a Bahia. Em entrevista ao Jornal Grande Bahia (JGB), ele citou o Baixio de Irecê, Adutora da Fé, Canal do Sertão Baiano, Programa Água Doce, barragens e ações contra a estiagem como exemplos dessa cooperação. Paralelamente, confirmou o avanço da ampliação do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco, intervenção federal de R$ 491,3 milhões que elevará a capacidade de bombeamento de cerca de 25 para quase 50 metros cúbicos por segundo.
Ministro atribui a Jerônimo pressão institucional por investimentos
Waldez relatou que Jerônimo participou de agendas no Baixio de Irecê e manteve interlocução em Brasília para defender projetos relacionados a irrigação e segurança hídrica.
Segundo o ministro, as solicitações apresentadas pelo governador foram articuladas também com o então ministro da Casa Civil Rui Costa e com outras lideranças baianas, entre elas o senador Jaques Wagner. A declaração constitui a avaliação do ministro sobre o processo político e administrativo de priorização das obras.
“As incursões que eu fiz no Baixio de Irecê, o Jerônimo estava lá comigo, além, lógico, das idas dele a Brasília, vibrando, pedindo e comemorando cada decisão que eu, com Rui Costa e o presidente Lula, tomamos para atender a Bahia em se tratando de irrigação e de produção”, afirmou Waldez Góes.
O titular do MIDR sustentou ainda que as reivindicações relacionadas à segurança hídrica apresentadas pelo governador foram incorporadas à carteira federal de investimentos.
“Todos os pedidos do Jerônimo em relação à segurança hídrica para a Bahia foram contemplados no PAC”, declarou.
A interlocução entre o Governo da Bahia e o MIDR está documentada em agendas recentes. Em janeiro de 2026, Jerônimo participou, em Brasília, de reunião envolvendo MIDR, Codevasf e Embasa, com o Canal do Sertão Baiano entre os assuntos tratados.
Adutora da Fé terá 95 quilômetros na segunda etapa
Entre os empreendimentos citados por Waldez está a Adutora da Fé, no Sudoeste baiano.
Dados oficiais da Codevasf mostram que o sistema foi estruturado em duas etapas. A primeira inclui captação no Rio São Francisco, tratamento, bombeamento e cerca de seis quilômetros de tubulação. A segunda prevê 95 quilômetros de adutora, ligando áreas de Bom Jesus da Lapa, Riacho de Santana e Igaporã, com investimento federal estimado em aproximadamente R$ 258 milhões no desenho divulgado pela companhia. O sistema completo foi estimado em cerca de R$ 302 milhões e deverá alcançar mais de 140 mil pessoas.
Ao relacionar as obras solicitadas pelo Governo da Bahia, Waldez destacou a continuidade da implantação do sistema.
“A primeira etapa dela […] está concluída. Nós estamos agora com a segunda etapa em execução. São 95 quilômetros e vai receber um investimento previsto no PAC de R$ 258 milhões. Vai passar por Bom Jesus da Lapa, Riacho de Santana e Igaporã”, disse o ministro.
Em atualização publicada pelo JGB em janeiro de 2026, a nova etapa aparecia em fase preparatória, com previsão de 95 quilômetros de adutora principal, aproximadamente 250 quilômetros de subadutoras e reservatórios distribuídos pelas localidades atendidas.
Canal do Sertão Baiano entra na agenda estratégica
Waldez citou ainda o Canal do Sertão Baiano como reivindicação apoiada pelo Governo do Estado e pelo núcleo político baiano ligado ao Governo Federal.
“O Canal do Sertão Baiano [foi] também uma solicitação. Nós estamos com os estudos […] sendo executados para poder fazer a execução do Canal do Sertão Baiano no trecho Salitre”, afirmou.
Segundo ele, os primeiros quilômetros projetados terão finalidade de abastecimento humano e também de suporte à irrigação e à produção de alimentos.
A Codevasf informa que o projeto completo prevê aproximadamente 297 quilômetros de canais, partindo do Canal do Salitre e alcançando bacias dos rios Salitre, Tourão/Poções, Itapicuru, Jacuípe e Vaza-Barris. Por operar majoritariamente por gravidade, o modelo busca reduzir custos de bombeamento. A estimativa oficial é beneficiar aproximadamente 1 milhão de pessoas e criar condições para geração de até 45 mil empregos associados à expansão das atividades econômicas.
O empreendimento possui importância particular para o interior baiano porque articula abastecimento humano e possibilidades produtivas. Parte das discussões envolve sistemas capazes de ampliar a disponibilidade hídrica em áreas sujeitas a estiagens prolongadas.
Programa Água Doce integra estratégia de convivência com o Semiárido
O ministro também atribuiu prioridade ao Programa Água Doce, política do Governo Federal voltada ao aproveitamento de águas subterrâneas salobras por meio de dessalinização.
O programa opera mediante parceria com estados, municípios e comunidades, priorizando localidades rurais com elevada insegurança hídrica. Cada sistema é estruturado para fornecer água potável a comunidades que dependem de poços com alta concentração de sais.
Na entrevista, Waldez declarou que a Bahia possui mais de 300 unidades em operação e investimentos superiores a R$ 90 milhões.
“Programa Água Doce, Jerônimo também solicitou mais investimentos e sempre foi prioridade. Hoje nós já temos na Bahia mais de 300 unidades em operação, com investimento de mais de R$ 90 milhões”, afirmou.
Esses números foram atribuídos diretamente ao ministro; a página nacional consultada do programa apresenta dados agregados para o conjunto do Semiárido, sem individualizar naquele documento o total baiano informado por ele.
Waldez acrescentou que as demandas do Estado também envolvem situações emergenciais decorrentes de seca ou excesso de chuvas.
“Sempre que há problema com Defesa Civil, com alagamento, com alguma situação de estiagem, a gente tem solicitação por parte do Governo da Bahia e temos atendido”, declarou.
Ampliação do Eixo Norte está contratada
No segundo eixo da entrevista, Waldez destacou a ampliação da capacidade de bombeamento do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF).
O ministro afirmou que o Governo Federal investe aproximadamente meio bilhão de reais para elevar a capacidade do Eixo Norte de cerca de 25 m³/s para 50 m³/s, com novos equipamentos em fabricação.
“O presidente Lula está investindo meio bilhão de reais para dobrar o bombeamento da água do São Francisco no Eixo Norte. Nós vamos aumentar de 25 para 50 metros cúbicos por segundo a água a ser disponibilizada na Transposição do São Francisco”, afirmou Waldez.
O MIDR registra investimento de R$ 491,3 milhões, financiado pelo Novo PAC, para aquisição e implantação de seis novas bombas. Em dezembro de 2025, técnicos do ministério estiveram em Changzhou, na China, acompanhando a fabricação dos equipamentos.
Na entrevista, o ministro também informou que os equipamentos já haviam sido adquiridos e relacionou a fabricação das bombas às obras necessárias para recebê-las.
“As bombas inclusive já foram compradas na China e já estão em processo de conclusão de fabricação. Essa semana eu estava no Nordeste visitando as obras de infraestrutura nas estações de bombeamento um, dois e três que irão recepcionar as bombas”, disse.
O cronograma oficial prevê entrega escalonada: equipamentos para a estação EBI-1 em abril de 2027, EBI-2 em julho de 2027 e EBI-3 em outubro de 2027.
Ampliação beneficia quatro estados, não a Bahia diretamente
Há uma distinção territorial importante. Embora a entrevista tenha relacionado a Transposição à política mais ampla de segurança hídrica conduzida pelo MIDR, o Eixo Norte do PISF não abastece diretamente a Bahia.
O sistema ampliado é destinado a reforçar a oferta hídrica para Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, inclusive para suportar novos ramais como Salgado e Apodi.
O PISF possui aproximadamente 477 quilômetros, alcança cerca de 390 municípios e foi estruturado para beneficiar aproximadamente 12 milhões de pessoas nesses quatro estados.
A relação com a Bahia decorre de outro elemento: o Rio São Francisco é a matriz hídrica comum a diferentes projetos federais, inclusive o próprio Baixio de Irecê, e a política de gestão da bacia exige articulação entre captação, revitalização, reservação e usos produtivos.
Obra atravessou diferentes governos
A Transposição do São Francisco tem uma trajetória administrativa que atravessou sucessivas gestões federais.
A execução foi iniciada em 2007, no segundo governo Lula. As obras prosseguiram durante os governos Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro, com entregas, inaugurações e entrada em operação de diferentes estruturas ao longo do período. No terceiro mandato de Lula, a agenda passou a incorporar recuperação, ampliação de capacidade e construção de ramais complementares.
Durante a entrevista, Waldez fez críticas ao estado em que encontrou parte da infraestrutura em 2023 e atribuiu ao Governo Bolsonaro a paralisação ou falta de recursos para diferentes empreendimentos da área sob responsabilidade do MIDR. A afirmação representa a versão apresentada pelo ministro.
“Só na minha área, Transposição do São Francisco, todos os projetos de canais, adutoras, revitalização de barragens estavam 100% paralisados, com as bombas da Transposição […] quebradas e sem recursos no orçamento”, declarou Waldez.
Segundo ele, a retomada ocorreu depois da transição para o terceiro governo Lula e da recomposição de recursos.
“O presidente Lula, com a PEC da Transição, já destinou recurso para que a gente retomasse as obras da Transposição”, afirmou.
Ao reconstruir historicamente o empreendimento, Waldez também ressaltou a decisão política tomada durante o primeiro governo Lula.
“Foi idealizado no Brasil Império, foi decidido em 2004, no primeiro governo Lula […] e, em 2007, ele começou a Transposição”, declarou o ministro.
A avaliação sobre paralisações no governo anterior deve ser analisada à luz da trajetória multigovernamental do PISF. Diferentes estruturas da Transposição foram executadas, inauguradas ou colocadas em funcionamento sob as administrações Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro, enquanto outros trechos, sistemas associados e obras complementares permaneceram pendentes ou passaram por interrupções.
Novo PAC concentra investimentos na agenda da água
Waldez relacionou a retomada das obras ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e afirmou que a política de segurança hídrica ganhou nova escala no atual governo.
“Criou o Novo PAC, destinou R$ 30 bilhões para a agenda da água e a metade disso é para infraestrutura de segurança hídrica. E 95% dos projetos estão no Nordeste brasileiro”, declarou.
Na mesma resposta, o ministro citou revitalização do Rio São Francisco, Canal do Apodi, Canal Acauã-Araçagi, Cinturão das Águas do Ceará, Canal do Sertão Baiano e Canal do Sertão Alagoano entre os projetos retomados, ampliados ou desenvolvidos.
“São 72 empreendimentos retomados, iniciados ou revitalizados agora no governo Lula”, afirmou.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 2004 — Segundo Waldez Góes, o Governo Lula toma a decisão política de executar a Transposição do Rio São Francisco.
- 2007 — Começa a execução das obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco durante o segundo governo Lula.
- 2023 — Governo Lula inicia novo ciclo de investimentos em segurança hídrica no âmbito do Novo PAC, segundo o MIDR.
- 2025 — Governo Federal avança na Adutora da Fé, com primeira etapa implantada e nova fase destinada a expandir o sistema por aproximadamente 95 quilômetros.
- 02/12/2025 — Missão do MIDR acompanha na China a fabricação de seis bombas destinadas à ampliação do Eixo Norte do PISF.
- Janeiro de 2026 — Jerônimo Rodrigues participa de articulação em Brasília sobre investimentos baianos, incluindo o Canal do Sertão Baiano.
- 22/04/2026 — Codevasf detalha projeto do Canal do Sertão Baiano, com previsão de 297 quilômetros e atendimento potencial a 1 milhão de pessoas.
- 22/10/2026 — Waldez afirma ao JGB que a cooperação entre União e Bahia tem sido determinante para a carteira estadual de projetos hídricos.
- Abril a outubro de 2027 — Cronograma federal prevê entrega escalonada das novas bombas do Eixo Norte da Transposição.








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