Nova Câmara dos Deputados de 2027: PL terá 121 deputados, reeleição recorde e centro mantém poder decisivo

Nesta segunda-feira (19/10/2026), onze dias depois do primeiro turno das Eleições Gerais, realizado em 04/10/2026, o quadro da Câmara dos Deputados que tomará posse em 1º de fevereiro de 2027 está consolidado em seus principais indicadores: o PL elegeu 121 deputados e formará a maior bancada, a Federação Brasil da Esperança — PT, PCdoB e PV — terá 88 cadeiras, a taxa de reeleição chegou a 60,62%, maior desde a redemocratização pelo critério histórico da Casa, e a presença feminina subirá para 109 parlamentares. Apesar das mudanças, a distribuição das cadeiras confirma que nenhuma força partidária se aproxima sozinha da maioria absoluta de 257 votos, mantendo partidos de centro em posição decisiva para a formação de maiorias, a eleição da Mesa Diretora e a relação entre Legislativo e o governo que emergir do segundo turno presidencial de 25/10/2026.

O panorama foi reunido pela Câmara dos Deputados em um especial dedicado aos 513 parlamentares eleitos para a legislatura 2027-2031, com dados sobre bancadas partidárias, idade, raça ou cor, escolaridade, gênero, renovação, patrimônio e estado civil. Levantamentos complementares com base nos dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permitem dimensionar ainda as diferenças entre o perfil dos eleitos e o conjunto do eleitorado brasileiro.

PL amplia bancada e se torna principal força partidária da Câmara

O principal movimento partidário das eleições para deputado federal ocorreu no Partido Liberal. A legenda passou de 97 cadeiras obtidas nas eleições de 2022 para 121 em 2026, acréscimo de 24 representantes. O PL terá aproximadamente 23,6% dos assentos da Câmara e será a maior bancada partidária no início da nova legislatura.

A segunda maior força será a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, que passou de 82 para 88 deputados. Em terceiro lugar aparece a Federação União Progressista, integrada por União Brasil e PP, com 87 cadeiras, contra 105 obtidas conjuntamente pelos dois partidos na eleição anterior.

A composição definida pelas urnas ficou assim:

  • PL — 121 deputados, contra 97 em 2022;
  • PT-PCdoB-PV — 88, contra 82;
  • União-PP — 87, contra 105;
  • PSD — 43, contra 42;
  • Republicanos — 41, contra 40;
  • MDB — 36, contra 41;
  • Podemos — 27, contra 20;
  • PSB — 15, mesmo número de 2022;
  • PSOL-Rede — 15, também sem alteração;
  • PSDB-Cidadania — 11, contra 18;
  • Novo — 10, contra três;
  • PRD-Solidariedade — sete, contra 12;
  • PDT — seis, contra 16;
  • Avante — cinco, contra sete;
  • Missão — um deputado, sem representação na eleição anterior.

Os dados mostram simultaneamente expansão do PL, crescimento da federação liderada pelo PT e do Podemos e avanço proporcionalmente expressivo do Novo. Em sentido contrário, houve retração da Federação União Progressista, do PDT, do MDB, da Federação PSDB-Cidadania, de PRD-Solidariedade e do Avante.

A consequência institucional não é, porém, uma Câmara controlada isoladamente pelo PL. Com 121 das 513 cadeiras, o partido continuará dependente de alianças para aprovar projetos ordinários, alcançar maioria absoluta ou formar os 308 votos necessários à aprovação de propostas de emenda à Constituição.

Reeleição chega a 60,62% e Câmara corrige dados iniciais sobre renovação

Um dos dados mais relevantes surgiu após revisão promovida pela própria Câmara dos Deputados. O levantamento atualizado pela Secretaria-Geral da Mesa em 14/10/2026 identificou 311 deputados reeleitos, equivalentes a 60,62% da futura composição. Trata-se do maior percentual de reeleição registrado pela série histórica da Câmara desde a redemocratização e a eleição da Assembleia Nacional Constituinte, em 1986.

Consequentemente, a taxa de renovação foi recalculada para 33,72%, a menor do período. Pelo critério histórico adotado pela Casa, são considerados novos os parlamentares que nunca exerceram mandato de deputado federal, nem mesmo temporariamente na condição de suplente. Assim, 173 dos 513 eleitos exercerão pela primeira vez um mandato na Câmara. Outros 29 ex-deputados de legislaturas anteriores retornarão à Casa.

A atualização é relevante porque os números divulgados imediatamente depois da eleição eram diferentes. A Câmara havia informado inicialmente renovação de 35,67% e contabilizado 183 deputados de primeiro mandato. Também chegou a divulgar 301 reeleitos. Os números foram corrigidos após a instituição harmonizar o conceito de reeleição e renovação com a metodologia utilizada em sua série histórica.

A correção altera substancialmente a interpretação política do resultado. Embora haja entrada de novos nomes e mudanças relevantes de força entre os partidos, quase dois terços da Câmara de 2027 serão formados por parlamentares que exerceram mandato na legislatura que se encerra.

Mulheres alcançam recorde histórico, mas permanecem minoritárias

A representação feminina crescerá de 90 para 109 deputadas, expansão de 21,1% em relação à bancada feminina atual. As mulheres ocuparão 21,25% das 513 cadeiras, enquanto os homens serão 404, ou 78,75% da Câmara.

O número representa a maior bancada feminina já eleita para a Câmara, mas permanece distante da composição do eleitorado. Dados eleitorais compilados a partir do TSE indicam que as mulheres representam 52,85% do eleitorado, embora tenham correspondido a 36,79% das candidaturas a deputado federal e apenas 21,25% dos eleitos.

A Federação Brasil da Esperança foi o grupo partidário que elegeu o maior número de mulheres: 34 deputadas, correspondentes a 31,2% das parlamentares eleitas.

Também haverá três mulheres trans na Câmara: Erika Hilton, Duda Salabert e Thabatta Pimenta. Hilton e Salabert foram reeleitas, enquanto Thabatta conquistou seu primeiro mandato federal. Entre os 513 eleitos, 327 declararam-se cisgêneros, três transgêneros e 183 optaram por não informar identidade de gênero.

Representação de pretos e pardos recua para 26,3%

No recorte racial, a nova Câmara continuará majoritariamente branca. Dos 513 deputados, 374, ou 72,90%, autodeclararam-se brancos. Os pardos serão 106, equivalentes a 20,66%, e os pretos, 29, ou 5,65%. Haverá ainda três indígenas e um parlamentar autodeclarado amarelo.

Somados, pretos e pardos ocuparão 135 cadeiras, ou 26,31% da Câmara. O total representa redução em relação aos 139 eleitos em 2022, queda de aproximadamente 2,9%. Dos 135 parlamentares negros eleitos, 77 já exerciam mandato.

O contraste com o eleitorado é significativo. Dados eleitorais consolidados pela Vototeca a partir das bases públicas do TSE indicam que 35,71% do eleitorado se declara branco, enquanto pretos e pardos representam conjuntamente mais de 62%. Entre os deputados eleitos, a relação se inverte, com aproximadamente 73% de brancos.

Os percentuais devem ser interpretados como autodeclarações registradas perante a Justiça Eleitoral, e não como classificações produzidas pela Câmara, pelo TSE ou por instituições externas.

Ensino superior predomina entre os eleitos

A escolaridade também distancia o perfil parlamentar da média do eleitorado. Dos futuros deputados, 421, ou 82,07%, declararam ensino superior completo. Outros 40, ou 7,80%, possuem ensino superior incompleto. Portanto, quase nove em cada dez eleitos passaram pelo ensino superior.

Há ainda 36 deputados com ensino médio completo, três com médio incompleto, oito com fundamental completo e cinco com fundamental incompleto. Nenhum dos eleitos aparece na categoria “lê e escreve”.

Entre o eleitorado brasileiro registrado para 2026, apenas 11,36% aparecem com ensino superior completo no cadastro eleitoral. A comparação deve ser feita com cautela, porque o nível educacional do eleitor depende da atualização cadastral, mas o contraste evidencia o grau de concentração de formação universitária entre os representantes eleitos.

Idade mediana será de 49 anos

A idade mediana dos futuros deputados na posse será de 49 anos. O maior segmento está entre 40 e 49 anos, com 161 parlamentares, seguido pela faixa entre 50 e 59, com 126. Juntas, essas duas categorias representam aproximadamente 56% da Câmara.

Outros 95 deputados terão entre 60 e 69 anos; 80 estarão entre 30 e 39; 31 terão 70 anos ou mais; e 20 estarão na faixa de 18 a 29 anos.

O deputado eleito mais jovem é Alvinho Lira (PP-AL), com 20 anos. Ele recebeu 172.628 votos e poderá tomar posse em razão da mudança legislativa aprovada em 2025 que flexibilizou o marco para cumprimento da idade mínima. Lira completará 21 anos em 17 de março de 2027.

Na outra extremidade estão Magda Mofatto (PRD-GO) e Luiz Carlos Busato (União-RS), ambos com 77 anos. Mofatto é 11 dias mais velha e será a parlamentar de maior idade da próxima composição.

Seis em cada dez eleitos declararam patrimônio de pelo menos R$ 1 milhão

Os bens informados pelos candidatos ao TSE mostram outra característica da futura Câmara. Dos 513 deputados eleitos, 309 — 60,23% — declararam patrimônio de pelo menos R$ 1 milhão. Somados, os bens declarados pelos parlamentares chegam a aproximadamente R$ 1,8 bilhão. A mediana patrimonial ficou em torno de R$ 1,4 milhão.

O maior patrimônio declarado entre os deputados eleitos foi o de Jadyel Alencar (Republicanos-PI), com cerca de R$ 107,1 milhões.

Esses valores correspondem aos bens declarados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral no processo de registro. Portanto, não constituem avaliação independente de patrimônio, não necessariamente reproduzem valores atuais de mercado e não permitem, isoladamente, inferir origem irregular ou regularidade econômica.

Empresários e advogados aparecem entre as principais ocupações

A ocupação declarada reforça a presença de profissionais ligados à política, à atividade empresarial e às profissões de nível superior. 201 eleitos, equivalentes a 39,18%, registraram como ocupação “deputado”. Outros 27 declararam-se vereadores.

Entre as demais categorias, destacam-se 61 empresários, ou 11,89%; 55 advogados, ou 10,72%; e 30 médicos, equivalentes a 5,85%. Há ainda engenheiros, professores, jornalistas, servidores públicos, policiais, produtores agropecuários, agricultores e representantes de diferentes atividades profissionais.

No estado civil, 356 eleitos, ou 69,40%, declararam-se casados. Outros 96 são solteiros, 55 divorciados, três viúvos e três separados judicialmente.

Câmara terá seis deputados que declararam deficiência

Seis deputados eleitos declararam algum tipo de deficiência no registro eleitoral: dois informaram deficiência auditiva, dois física, um visual e um transtorno do espectro autista. Juntos, representarão 1,17% da Câmara.

O número supera o resultado eleitoral de 2022, quando dois deputados eleitos declararam deficiência. As candidaturas de pessoas com deficiência também aumentaram: passaram de 172 em 2022 para 205 em 2026, crescimento de 19,19%.

A Câmara ressalva que a classificação administrativa definitiva ocorrerá após o cadastramento dos novos parlamentares, procedimento necessário também para a disponibilização de gabinetes e imóveis funcionais acessíveis.

Bloco de centro anuncia 240 deputados e apoio à recondução de Hugo Motta

O crescimento do PL não eliminou a centralidade das legendas de centro na organização interna da Câmara. Em 14/10/2026, líderes de União, PP, PSD, Republicanos, MDB, Federação PSDB-Cidadania e Podemos anunciaram que manterão na próxima legislatura o bloco parlamentar hoje majoritário na Casa. Segundo a Câmara, o agrupamento deverá começar 2027 com 240 deputados.

Pelo Regimento Interno, o tamanho dos blocos interfere diretamente na distribuição de vagas e presidências em comissões, na escolha de cargos da Mesa Diretora e no peso das lideranças durante o processo legislativo. O bloco atua sob liderança comum, embora seus integrantes mantenham diferenças programáticas e eleitorais.

As legendas também anunciaram apoio à tentativa de recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) à Presidência da Câmara. Motta foi reeleito deputado federal e todos os integrantes atuais da Mesa Diretora conseguiram novo mandato parlamentar nas eleições de outubro.

Com 240 integrantes, entretanto, o bloco não alcança sozinho os 257 votos da maioria absoluta. A eleição da presidência da Câmara e a formação das maiores coalizões legislativas continuarão, portanto, dependentes de negociações adicionais.

Cláusula de barreira afeta partidos e federações com 34 deputados

Outro efeito institucional das eleições será produzido pela cláusula de desempenho. A Câmara informou em 13/10/2026 que duas federações e três partidos com parlamentares eleitos não alcançaram os requisitos estabelecidos pela legislação.

Não superaram a barreira as federações PSOL-Rede e PRD-Solidariedade, além de PDT, Avante e Missão. Consideradas as legendas integrantes das federações, são sete partidos com representação parlamentar afetados, somando 34 deputados eleitos.

Para superar a cláusula em 2026, um partido ou federação precisava eleger pelo menos 13 deputados distribuídos por nove unidades da Federação ou alcançar 2,5% dos votos válidos nacionais para deputado federal, com pelo menos 1,5% em nove unidades federativas.

A consequência envolve restrições de acesso ao Fundo Partidário e à propaganda eleitoral gratuita, além da perda de algumas prerrogativas regimentais de liderança na Câmara.

Bahia terá 39 deputados e Federação Brasil da Esperança lidera representação

Na Bahia, a Federação Brasil da Esperança elegeu dez dos 39 deputados federais. A Federação União Progressista ficou com oito vagas; o PSD, com seis; o PL, com quatro; Avante e Republicanos, com três cada; a Federação PSDB-Cidadania, com duas; e MDB, PDT e PSB conquistaram uma cadeira cada.

O deputado Pastor Sargento Isidório (Avante) foi o candidato a deputado federal mais votado no estado, com 248.147 votos, correspondentes a 3% dos votos válidos para o cargo.

O resultado baiano ocorreu em ambiente político diferente do cenário nacional: Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito governador no primeiro turno, enquanto Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT, conquistaram as duas vagas ao Senado.

Em Feira de Santana, Zé Neto (PT) foi o candidato a deputado federal mais votado no município, com 59.127 votos, mas terminou como suplente após obter 104.550 votos no conjunto da Bahia, exemplo direto de como o sistema proporcional vincula a eleição não apenas ao desempenho individual, mas também à votação dos partidos e federações.

Sistema proporcional explica diferença entre votos individuais e distribuição das cadeiras

A Câmara dos Deputados é eleita pelo sistema proporcional. Diferentemente das eleições majoritárias, não basta estar entre os candidatos individualmente mais votados. Os votos dados a candidatos e às legendas contribuem para a definição do número de cadeiras obtidas por cada partido ou federação.

Dados derivados da totalização do TSE indicam que 385 deputados, ou 75,05%, foram eleitos pelo quociente partidário, enquanto 128, ou 24,95%, conquistaram mandato pela distribuição das sobras ou médias.

O mecanismo ajuda a explicar situações em que candidatos com votação pessoal inferior conquistam mandato enquanto concorrentes individualmente mais votados permanecem na suplência. O resultado parlamentar, portanto, depende simultaneamente da votação nominal, do desempenho coletivo da legenda ou federação e das regras de distribuição das vagas.

Nova Câmara será instalada antes de definição completa das alianças políticas

Embora a composição nominal da Câmara já esteja definida, o ambiente político de 2027 permanece parcialmente em aberto porque a eleição presidencial ainda não terminou. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 56.104.268 votos, ou 47,03% dos válidos, no primeiro turno; Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 53.876.617 votos, ou 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno em 25/10/2026.

Esse calendário produz uma situação política relevante: o presidente que governará o país a partir de janeiro já sabe que encontrará uma Câmara com PL fortalecido, federação liderada pelo PT como segunda bancada e um grande conjunto de partidos de centro capaz de alterar a correlação de forças por meio de blocos parlamentares.

Seja qual for o resultado presidencial, a sustentação de projetos legislativos dependerá de acordos que ultrapassem a bancada do partido do vencedor. Nenhum dos dois principais polos políticos dispõe, sozinho, de força próxima à maioria absoluta da Câmara.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • 2022 — Eleições gerais: PL elege 97 deputados; Federação PT-PCdoB-PV, 82; União e PP somam 105; mulheres conquistam 90 cadeiras e pretos e pardos, 139.
  • 2025 — Alteração na regra etária: mudança legislativa permite que candidato eleito à Câmara complete a idade mínima dentro do prazo previsto depois da eleição da Mesa, regra que possibilitará a posse de Alvinho Lira em 2027.
  • 04/10/2026 — Primeiro turno das Eleições Gerais: brasileiros elegem os 513 deputados federais da legislatura 2027-2031; PL conquista a maior bancada, com 121 cadeiras.
  • 05/10/2026 — Totalização da Câmara: conclusão da apuração de Minas Gerais permite consolidar as 513 cadeiras; Federação Brasil da Esperança termina em segundo lugar, com 88 deputados.
  • 05/10/2026 — Resultado presidencial consolidado: Flávio Bolsonaro obtém 47,03% e Lula 45,16%; TSE confirma segundo turno em 25 de outubro.
  • 05 a 09/10/2026 — Perfil dos eleitos: Câmara divulga crescimento da bancada feminina para 109 parlamentares, redução da bancada preta e parda para 135 integrantes e eleição de seis deputados que declararam deficiência.
  • 08/10/2026 — Representação trans: Câmara registra a eleição de Erika Hilton, Duda Salabert e Thabatta Pimenta.
  • 13/10/2026 — Cláusula de barreira: Câmara informa que duas federações e três partidos com representantes eleitos não atingiram o desempenho mínimo exigido.
  • 14/10/2026 — Revisão da renovação parlamentar: Câmara atualiza para 173 o número de deputados que nunca exerceram mandato federal e fixa a renovação em 33,72%.
  • 14/10/2026 — Reeleição revisada: Secretaria-Geral da Mesa contabiliza 311 reeleitos, ou 60,62%, maior percentual da série pós-redemocratização.
  • 14/10/2026 — Articulação do centro: União, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania e Podemos anunciam manutenção do bloco parlamentar, que, segundo a Câmara, terá 240 integrantes, e manifestam apoio à recondução de Hugo Motta.
  • 25/10/2026 — Segundo turno presidencial: eleitores escolherão entre Flávio Bolsonaro e Lula o presidente da República para o mandato iniciado em janeiro de 2027.
  • 01/02/2027 — Posse e eleição da Mesa: deputados da nova legislatura tomarão posse e participarão da escolha da Presidência e dos demais cargos da Mesa Diretora.

A eleição de 2026 produziu uma Câmara simultaneamente marcada por mudança partidária e continuidade parlamentar. O crescimento do PL para 121 cadeiras modifica a correlação interna e fortalece a legenda na disputa por comissões, relatorias e agenda legislativa. Entretanto, os 311 deputados reeleitos e os 29 ex-parlamentares que retornam demonstram que a estrutura política da Casa será muito mais contínua do que a percepção inicial de renovação sugeria. A correção metodológica feita pela própria Câmara é essencial para qualquer análise: a renovação efetiva, pelo conceito histórico adotado pela instituição, é de apenas 33,72%.

O perfil social apresenta avanços seletivos. A Câmara terá a maior bancada feminina da história, com 109 deputadas, e três mulheres trans, além de crescimento no número de parlamentares que declararam deficiência. Ao mesmo tempo, continua muito distante do perfil demográfico do eleitorado: homens ocuparão quase quatro quintos das cadeiras, brancos serão quase três quartos dos deputados e pessoas com formação universitária representarão mais de 82% da Casa. A redução de 139 para 135 parlamentares pretos e pardos também mostra que aumento de diversidade em uma dimensão não implica progresso uniforme em todas as formas de representação.

No plano do poder institucional, o número decisivo pode não ser apenas o 121 do PL, mas também o 240 atribuído pela Câmara ao bloco formado por partidos de centro. Esse agrupamento não possui sozinho maioria absoluta, porém está suficientemente próximo dela para funcionar como núcleo de negociação com PL, PT e demais forças. O apoio já anunciado à recondução de Hugo Motta indica que a disputa pela Presidência da Câmara começou antes mesmo da posse e sugere continuidade na organização da Mesa, ainda sujeita à votação dos deputados em fevereiro de 2027.

A relevância pública do resultado transcende a distribuição formal das cadeiras. A próxima Câmara decidirá matérias orçamentárias, reformas constitucionais, fiscalização do Executivo, políticas econômicas e sociais, prioridades de segurança pública e a distribuição interna de poder nas comissões. O primeiro teste ocorrerá na montagem da Mesa e dos blocos após 1º de fevereiro de 2027, mas a direção política da legislatura começará a ser definida antes, a partir do resultado presidencial de 25/10/2026 e das negociações entre PL, Federação Brasil da Esperança e partidos de centro. Caberá à Câmara, aos partidos, à Justiça Eleitoral e à imprensa acompanhar eventuais alterações decorrentes de recursos eleitorais, mudanças partidárias e formação definitiva das alianças parlamentares.

 


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