Prefeito José Ronaldo e secretário Joilton Freitas lamentam morte de Jair Cezarinho aos 74 anos em Feira de Santana

O jornalista, radialista e cronista esportivo Jair dos Santos Cezarinho morreu no sábado (10/10/2026), aos 74 anos, em Feira de Santana, após período de internação no Hospital Dom Pedro de Alcântara. A morte provocou manifestações do prefeito José Ronaldo de Carvalho, do secretário municipal de Comunicação Social Joilton Freitas, do governador Jerônimo Rodrigues, da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba), de colegas, familiares e representantes políticos. Com mais de cinco décadas de atividade, Cezarinho teve atuação especialmente vinculada ao rádio esportivo, à Rádio Sociedade de Feira de Santana, à organização profissional da imprensa no interior e a iniciativas de preservação da memória do jornalismo regional.

Feira de Santana perde um dos nomes históricos do rádio esportivo

Jair Cezarinho nasceu em 18/04/1952 e desenvolveu uma carreira que atravessou diferentes fases da radiodifusão feirense. A ABI registra passagens pela Rádio Sociedade de Feira de Santana e pela antiga Rádio Carioca, nas quais exerceu funções como repórter de campo, cronista esportivo, entrevistador, apresentador e coordenador de equipes. Outras referências jornalísticas também registram trabalhos nas rádios Cultura, Fundação e Princesa FM.

A Prefeitura de Feira de Santana e o Sinjorba destacaram ainda a participação do radialista em coberturas de competições de repercussão internacional, inclusive Copas do Mundo. O sindicato o situou entre os profissionais que ajudaram a consolidar o radiojornalismo esportivo no interior baiano ao longo da segunda metade do século XX e das primeiras décadas do século XXI.

O conjunto da trajetória revela uma característica central de sua carreira: Cezarinho não permaneceu restrito a uma única função diante do microfone. A atividade profissional combinou reportagem, narração, apresentação, organização de equipes e articulação institucional, numa época em que o rádio desempenhava papel particularmente relevante na cobertura presencial do futebol e na circulação regional da informação.

José Ronaldo e Joilton Freitas lamentam morte do comunicador

A Prefeitura de Feira de Santana confirmou o falecimento na manhã de 10 de outubro e informou que Jair estava internado no Hospital Dom Pedro de Alcântara. O prefeito José Ronaldo e o secretário de Comunicação Social, Joilton Freitas, manifestaram pesar e solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão.

Na manifestação municipal, Cezarinho foi lembrado não apenas pela crônica esportiva, mas também pela passagem pelo serviço público. Ele trabalhou durante anos na Secretaria Municipal de Comunicação Social de Feira de Santana, exercendo funções ligadas à comunicação institucional e ao relacionamento do Município com a imprensa.

Registros jornalísticos indicam que o profissional atuou na estrutura municipal como assessor e técnico até 2010, antes de se aposentar. Essa dimensão de sua carreira estabeleceu uma ligação entre o trabalho realizado nas emissoras e a comunicação pública local.

Jerônimo Rodrigues também presta homenagem

O governador Jerônimo Rodrigues também divulgou nota de pesar no sábado. Na manifestação, definiu Cezarinho como uma das vozes marcantes do rádio baiano e ressaltou sua vinculação ao esporte e à representação institucional dos profissionais de imprensa.

“O rádio perde hoje um grande talento, e a Bahia perde um comunicador generoso que fez história.”, afirmou Jerônimo Rodrigues.

O governador manifestou solidariedade a familiares, amigos, profissionais da comunicação e ouvintes. A repercussão ultrapassou o Executivo estadual. O deputado estadual Robinson Almeida apresentou moção de pesar na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) e associou a trajetória de Cezarinho à formação de profissionais e à memória do esporte regional.

Entrevista com Pelé em 1975 tornou-se registro histórico

Entre os acontecimentos mais lembrados da trajetória de Jair Cezarinho está a entrevista realizada com Pelé, em 1975, no Estádio Joia da Princesa, em Feira de Santana. Segundo o Sinjorba e a ABI, Cezarinho trabalhava na cobertura esportiva quando entrevistou o jogador durante a passagem do Santos Futebol Clube pela cidade para um amistoso contra o Fluminense de Feira.

A fotografia daquele encontro permaneceu no acervo pessoal do radialista e voltou a ganhar projeção pública décadas depois. Após a morte de Pelé, em dezembro de 2022, a história da entrevista foi retomada em reportagem televisiva, convertendo o registro profissional de 1975 em documento da memória esportiva de Feira de Santana.

A relevância daquele episódio vai além do encontro entre um repórter local e o principal nome da história do futebol brasileiro. O registro evidencia o papel que as equipes esportivas das rádios do interior exerciam na cobertura presencial dos grandes acontecimentos e na construção de arquivos que, décadas depois, passam a integrar a memória social das cidades.

História familiar de Jair Cezarinho também se confunde com o Fluminense de Feira

A ligação de Cezarinho com o futebol antecedia sua própria carreira. Seu pai, Alfredo Cezarinho, integrou o Fluminense de Feira e participou de um dos acontecimentos fundadores da fase profissional do clube.

Em 06/06/1954, o Fluminense disputou sua primeira partida no futebol profissional baiano, contra o Vitória, no então Estádio Otávio Mangabeira, a Fonte Nova, em Salvador. O jogo terminou empatado por 1 a 1, e Alfredo marcou o gol do clube feirense aos 36 minutos do segundo tempo, segundo registros históricos da Prefeitura de Feira de Santana e do Jornal Grande Bahia.

A trajetória familiar, portanto, liga duas etapas da história esportiva local: Alfredo esteve em campo na estreia profissional do Fluminense em 1954; Jair, nas décadas seguintes, acompanhou o futebol pelo rádio, registrando jogos, personagens e acontecimentos que integraram a formação da cultura esportiva de Feira de Santana.

Cezarinho presidiu representação regional da ABI

A atuação de Jair Cezarinho ultrapassou as transmissões esportivas. Ele presidiu a antiga Regional Norte/Nordeste da Associação Bahiana de Imprensa, sediada em Feira de Santana, e participou de uma estratégia de aproximação entre a entidade estadual e jornalistas e radialistas do interior.

Um registro documental dessa atuação ocorreu em 2011, quando Cezarinho, na condição de presidente da representação regional, esteve à frente da mobilização para o VIII Fórum de Comunicação Social da ABI, realizado em Jequié. A proposta declarada era integrar e valorizar profissionais da imprensa, debater transformações nos meios de comunicação, defender direitos coletivos e fortalecer a liberdade de expressão.

No mesmo ano, a regional promoveu atividades em Feira de Santana e em outros municípios. Os encontros reuniam jornalistas, radialistas e representantes de veículos para discutir rádio, televisão, imprensa escrita e, naquele período de rápida transformação tecnológica, a expansão da internet como plataforma jornalística.

Em 2014, Cezarinho coordenou a programação pelos cinco anos da representação Norte/Nordeste da ABI. O evento realizado em Feira de Santana reuniu dirigentes da entidade, profissionais da comunicação e autoridades, evidenciando o papel exercido pelo radialista na articulação institucional da imprensa regional.

Relação com Sinjorba e defesa da categoria

A ABI registra que Jair Cezarinho também exerceu função de direção no Sinjorba. Na nota divulgada após sua morte, o próprio sindicato o descreveu como filiado e colaborador em diferentes ocasiões e destacou a atuação em iniciativas destinadas à valorização profissional e à organização dos trabalhadores da comunicação.

Essa participação é relevante para compreender uma dimensão menos visível de sua biografia. Além da presença pública no rádio, Cezarinho esteve ligado a organizações voltadas à defesa profissional, à integração dos jornalistas do interior e à discussão sobre liberdade de expressão.

A regionalização dessas entidades possui significado particular na Bahia, onde grande parte da atividade jornalística está concentrada em Salvador, enquanto centenas de profissionais trabalham em emissoras, portais, jornais, assessorias e televisões distribuídas pelo interior do estado.

Projeto buscava preservar memória da imprensa de Feira de Santana

Outra vertente de sua atuação foi a preservação da memória jornalística. Em 2010, Cezarinho apresentou o Projeto Memória da Imprensa – Feira de Santana, concebido para reunir documentos e depoimentos sobre a trajetória da comunicação no Município.

Uma das propostas iniciais era produzir um vídeo-documentário relacionado aos 100 anos do jornal Folha do Norte. O projeto buscava aproximar profissionais da comunicação, pesquisadores, entidades representativas e a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) para evitar que registros importantes permanecessem apenas em arquivos pessoais ou na memória oral das gerações mais antigas.

Em 2021, voltou a mobilizar comunicadores em iniciativa denominada “Memórias”, voltada ao registro audiovisual de personagens e acontecimentos do jornalismo regional. A preocupação com a documentação ganhou novo significado à medida que desapareceram profissionais que testemunharam as primeiras décadas do rádio, da televisão e da imprensa moderna em Feira de Santana.

Em abril de 2022, às vésperas de completar 70 anos, o radialista foi homenageado pela própria ABI por sua contribuição à instituição e à comunicação baiana.

Mesmo após mudança estrutural da ABI, manteve articulação em Feira

A extinção do antigo modelo de seccionais da ABI não encerrou a participação de Cezarinho na articulação da entidade no interior.

Em 10/08/2023, dirigentes da Associação Bahiana de Imprensa visitaram a Câmara Municipal de Feira de Santana para discutir a reorganização da representação regional. Segundo registro da própria ABI, o encontro havia sido provocado por Jair Cezarinho, então identificado como representante local da entidade após a extinção das antigas seccionais.

A reunião teve participação do então presidente da ABI, Ernesto Marques, do diretor financeiro Antônio Matos, da então presidente da Câmara, Eremita Mota, e de profissionais de comunicação de Feira. O episódio demonstra que, mesmo depois de deixar a presidência formal da antiga estrutura regional, Cezarinho permaneceu relacionado à presença institucional da associação no Município.

Colegas destacam formação de novas gerações

As homenagens realizadas durante a despedida trouxeram uma dimensão pessoal da influência profissional exercida pelo radialista.

O publicitário Hélder Rios, que começou a trabalhar ainda adolescente como operador na Rádio Sociedade, recordou a paciência de Cezarinho diante dos erros próprios de quem iniciava na atividade. Segundo o depoimento, o radialista ajudava os profissionais mais jovens a administrar dificuldades técnicas durante transmissões ao vivo.

O jornalista Cristiano Alves relembrou a parceria na Copa América de 2007, disputada na Venezuela. Segundo ele, Cezarinho narrava diretamente do país enquanto a equipe em Feira de Santana fazia os comentários e mantinha uma estrutura de contingência caso houvesse problemas na transmissão internacional.

Alves também destacou a iniciativa de Cezarinho de promover homenagens a outros profissionais e lembrou a equipe esportiva organizada por ele na antiga Rádio Carioca no início da década de 1990. Os relatos ajudam a dimensionar uma influência que não se limitou à relação entre comunicador e audiência, alcançando também a formação prática e a integração entre profissionais.

Família relata agravamento da saúde antes da internação

Durante as homenagens, Jair dos Santos Cezarinho Filho relatou que o pai enfrentava problemas de saúde havia algum tempo e que a gravidade da situação se tornou mais evidente com o agravamento dos sintomas.

Segundo o filho, Jair permaneceu inicialmente na casa da família e depois foi internado no Hospital Dom Pedro de Alcântara. Após a realização de exames, a família foi informada de que o atendimento passaria a ter caráter paliativo.

Há, entretanto, divergências entre publicações jornalísticas sobre a duração da internação e o diagnóstico. Alguns veículos informaram internação de 30 dias e tratamento contra câncer, enquanto outras publicações e as primeiras notas institucionais limitaram-se a informar a hospitalização, sem divulgar causa específica da morte. Diante dessa diferença entre os registros disponíveis, o diagnóstico não deve ser apresentado como informação documental incontroversa sem confirmação da família ou registro médico autorizado.

Velório reuniu familiares, amigos e profissionais da comunicação

O velório ocorreu no Memorial Pax Bahia, no bairro SIM, em Feira de Santana. Familiares, amigos, jornalistas, radialistas e profissionais de diferentes gerações participaram das homenagens.

O sepultamento ocorreu no domingo (11/10/2026), no Cemitério Piedade, em Feira de Santana. A programação divulgada previamente estabelecia a saída do cortejo às 15h. Publicações posteriores confirmaram o sepultamento no Município.

A despedida reuniu recordações do rádio esportivo, do Fluminense de Feira, das atividades associativas e das relações pessoais mantidas por Cezarinho ao longo da carreira.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • 18/04/1952 — Nascimento: nasce Jair dos Santos Cezarinho, conforme registro divulgado pela ABI.
  • 06/06/1954 — História familiar no futebol: Alfredo Cezarinho, pai de Jair, marca o gol do empate por 1 a 1 do Fluminense de Feira contra o Vitória na estreia profissional do clube.
  • Décadas seguintes — Carreira no rádio: Jair passa por emissoras de Feira de Santana e consolida atuação como repórter, cronista esportivo, narrador, apresentador e coordenador de equipes.
  • 1975 — Entrevista com Pelé: como profissional da Rádio Sociedade, entrevista Pelé durante passagem do Santos pelo Estádio Joia da Princesa.
  • 2010 — Memória da imprensa: apresenta o Projeto Memória da Imprensa – Feira de Santana, voltado à documentação da história do jornalismo local.
  • 11/02/2011 — Fórum da ABI em Jequié: na presidência da representação Norte/Nordeste, participa da organização do VIII Fórum de Comunicação Social da ABI.
  • 2014 — Cinco anos da representação regional: coordena em Feira de Santana programação comemorativa da Seccional Norte/Nordeste da ABI.
  • 2021 — Projeto “Memórias”: volta a mobilizar profissionais para registrar depoimentos e acontecimentos da comunicação regional.
  • Abril de 2022 — Homenagem da ABI: recebe reconhecimento institucional às vésperas dos 70 anos.
  • 2007 — Copa América: participa diretamente, na Venezuela, da cobertura radiofônica da competição, segundo depoimento do jornalista Cristiano Alves.
  • 10/08/2023 — Articulação da ABI: participa da mobilização para reunião entre a direção estadual da associação, Câmara Municipal e comunicadores de Feira de Santana.
  • 10/10/2026 — Falecimento: Jair Cezarinho morre aos 74 anos, em Feira de Santana, após internação no Hospital Dom Pedro de Alcântara.
  • 10 e 11/10/2026 — Despedida: velório ocorre no Memorial Pax Bahia e o sepultamento é realizado no Cemitério Piedade.

A trajetória de Jair Cezarinho ajuda a compreender uma fase histórica em que o rádio regional funcionava simultaneamente como meio de informação, espaço de formação profissional, arquivo da memória esportiva e elemento de identidade comunitária. Sua passagem por reportagem, narração, coordenação de equipes e representação associativa demonstra como, no interior, as fronteiras entre produção jornalística, formação de profissionais e organização institucional frequentemente se sobrepunham.

O aspecto mais duradouro de sua atuação talvez esteja justamente na combinação entre prática e memória. A entrevista com Pelé, os registros do futebol feirense, a vinculação histórica da família ao Fluminense de Feira e os projetos destinados a documentar jornalistas e veículos mostram que a história da comunicação local depende não apenas de grandes arquivos institucionais, mas também de acervos pessoais, fotografias, gravações e testemunhos que correm risco de desaparecer com o passar das gerações.

Do ponto de vista da precisão factual, permanece necessária cautela quanto às informações médicas divulgadas após a morte. Há registros jornalísticos divergentes sobre diagnóstico e duração da internação, enquanto notas institucionais e o relato familiar acessível confirmam o agravamento do quadro, a hospitalização e a adoção de cuidados paliativos, mas não oferecem documentação pública suficiente para transformar todas as versões sobre a causa da morte em fato incontroverso.

A morte de Jair Cezarinho, portanto, possui relevância pública não apenas pelo encerramento de uma carreira superior a cinco décadas, mas porque retira do convívio da cidade uma testemunha direta de parte significativa da história radiofônica e esportiva de Feira de Santana. À ABI, ao Sinjorba, às emissoras, às instituições culturais, à Universidade, aos arquivos públicos e aos próprios profissionais da comunicação cabe agora avaliar formas de preservar, catalogar e tornar acessíveis os documentos, gravações, fotografias e relatos relacionados à sua trajetória e à geração da qual participou.


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