Senador Flávio Bolsonaro chega a Miami após deixar Brasil contra ordem do STF; passaporte italiano, parole nos EUA e rota pela Argentina ampliam caso

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou com a esposa e as duas filhas no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, na Flórida, por volta das 10h25 desta quarta-feira (28/10/2026), no horário de Brasília, encerrando uma viagem iniciada na noite anterior pela fronteira terrestre entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, na Argentina, apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o proibia de deixar o Brasil e ordenava a entrega de seus documentos de viagem.

O desembarque foi registrado por emissoras e por fotógrafos internacionais. A confirmação modifica substancialmente o quadro existente nas primeiras reportagens publicadas pelo Jornal Grande Bahia (JGB), quando ainda havia versões contraditórias sobre o paradeiro do senador, a passagem pela Argentina e sua eventual chegada aos Estados Unidos.

Também foram esclarecidos outros pontos que permaneciam abertos: Flávio possui cidadania italiana desde 2023, utilizou passaporte italiano para ingressar na Argentina e, segundo registros migratórios norte-americanos consultados por CNN Brasil e Metrópoles, apresentou nos Estados Unidos o número de seu passaporte diplomático brasileiro, documento que havia sido cancelado pela Polícia Federal.

Autoridades argentinas confirmam rota por Foz do Iguaçu

A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou oficialmente que Flávio Nantes Bolsonaro, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro e as filhas Carolina e Luiza ingressaram no país às 22h50 de terça-feira (27/10) pelo posto da Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones. O órgão declarou que o grupo apresentou documentação considerada válida e não possuía impedimento registrado para entrar no território argentino.

Às 23h30, segundo o comunicado oficial, a família embarcou em uma aeronave privada operada pela empresa Baires Fly S.A.. O plano de voo apresentado às autoridades argentinas indicava Guayaquil, no Equador, como destino. A aeronave era um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW.

Dados de rastreamento aéreo mostraram que o avião chegou ao Equador durante a madrugada e, posteriormente, decolou em direção à Flórida. A aeronave pousou em Miami-Opa Locka por volta das 10h23 a 10h25 no horário de Brasília.

Avião evitou espaço aéreo brasileiro

O itinerário aéreo adotado após a saída da Argentina chamou atenção porque a aeronave seguiu em direção ao Equador sem voltar a ingressar no espaço aéreo brasileiro. Dados de monitoramento citados pela imprensa indicam que o voo contornou o território nacional antes de prosseguir para Guayaquil.

A Folha de S.Paulo informou, com base em fontes, que a estratégia teria buscado evitar uma possível determinação de pouso caso o avião atravessasse o espaço aéreo brasileiro. Essa finalidade, entretanto, não foi confirmada oficialmente pela Força Aérea Brasileira ou pela Polícia Federal e deve permanecer apresentada como informação atribuída às fontes da reportagem.

A rota internacional, portanto, está praticamente esclarecida: Brasil → Argentina → Equador → Estados Unidos. O trecho que permanece sob investigação é a movimentação de Flávio dentro do território brasileiro, especialmente como ele saiu de Brasília e chegou à região de Foz do Iguaçu sem acompanhamento policial.

PF tenta reconstruir trajeto entre Brasília e fronteira

Fontes da Polícia Federal ouvidas pela imprensa afirmam que investigadores começaram a reconstruir o deslocamento do senador desde Brasília até Foz do Iguaçu, inclusive para identificar eventual apoio logístico e financeiro. Uma das linhas de investigação aponta passagem por uma propriedade rural na região de Foz antes da travessia da fronteira, informação que ainda não foi oficialmente confirmada pela corporação.

Na fronteira, reportagens argentinas registraram a presença de uma van brasileira ligada à empresa Dallas Turismo, que teria transportado o grupo até o Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú. Imagens divulgadas por emissoras argentinas mostram o veículo sendo conduzido até a área aeroportuária com acompanhamento de agentes de segurança locais.

Até esta atualização, porém, não havia reconstrução oficial e completa do percurso Brasília–Foz do Iguaçu, nem confirmação pública sobre quem financiou ou organizou cada etapa da operação de transporte.

Passaporte italiano de Flávio Bolsonaro agora está confirmado

A existência da cidadania italiana do senador deixou de ser uma questão em aberto.

Documentos oficiais da Camera dei Deputati, o Parlamento italiano, registram que o governo da Itália confirmou em 2025 que Flávio e Eduardo Bolsonaro tiveram a cidadania italiana reconhecida em 2023, enquanto Carlos Bolsonaro concluiu o procedimento em 2024.

O deputado italiano Angelo Bonelli também afirmou que Flávio possui passaporte italiano desde 2023. Mais importante, reportagens publicadas nesta quarta-feira informaram que o documento italiano foi efetivamente usado pelo senador no controle migratório argentino.

Este ponto corrige uma informação ainda inconclusiva da reportagem publicada pelo JGB em 27 de outubro, quando as fontes disponíveis permitiam comprovar a tramitação da cidadania, mas ainda não a existência e utilização de um passaporte italiano. A documentação surgida posteriormente solucionou essa dúvida.

Família apresentou documentos diferentes na Argentina

Segundo a CNN Brasil, uma fonte policial informou que Flávio apresentou o passaporte italiano na imigração argentina. Fernanda Bolsonaro e uma das filhas teriam utilizado passaportes brasileiros, enquanto a outra apresentou carteira de identidade. A Direção Nacional de Migrações limitou-se oficialmente a informar que todos apresentaram documentação habilitada e não registrou impedimentos.

A circunstância ajuda a explicar por que o cancelamento dos passaportes brasileiros de Flávio pela Polícia Federal não impediu sua entrada formal na Argentina.

O cancelamento administrativo promovido pelo Brasil alcançava seus passaportes brasileiros, mas não poderia cancelar unilateralmente um documento emitido pela Itália. A ordem judicial de Moraes, contudo, determinava que Flávio entregasse também eventuais documentos de outras nacionalidades e, principalmente, proibia pessoalmente o senador de deixar o território brasileiro. Assim, a validade internacional do documento italiano não elimina a questão do descumprimento da medida judicial brasileira.

Flávio apresentou passaporte diplomático brasileiro nos Estados Unidos

Outra revelação surgiu após o desembarque.

Registros disponíveis no sistema da U.S. Customs and Border Protection (CBP) consultados pelo Metrópoles e pela CNN Brasil indicam que Flávio apresentou nos Estados Unidos o número correspondente ao seu passaporte diplomático brasileiro, emitido em fevereiro de 2023. A CNN afirma que o número registrado pelas autoridades norte-americanas coincide com aquele constante dos registros oficiais do Senado Federal.

O documento havia sido cancelado pela Polícia Federal na terça-feira (27) depois que terminou o prazo concedido para sua entrega.

O fato de o passaporte ter sido cancelado pelo Brasil não impediu a autoridade migratória norte-americana de permitir a presença de Flávio em território dos Estados Unidos. Isso ocorre porque a decisão final sobre ingresso ou permanência no país é competência das autoridades norte-americanas, dentro das regras migratórias dos Estados Unidos.

Registro americano aponta parole até outubro de 2027

O dado migratório mais relevante surgido nesta quarta-feira foi revelado pelo Metrópoles.

Segundo registros da alfândega norte-americana consultados pelo veículo, Flávio, Fernanda e as duas filhas receberam autorização temporária de permanência até 27 de outubro de 2027, sob a classificação migratória “DT”.

A classificação merece precisão jurídica. Documentos oficiais do U.S. Citizenship and Immigration Services (USCIS) explicam que a categoria DT é frequentemente utilizada para pessoas autorizadas a entrar mediante parole não categórico, mecanismo que pode ser concedido individualmente por razões humanitárias urgentes ou benefício público significativo.

Portanto, os registros disponíveis não permitem afirmar automaticamente que Washington reconheceu Flávio como refugiado, asilado político ou vítima de perseguição. Também não permitem concluir, sem manifestação adicional do governo americano, se a autorização foi concedida especificamente por fundamento humanitário ou com base em “benefício público significativo”.

Parole não é asilo nem admissão migratória definitiva

Pelas regras do USCIS, parole não equivale juridicamente à admissão formal nos Estados Unidos e tampouco constitui, por si só, um caminho automático para residência permanente. A pessoa permanece fisicamente no território norte-americano por autorização discricionária do Departamento de Segurança Interna.

O governo norte-americano pode estabelecer o período da autorização e também encerrá-la antes do prazo caso considere que deixaram de existir as razões humanitárias ou de interesse público que justificaram a medida.

Até 13h29 desta quarta-feira, não havia confirmação pública de que Flávio Bolsonaro tenha protocolado ou obtido asilo político nos Estados Unidos.

Anúncio de vistos e registro de parole são institutos distintos

Na terça-feira, um alto funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos informou à Reuters e à Associated Press que Washington emitiria vistos para Flávio Bolsonaro e seus familiares e permitiria a entrada do grupo.

Depois do desembarque, entretanto, o registro migratório consultado pela imprensa passou a apontar parole DT como a autorização para permanência inicial.

Não há necessariamente contradição entre as duas informações: visto e parole são instrumentos jurídicos diferentes e podem integrar momentos distintos de uma situação migratória. Até esta atualização, porém, a categoria específica do eventual visto prometido pelo Departamento de Estado não havia sido divulgada publicamente.

Trump confirma apoio à entrada do senador

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira que aprovava a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.

Trump também voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro, que classificou como “muito estranho”, embora tenha afirmado que não havia tomado partido formalmente. As alegações de irregularidade eleitoral apresentadas pelo grupo político de Flávio ainda dependem de análise pelas instituições eleitorais brasileiras e não constituem, por si mesmas, comprovação de fraude.

A manifestação presidencial reforça o componente diplomático do episódio, principalmente porque Washington havia anunciado antecipadamente que permitiria a entrada de Flávio e de seus familiares.

Governo argentino havia inicialmente negado passagem

A atuação das autoridades argentinas tornou-se outra frente de controvérsia.

Durante a terça-feira, integrantes do governo do presidente Javier Milei e a própria área migratória afirmaram inicialmente não possuir registro da entrada de Flávio. A confirmação oficial só foi divulgada depois das 2h da madrugada desta quarta-feira, quando o avião já havia deixado Puerto Iguazú.

O governo argentino informou posteriormente que o senador entrou formalmente no país e não possuía pedido de captura ou outro impedimento registrado nos sistemas consultados pelas autoridades migratórias argentinas.

Isso ajuda a distinguir duas questões jurídicas diferentes: Flávio estava proibido pela Justiça brasileira de deixar o Brasil, mas a Argentina afirma que não havia, em seus sistemas, um mandado internacional de prisão ou restrição migratória que impedisse sua entrada no país.

Presença de Santiago Caputo aumenta questionamentos na Argentina

O jornal argentino La Nación informou, com base em fontes oficiais, que Santiago Caputo, um dos principais estrategistas políticos do governo Milei, encontrava-se em Misiones no momento da partida do avião.

A informação, por si só, não comprova participação ilícita do governo argentino na viagem.

Entretanto, passou a integrar os questionamentos políticos sobre o episódio, sobretudo diante da mudança entre a negativa inicial das autoridades argentinas e a posterior confirmação da passagem do senador.

Deputada argentina apresenta denúncia à Justiça

A deputada argentina Marcela Pagano, atualmente no bloco Coherencia e ex-integrante da coalizão governista de Milei, apresentou nesta quarta-feira uma denúncia à Justiça Federal de Puerto Iguazú pedindo investigação das circunstâncias da entrada e saída de Flávio Bolsonaro.

Pagano pediu que sejam preservadas imagens das câmeras da ponte e do aeroporto, planos de voo, lista de passageiros e documentos referentes ao fretamento da aeronave. Também quer saber se algum funcionário público argentino facilitou irregularmente o deslocamento.

A denúncia representa um pedido de investigação. Não constitui prova de participação do governo Milei nem decisão judicial reconhecendo qualquer irregularidade.

Consequências jurídicas no Brasil não são automáticas

A saída do senador após ter sido formalmente proibido de deixar o país poderá ser considerada pelo STF na avaliação de medidas adicionais.

As investigações em que Flávio figura como alvo continuam a tramitar independentemente de sua presença no exterior. Entre elas está a apuração que envolve sua relação com o advogado Willer Tomaz, na qual são investigadas suspeitas de lavagem de dinheiro e operações financeiras; os investigados negam irregularidades.

Há ainda investigações distintas relacionadas ao financiamento da cinebiografia Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e outros procedimentos. Cada caso possui objeto e situação processual próprios.

Prisão preventiva encontra limite constitucional enquanto Flávio for senador

Um ponto jurídico precisa ser tratado com especial rigor.

O artigo 53, parágrafo 2º, da Constituição Federal determina que deputados e senadores, desde a diplomação, não podem ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável.

No julgamento da ADI 5.526, o Supremo Tribunal Federal estabeleceu expressamente que a prisão preventiva do artigo 312 do Código de Processo Penal é inaplicável aos parlamentares federais protegidos pelo artigo 53 da Constituição. Ao mesmo tempo, o STF reconheceu a possibilidade de aplicação de medidas cautelares diversas da prisão.

Assim, os pedidos apresentados por parlamentares para que Moraes decrete imediatamente a prisão preventiva de Flávio não equivalem a uma decisão e enfrentam essa restrição constitucional específica enquanto ele permanecer no exercício do mandato.

Mandato termina em 31 de janeiro de 2027

Flávio Bolsonaro permanece formalmente senador em exercício pelo Rio de Janeiro, com mandato iniciado em 1º de fevereiro de 2019 e previsto para terminar em 31 de janeiro de 2027, segundo o Senado Federal.

Depois do encerramento do mandato, a imunidade formal relacionada à prisão parlamentar deixa de se aplicar.

Isso não significa que uma prisão ocorrerá automaticamente em fevereiro. Qualquer medida dependerá do estágio dos processos, dos fundamentos apresentados pelas autoridades investigativas ou pelo Ministério Público e de decisão judicial específica.

Não existe mandado de prisão contra Flávio até esta atualização

Até 13h29 desta quarta-feira, não havia confirmação pública de mandado de prisão expedido contra Flávio Bolsonaro.

Por isso, embora a Agência Brasil, Reuters e outros veículos utilizem a palavra “fuga” para caracterizar a saída do Brasil em descumprimento à determinação judicial, é necessário distinguir essa descrição factual da categoria jurídica de foragido de um mandado de prisão.

Flávio encontra-se atualmente no exterior após descumprir uma ordem que o proibia de deixar o país, mas não havia ordem pública de prisão a ser cumprida contra ele nesta atualização.

Interpol depende de ordem judicial

Deputados apresentaram pedidos para que, caso uma prisão seja decretada, o nome do senador seja submetido aos mecanismos internacionais da Interpol.

A própria Interpol esclarece que uma Difusão Vermelha não é um mandado internacional de prisão. Trata-se de um pedido para localizar uma pessoa e, quando permitido pela legislação do país onde ela se encontra, promover detenção provisória visando eventual extradição ou outro procedimento legal.

Sem um mandado de prisão ou ordem judicial equivalente que sustente o pedido, não há base ordinária para transformar um requerimento político brasileiro em uma Difusão Vermelha.

Extradição pelos EUA não é automática

Brasil e Estados Unidos mantêm tratado bilateral de extradição assinado em 1961 e em vigor desde 1964.

A existência do tratado não significa que Flávio possa ser automaticamente enviado de volta ao Brasil. Segundo o Departamento de Justiça norte-americano, pedidos internacionais de extradição normalmente são apresentados por autoridades de persecução penal depois da formalização de acusações e da expedição de um mandado de prisão, passando posteriormente por canais diplomáticos e pelo sistema judicial do país requerido.

Até esta atualização, não havia pedido brasileiro de extradição de Flávio Bolsonaro.

Tratado é antigo e cada eventual acusação teria de ser examinada

Outro aspecto juridicamente relevante é que o tratado Brasil–Estados Unidos é antigo e utiliza uma relação de delitos extraditáveis.

Documentos históricos do Departamento de Estado norte-americano registram que o texto bilateral de 1961 não mencionava expressamente lavagem de dinheiro entre os crimes enumerados, embora determinadas modalidades relacionadas ao tráfico de drogas possam ser alcançadas por convenções internacionais posteriores.

Portanto, qualquer discussão futura sobre extradição exigiria saber qual delito concreto fundamentaria o eventual mandado, quais normas internacionais seriam invocadas e se estariam presentes os requisitos jurídicos aplicáveis nos dois países. Não é possível concluir previamente que um futuro pedido seria aceito ou rejeitado.

Parole norte-americano não cria imunidade contra extradição

A autorização migratória recebida nos Estados Unidos também não deve ser confundida com imunidade jurídica.

O parole é uma autorização discricionária para presença temporária no território norte-americano. O USCIS esclarece que ele não constitui admissão definitiva, residência permanente ou, por si só, outro status migratório permanente.

Assim, a autorização até 27/10/2027 não representa uma decisão antecipada dos Estados Unidos sobre uma eventual solicitação judicial futura do Brasil.

Coletiva de Flávio foi transferida para quinta-feira

Outra atualização em relação às matérias anteriores do JGB envolve a manifestação pública do senador.

O jornalista e aliado Paulo Figueiredo, que atua nos Estados Unidos próximo a Eduardo Bolsonaro, informou que Flávio estava “em segurança” e descansando com a família e que deverá conceder entrevista coletiva na tarde de quinta-feira (29/10), em Miami, em local e horário ainda a serem divulgados.

A coletiva havia sido inicialmente mencionada como possibilidade para esta quarta-feira, razão pela qual a nova informação também atualiza a cobertura anterior do Jornal Grande Bahia.

Entre os temas que permanecem sem esclarecimento direto estão a razão para Flávio ter afirmado que permaneceria no Brasil e posteriormente deixar o país, quem organizou e financiou a operação, o papel dos aliados estrangeiros e sua estratégia jurídica diante do STF.

O que o Jornal Grande Bahia já havia publicado

A cobertura anterior do Jornal Grande Bahia já havia documentado a ordem para entrega dos passaportes, as investigações criminais, o cancelamento dos documentos brasileiros, a proibição de saída, os pedidos parlamentares de prisão, a confirmação de que o governo norte-americano concederia autorização de entrada e as informações preliminares sobre uma possível viagem aos Estados Unidos.

Naquele momento, entretanto, não estavam confirmados a passagem oficial pela Argentina, o horário da travessia, o documento utilizado, a escala no Equador, a chegada efetiva a Miami nem a condição migratória atribuída pelas autoridades norte-americanas. Esses elementos agora permitem substituir hipóteses por uma reconstrução documental muito mais precisa.

Cronologia

Domingo, 25/10/2026 — Lula derrota Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial.

Segunda-feira, 26/10 — Alexandre de Moraes determina a entrega dos passaportes e proíbe Flávio de deixar o Brasil.

Segunda-feira, 26/10 — Flávio declara publicamente que permanecerá no país e entregará os documentos.

Terça-feira, 27/10, 11h — encerra-se o prazo para entrega.

Terça-feira, 27/10 — Polícia Federal cancela os passaportes brasileiros comum e diplomático.

Terça-feira, 27/10, 22h50 — Flávio, esposa e filhas entram na Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves.

Terça-feira, 27/10, 23h30 — grupo embarca em avião privado da Baires Fly com destino declarado a Guayaquil.

Quarta-feira, 28/10, madrugada — aeronave deixa Puerto Iguazú e segue ao Equador.

Quarta-feira, 28/10, manhã — avião deixa Guayaquil em direção à Flórida.

Quarta-feira, 28/10, aproximadamente 10h25 — Flávio e familiares desembarcam no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka.

Quarta-feira, 28/10 — registros migratórios divulgados pela imprensa apontam autorização DT/parole até 27/10/2027.

Quarta-feira, 28/10 — deputada Marcela Pagano pede investigação judicial na Argentina.

Quinta-feira, 29/10 — Flávio deverá conceder entrevista coletiva em Miami, segundo aliado.

Pontos que ainda precisam ser esclarecidos

Apesar do avanço da apuração, permanecem questões relevantes.

Ainda não existe reconstrução oficial completa de como Flávio percorreu o trecho entre Brasília e Foz do Iguaçu, quem organizou ou financiou os deslocamentos terrestres e o fretamento da aeronave e qual foi exatamente o grau de conhecimento prévio de integrantes dos governos argentino, equatoriano e norte-americano.

Também permanece sem confirmação pública a existência de pedido formal de asilo político. O que está demonstrado no registro divulgado é uma autorização migratória de parole, juridicamente diferente de asilo.

No Brasil, continuam abertas as decisões sobre novas medidas cautelares, eventuais consequências do descumprimento da ordem judicial e os efeitos que o término do mandato do senador em 31 de janeiro de 2027 poderá produzir sobre sua situação processual.


Descubra mais sobre Jornal Grande Bahia (JGB)

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


Avatar de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia

Valorize o jornalismo crítico, plural, rigoroso e comprometido com a verdade factual, a democracia, o Estado de Direito e o interesse público. Escolha o Jornal Grande Bahia (JGB) como fonte preferida no Google: clique aqui.

Sua confiança também fortalece nosso trabalho: avalie o JGB

Selecione o JGB e receba nossas notícias com mais destaque.


Deixe um comentário


Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.