Senador Jaques Wagner defende reeleição de Lula, prevê Senado mais conservador e cita agricultura familiar da Bahia

O senador Jaques Wagner (PT-BA) declarou nesta terça-feira (13/10/2026) apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que o atual chefe do Executivo é, em sua avaliação, “o mais preparado para plantar e colher prosperidade”. Durante entrevista à Rádio Sociedade, Wagner também abordou a futura composição do Senado Federal, a relação entre Executivo e Legislativo e políticas direcionadas à agricultura familiar na Bahia.

A manifestação ocorre durante o segundo turno das Eleições 2026. Lula disputa a Presidência da República com o senador Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, realizado em 04/10/2026, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. A votação decisiva está marcada para domingo (25/10/2026), segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Wagner também saiu das urnas de 4 de outubro reeleito para o Senado pela Bahia. Segundo a Agência Senado, ele recebeu 3.986.690 votos, equivalentes a 27,6% dos votos válidos, enquanto Rui Costa (PT) conquistou a outra vaga em disputa pelo estado, com 4.335.196 votos, ou 30,1%.

Wagner projeta negociação diante da nova composição do Senado

Durante a entrevista, Jaques Wagner avaliou que o Senado Federal terá uma composição mais conservadora a partir de 2027. A afirmação foi apresentada pelo parlamentar como uma leitura política da configuração resultante das eleições legislativas e das condições que o próximo governo encontrará para formar maioria no Congresso.

Segundo Wagner, esse cenário deverá ampliar a importância da negociação entre Executivo e Legislativo. O senador afirmou que será necessária capacidade de diálogo para construir entendimentos entre grupos com posições políticas distintas e relacionou essa necessidade ao resultado da eleição presidencial.

Ao comentar a disputa pelo Palácio do Planalto, Wagner reafirmou apoio a Lula. “Tudo depende de quem for eleito presidente. E eu estou trabalhando pela reeleição do meu candidato, que todo mundo sabe, é o presidente Lula”, declarou. A posição integra a atuação política mantida pelo senador durante a campanha eleitoral de 2026, quando vinculou sua candidatura ao Senado à sustentação política do projeto liderado pelo atual presidente.

Reeleição de Lula é vinculada por Wagner à capacidade de negociação

Na avaliação apresentada por Wagner, Lula reúne experiência de negociação com diferentes setores políticos e governos estaduais, característica que, segundo ele, poderá ser relevante diante da composição do Congresso que tomará posse em 2027. Trata-se de uma avaliação política do senador e não de uma projeção institucional sobre o funcionamento do próximo Legislativo.

A disputa presidencial permanece aberta até o segundo turno de 25 de outubro. O TSE confirmou Lula e Flávio Bolsonaro como os dois candidatos mais votados em 4 de outubro. Nenhum dos concorrentes alcançou mais da metade dos votos válidos, condição constitucional necessária para encerrar a eleição presidencial no primeiro turno.

A declaração de Wagner insere o debate sobre a governabilidade entre os temas da reta final da eleição. A composição da Câmara dos Deputados e do Senado influencia a capacidade do Executivo de aprovar projetos de lei, propostas orçamentárias e emendas constitucionais, além de exigir articulação entre bancadas partidárias e lideranças parlamentares.

Agricultura familiar da Bahia entra no discurso do senador

Outro tema abordado durante a entrevista foi a agricultura familiar na Bahia. Wagner utilizou como exemplo iniciativas desenvolvidas por mulheres que trabalham com produtos derivados do umbu, relacionando a organização produtiva dessas comunidades à ampliação das possibilidades de comercialização.

Segundo o parlamentar, há casos de trabalhadoras que passaram da coleta do fruto para atividades organizadas de produção e comercialização, inclusive destinadas ao mercado externo. Wagner atribuiu esse processo à combinação entre empreendedorismo local e políticas de apoio dos governos federal e estadual.

O senador afirmou que o suporte público é necessário para viabilizar esse tipo de transformação econômica. Na entrevista fornecida, entretanto, não foram apresentados dados quantitativos sobre volume de produção, número de produtoras beneficiadas ou valores exportados, de modo que as referências ao crescimento e à exportação correspondem à avaliação e aos exemplos mencionados por Wagner.

Plano Safra amplia recursos destinados à agricultura familiar

No âmbito federal, políticas para a agricultura familiar integram o Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027, lançado pelo Governo Federal em junho. O programa reúne R$ 97,3 bilhões destinados a crédito rural, seguro agrícola, compras públicas, assistência técnica e outras políticas para o setor. Desse total, R$ 85,2 bilhões foram direcionados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

O plano também estabeleceu medidas voltadas à produção de alimentos, agroecologia, mecanização, regularização fundiária e ampliação do acesso ao crédito por mulheres, jovens, assentados e comunidades tradicionais. Essas políticas fornecem parte do contexto institucional relacionado ao apoio público citado por Wagner durante a entrevista.

A relação entre programas governamentais e resultados econômicos específicos, entretanto, exige acompanhamento por meio de indicadores de produção, renda, financiamento, comercialização e exportações. A evolução desses dados permitirá avaliar o impacto das políticas públicas sobre cooperativas e agricultores familiares da Bahia.

Segundo turno e relação com o Congresso entram no centro da disputa

Até 25/10/2026, Lula e Flávio Bolsonaro deverão concentrar suas campanhas na disputa pelos eleitores que votaram em outras candidaturas no primeiro turno, pelos indecisos e por segmentos que poderão alterar sua escolha entre as duas etapas eleitorais. O resultado definirá quem comandará o Executivo federal entre 2027 e 2030.

Ao defender Lula, Wagner associa a escolha presidencial à capacidade do próximo governo de estabelecer interlocução com um Congresso resultante das eleições de 2026. Sua avaliação sobre uma composição mais conservadora do Senado aponta para a negociação legislativa como um dos desafios políticos do mandato que começará em janeiro de 2027.


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