Senador Otto Alencar aposta em reduzir abstenção para ampliar votação de Lula na Bahia no 2º turno

O senador Otto Alencar (PSD-BA) afirmou, na quarta-feira (07/10/2026), em Salvador, que a redução da abstenção será uma das estratégias da base governista para ampliar a votação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Bahia no segundo turno da eleição presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL). Em entrevista à Rádio Baiana FM, o presidente estadual do PSD argumentou que a votação de 25/10/2026 será mais simples no estado, porque a disputa pelo Governo da Bahia foi encerrada no primeiro turno e o eleitor baiano terá apenas a escolha presidencial. No primeiro turno, a Bahia registrou abstenção de aproximadamente 20%, equivalente a cerca de 2,26 milhões de eleitores.

A aposta de Otto ocorre em um cenário no qual a Bahia já entregou a Lula uma das maiores vantagens estaduais do país. Com a apuração praticamente concluída ainda na noite de 04/10/2026, Lula contabilizava 5.661.527 votos, ou 66,17% dos votos válidos, contra 2.441.882 votos, ou 28,54%, de Flávio Bolsonaro. A diferença superava 3,2 milhões de votos.

Nacionalmente, contudo, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente. Com 100% das seções totalizadas, o candidato do PL obteve 56.104.503 votos, equivalentes a 47,03% dos válidos, enquanto Lula recebeu 53.879.538 votos, ou 45,16%. A distância foi de 2.224.965 votos, o que transforma a mobilização nos estados de maior votação lulista, especialmente no Nordeste, em um componente relevante da estratégia para o segundo turno.

Otto vê eleitor ausente como espaço para crescimento de Lula

Ao tratar da abstenção, Otto Alencar atribuiu parte do não comparecimento às características do primeiro turno das eleições gerais, no qual o eleitor precisou votar para deputado federal, deputado estadual, dois candidatos ao Senado, governador e presidente da República.

“Foi uma eleição que teve uma abstenção muito grande entre todos os estados do Brasil, sobretudo aqui no Nordeste brasileiro, porque são eleições que exigem do eleitor seis votos, é muito número na cabeça”, declarou o senador.

Otto afirmou ainda que houve eleitores em Salvador que, segundo seu relato, enfrentaram filas e não conseguiram votar.

Bahia terá apenas eleição presidencial no segundo turno

O argumento operacional apresentado pelo senador baseia-se na definição da eleição estadual já no primeiro turno. Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito governador da Bahia, eliminando a necessidade de nova votação para o Executivo estadual.

Com isso, em 25/10/2026, os eleitores baianos comparecerão às urnas apenas para decidir a Presidência da República entre Lula e Flávio Bolsonaro. O calendário eleitoral oficial do Tribunal Superior Eleitoral estabelece o segundo turno nessa data, com votação das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.

Otto avalia que a redução do número de escolhas poderá diminuir o tempo de permanência do eleitor na seção e facilitar o fluxo nos locais de votação. A hipótese, entretanto, não significa automaticamente redução da abstenção: comparecimento eleitoral também depende de fatores sociais, econômicos, territoriais, logísticos e individuais.

Bahia teve aproximadamente um em cada cinco eleitores ausentes

Dados divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) mostram que aproximadamente 19,98% do eleitorado baiano deixou de comparecer ao primeiro turno. O tribunal informou números próximos de 2,26 milhões de ausentes, diante de um eleitorado superior a 11,3 milhões de pessoas.

O percentual baiano ficou acima da média registrada pelo conjunto do Nordeste, de 18,36%, mas abaixo da taxa nacional, que chegou a aproximadamente 21,08%. No país, 33.469.244 eleitores não compareceram às urnas, o maior percentual de abstenção em uma eleição presidencial desde 1998.

O peso desse contingente ajuda a explicar por que as duas campanhas passaram a disputar não apenas os votos destinados a candidatos eliminados no primeiro turno, mas também o eleitorado que não participou da votação. No Nordeste, os ausentes somaram cerca de 8 milhões de pessoas, segundo levantamento publicado após o primeiro turno.

Histórico mostra que abstenção já preocupa Justiça Eleitoral na Bahia

A discussão não surgiu apenas após o primeiro turno de 2026. Em março deste ano, o TRE-BA divulgou estudo sobre comparecimento e abstenção nas eleições de 2020, 2022 e 2024.

O levantamento contabilizou 6.577.350 registros de não comparecimento sem justificativa nas eleições analisadas e apontou a necessidade de políticas voltadas para acessibilidade, educação cidadã, logística eleitoral e enfrentamento à desinformação. Os dados foram obtidos a partir das estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral e de relatórios do próprio TRE.

Entre as medidas discutidas pelo tribunal estão ampliação de seções acessíveis, transporte para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e campanhas informativas. Para as Eleições 2026, a Justiça Eleitoral também regulamentou o transporte gratuito de eleitores dentro das hipóteses permitidas pela legislação, ressaltando que candidatos e partidos não podem oferecer transporte ou alimentação diretamente aos votantes.

Lula perdeu votos na Bahia em relação a 2022

Embora Lula tenha vencido com ampla margem na Bahia em 2026, os números também revelam uma redução de sua votação em relação ao primeiro turno presidencial de 2022.

Na eleição anterior, Lula obteve na Bahia 5.873.081 votos, correspondentes a 69,73% dos válidos, enquanto Jair Bolsonaro recebeu 2.047.599 votos, ou 24,31%. Em 2026, o petista ficou aproximadamente 211 mil votos abaixo daquele resultado, enquanto Flávio Bolsonaro superou a votação estadual obtida pelo pai quatro anos antes.

Essa comparação ajuda a explicar por que dirigentes da base lulista tratam a Bahia simultaneamente como um estado de ampla vantagem eleitoral e como território no qual ainda existe espaço para recuperação de votos.

Estratégia governista envolve Jerônimo, Wagner, Rui Costa e prefeitos

A posição de Otto integra uma articulação mais ampla do grupo político que governa a Bahia. Após o primeiro turno, dirigentes da base passaram a defender maior participação de prefeitos, deputados, movimentos sociais e lideranças municipais na campanha presidencial.

O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que reuniões com gestores municipais já estavam sendo realizadas ao lado de Jerônimo Rodrigues, Otto Alencar e Rui Costa, com o objetivo de ampliar a mobilização no estado. Segundo Wagner, mais de 50 prefeitos já haviam participado de encontros relacionados à campanha do segundo turno.

A estratégia tem três frentes centrais: diminuir a abstenção, preservar os eleitores que votaram em Lula no primeiro turno e buscar parte dos votos destinados aos candidatos que ficaram fora da disputa final.

Otto defende comparação entre Lula e Flávio Bolsonaro

Além da mobilização eleitoral, Otto Alencar defendeu que o segundo turno seja marcado pela comparação entre os projetos dos dois candidatos.

O senador criticou o modelo de remuneração por horas trabalhadas defendido por Flávio Bolsonaro e relacionou o tema ao debate sobre legislação trabalhista e à discussão sobre o fim da escala 6×1.

“Estamos votando o fim da escala 6×1 e o próprio Flávio Bolsonaro é contra”, declarou Otto. O parlamentar também afirmou que determinadas mudanças poderiam “descaracterizar” direitos estabelecidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). As afirmações representam a posição política do senador no debate eleitoral.

Otto cita investimentos federais na defesa da reeleição

Na argumentação favorável a Lula, Otto mencionou projetos e investimentos relacionados à Bahia, entre eles a instalação da BYD, a retomada da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) e iniciativas associadas à Ponte Salvador-Itaparica e ao Estaleiro Enseada do Paraguaçu.

“Lula tem um legado muito grande em nosso Estado”, afirmou o senador.

ACM Neto anuncia apoio a Flávio Bolsonaro

A disputa presidencial também reorganizou os dois principais campos políticos da Bahia. Após ser derrotado por Jerônimo Rodrigues na eleição para governador, ACM Neto (União Brasil) declarou apoio a Flávio Bolsonaro.

Otto afirmou respeitar a decisão do adversário e recordou que o ex-senador Antônio Carlos Magalhães, avô de ACM Neto, apoiou Lula no segundo turno presidencial de 2002.

“Eu respeito a posição dele de direita”, declarou Otto. Segundo informações divulgadas após o primeiro turno, ACM Neto pretende mobilizar prefeitos, parlamentares eleitos e integrantes de seu grupo político em favor do candidato do PL.

Com isso, o segundo turno nacional reproduz na Bahia uma nova etapa da disputa política que marcou a eleição estadual, ainda que sem nova votação para governador.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • 2022 — Primeiro turno presidencial: Lula recebe 5.873.081 votos (69,73%) na Bahia; Jair Bolsonaro obtém 2.047.599 (24,31%). O resultado consolida o estado como um dos principais redutos eleitorais do petista.
  • 20/03/2026 — TRE-BA divulga estudo sobre abstenção: levantamento registra 6.577.350 ausências sem justificativa acumuladas nas eleições de 2020, 2022 e 2024 e recomenda ações para ampliar a participação eleitoral.
  • 04/10/2026 — Primeiro turno: Flávio Bolsonaro termina a votação nacional com 47,03% e Lula com 45,16%, levando a eleição presidencial ao segundo turno.
  • 04/10/2026 — Resultado na Bahia: Lula alcança cerca de 66,17% dos votos válidos e abre vantagem superior a 3,2 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro. A abstenção fica próxima de 20%.
  • 04/10/2026 — Jerônimo Rodrigues é reeleito: a definição da eleição para governador no primeiro turno faz com que a Bahia tenha apenas a disputa presidencial na votação seguinte.
  • 06/10/2026 — Base governista amplia articulação: Jerônimo Rodrigues, Jaques Wagner, Otto Alencar e Rui Costa passam a organizar reuniões com prefeitos para o segundo turno.
  • 07/10/2026 — Otto defende redução da abstenção: em entrevista à Rádio Baiana FM, o presidente estadual do PSD aponta o eleitorado ausente como um dos focos da estratégia para ampliar a votação de Lula.
  • 25/10/2026 — Segundo turno: Lula e Flávio Bolsonaro voltarão às urnas na disputa pela Presidência da República.

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