O secretário de segurança pública do estado do Rio de Janeiro, Victor dos Santos, declarou nesta terça-feira (29/10/2024) que 47% dos fuzis apreendidos em 2023 em municípios fluminenses foram fabricados nos Estados Unidos. Ele ressaltou que existem informações de inteligência sobre o trajeto que esses armamentos percorrem até chegar ao Brasil. Apesar disso, o secretário destacou a complexidade do problema enfrentado pelas autoridades locais.
Victor dos Santos apontou que o Brasil possui uma extensa fronteira, com mais de 17 mil quilômetros de fronteira seca e 7,5 mil quilômetros de fronteira marítima, o que dificulta o controle de entrada de armamentos no país. Ele comparou a situação brasileira com a de outros países que, apesar de dispor de recursos significativos, também enfrentam desafios em controlar suas fronteiras, especialmente em relação à imigração.
“O desafio não é pequeno”, afirmou.
O secretário também sugeriu que o Brasil deve estabelecer gestões com os países de origem das armas que chegam ao Rio de Janeiro. Ele enfatizou que uma parte considerável desses fuzis chega ao país de forma legal, sendo inicialmente direcionados a outros países e, posteriormente, desviados para o Brasil. Como parte de uma estratégia para enfrentar essa situação, Victor dos Santos propôs um trabalho conjunto com o Consulado dos Estados Unidos e a ATF (Escritório de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos).
Durante a mesma reunião, foi anunciada a formação de um grupo de trabalho destinado a aprofundar a compreensão sobre as rotas de tráfico de armamentos. Este grupo será composto por representantes das forças de segurança do estado e do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). A criação do grupo é uma resposta aos episódios de violência que ocorreram na semana anterior, resultando na morte de três pessoas inocentes durante confrontos entre policiais e organizações criminosas na Avenida Brasil, na zona norte do Rio de Janeiro.
O grupo de trabalho terá como foco principal a investigação das finanças das organizações criminosas e a recuperação dos territórios. O secretário nacional de segurança pública do MJSP, Mário Luiz Sarrubbo, explicou que o objetivo é estruturar uma rede de inteligência que possa analisar a economia do crime em áreas específicas.
“A partir daí, devemos substituir essa economia pela economia do Estado, que gera renda e impostos”, afirmou Sarrubbo.
O secretário enfatizou que a abordagem não deve se restringir apenas a operações policiais. É fundamental entender os fluxos financeiros das organizações criminosas e as dinâmicas econômicas que permeiam os territórios dominados por essas facções. Ele acrescentou que a grande quantidade de fuzis em relação ao espaço urbano é um indicativo do domínio territorial exercido por organizações criminosas e que a atual situação exige uma resposta mais qualificada.
*Com informações da Agência Brasil.
Share this:
- Click to print (Opens in new window) Print
- Click to email a link to a friend (Opens in new window) Email
- Click to share on X (Opens in new window) X
- Click to share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn
- Click to share on Facebook (Opens in new window) Facebook
- Click to share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp
- Click to share on Tumblr (Opens in new window) Tumblr
- Click to share on Telegram (Opens in new window) Telegram
Relacionado
Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)
Subscribe to get the latest posts sent to your email.




