Tarifas dos EUA sobem para 57 países e aprofundam crise econômica global; Presidente Donald Trump aprofunda protecionismo

Entraram em vigor neste sábado (05/04/2025) as novas tarifas de importação impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que estabelecem um piso universal de 10% sobre a maioria dos produtos importados. A medida, que já provocou quedas expressivas nas bolsas internacionais, é parte de uma política comercial mais agressiva e ampliará as tensões entre os EUA, China e União Europeia, com impactos diretos no comércio global.

A nova rodada de tarifas foi anunciada na quarta-feira (02/04/2025) e passou a valer à 0h01 deste sábado nos portos, aeroportos e armazéns alfandegários dos EUA. A tarifa de 10% se soma aos tributos já existentes e será elevada progressivamente para 57 países que mantêm superávit comercial com os Estados Unidos, entre os quais se destacam:

  • China: aumento total de até 54%;

  • União Europeia: acréscimo de 20%;

  • Vietnã: elevação de 46%;

  • Japão: incremento de 24%.

Alguns produtos estratégicos foram isentos da nova tarifa, incluindo petróleo, gás, metais preciosos, semicondutores, produtos farmacêuticos e minerais não produzidos em território norte-americano. Aço, alumínio e automóveis, já sujeitos à tarifa de 25%, não sofreram alterações.

Reação da China amplia instabilidade no comércio global

Em resposta às medidas de Washington, a China anunciou tarifas de 34% sobre produtos norte-americanos com vigência a partir de 10 de abril, além de restrições à exportação de terras raras, como gadolínio e ítrio, essenciais para as indústrias de tecnologia, energia e medicina.

Trump afirmou em sua rede social que “a China entrou em pânico”, reforçando a narrativa de que a medida visa reequilibrar a balança comercial. No entanto, os mercados reagiram de forma negativa:

  • Wall Street: queda de 6%;

  • Paris: -4,3%;

  • Frankfurt e Londres: -5%;

  • Tóquio (Nikkei): -2,75%;

  • Topix: -3,37%.

Petróleo e cobre também apresentaram forte desvalorização, com quedas superiores a 7%.

Impactos sobre a agricultura e a indústria americana

A nova onda tarifária tem efeitos adversos sobre setores estratégicos da economia dos EUA, especialmente a agricultura. A China, maior importadora mundial de soja, adquiriu 22 milhões de toneladas do grão americano em 2024, equivalente a 52% das exportações do setor. Após o anúncio das retaliações chinesas, o preço da soja caiu 3,41% nos mercados norte-americanos.

Segundo especialistas do setor agrícola e industrial:

  • Os agricultores americanos enfrentarão dificuldades para competir com preços internacionais;

  • Exportações de grãos, oleaginosas, energia e medicamentos tendem a sofrer retração;

  • A dependência chinesa dos EUA nas importações diminuiu nos últimos anos, o que reduz o poder de barganha americano.

União Europeia prepara resposta gradual às tarifas dos EUA

A União Europeia ainda avalia o novo pacote tarifário, mas prepara duas fases de retaliação:

  1. Abril: medidas relacionadas às tarifas sobre aço e alumínio impostas em março;

  2. Maio: resposta às tarifas adicionais anunciadas nesta semana.

Estão em análise tarifas sobre produtos digitais e financeiros dos EUA, com impacto estimado em até € 26 bilhões. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sinalizou preferência por soluções diplomáticas, mas não descartou o uso da lei anti-coerção, que permite restrições comerciais e de investimento contra práticas comerciais consideradas abusivas.

Riscos para o crescimento econômico europeu e global

As novas tarifas norte-americanas devem provocar impactos significativos sobre a economia europeia, sobretudo em países altamente expostos à exportação para os EUA:

  • Alemanha: prejuízo estimado em € 200 bilhões, com queda de 0,3% no PIB;

  • França: pressiona suspensão de investimentos em território norte-americano;

  • Itália, Irlanda e Finlândia: estão entre os mais afetados.

O aumento nos custos de produtos importados dos EUA também deve pressionar a inflação e as taxas de juros na Europa, com destaque para os setores de alimentos, medicamentos e transportes. Especialistas alertam para o risco de retração no volume de comércio global e desaceleração econômica.


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