Contrato milionário com IDP e fraude na eleição: bastidores da crise entre CBF e ministros do STF

Na segunda-feira, 05/05/2025, vieram a público informações que agravaram a instabilidade política na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Segundo reportagem publicada pelo portal Terra, o presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues, perdeu o apoio do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, após a divulgação de supostos vínculos controversos entre a CBF e instituições ligadas ao magistrado.

O principal ponto de atrito foi a revelação do contrato firmado entre a CBF e o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), organização associada a Gilmar Mendes, responsável pela administração da CBF Academy, braço educacional da confederação. A reportagem original da revista Piauí, repercutida pelo Terra, gerou reações negativas no meio jurídico e político, motivando o afastamento do ministro em relação à presidência da entidade esportiva.

Alianças políticas desfeitas após quebra de acordos internos

Informações apuradas junto a fontes da própria CBF indicam que o desgaste não se limitou ao contrato com o IDP. Durante o processo de reeleição de Ednaldo Rodrigues, ocorrido em março de 2025, o dirigente teria assumido compromissos com membros do STF, incluindo a indicação de nomes sugeridos por Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso para cargos na diretoria.

Dos três nomes indicados, apenas um foi efetivado, contrariando os termos informais do acordo. O descumprimento dos compromissos teria contribuído para o enfraquecimento da aliança com os ministros e, consequentemente, comprometido a estabilidade política da atual gestão.

Perícia aponta fraude em assinatura no processo eleitoral da CBF

A crise se agravou com a divulgação de um laudo pericial que identificou suposta falsificação da assinatura de Antônio Carlos Nunes, o Coronel Nunes, ex-vice-presidente da CBF, em documento decisivo para o reconhecimento da reeleição de Ednaldo Rodrigues. A assinatura constava no acordo firmado entre a CBF e o STF, em março de 2022, homologado no início de 2025.

Segundo o documento apresentado pela deputada federal Daniela Carneiro (União Brasil-RJ) ao STF, a assinatura “não foi realizada de forma livre e consciente”, e há “dúvidas razoáveis acerca da autenticidade”. O argumento é sustentado por um laudo médico, assinado por Jorge Pagura, médico da Confederação Brasileira de Ginástica, que atesta que Coronel Nunes não apresentava condições físicas e cognitivas para validar qualquer documento no período.

A petição foi elaborada com base em perícia realizada a pedido do vereador Marcos Dias Ferreira (Podemos-RJ), e o caso foi encaminhado também ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Ruptura com Gilmar Mendes e críticas à atuação do Judiciário

A reportagem do Terra também reacendeu debates sobre a interferência do Judiciário em entidades privadas, como a CBF. Se confirmadas as suspeitas, o caso pode configurar um exemplo do fenômeno descrito como Cleptocracia Autocrática Judicial no Brasil (CAJB) ”, conceito proposto pelo Jornal Grande Bahia para caracterizar a captura de instituições públicas por agentes estatais em aliança com interesses corporativos.

A influência de Gilmar Mendes era considerada estratégica para a sustentação de Ednaldo, especialmente em esferas como o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), as federações estaduais de futebol e o Sindicato das Associações de Futebol (Sindbol). A retirada de seu apoio representa um golpe significativo na base de sustentação institucional do atual presidente da CBF.

STF vai julgar ação sobre reeleição de Ednaldo em maio

O ministro Gilmar Mendes, que anteriormente concedeu liminar favorável à volta de Ednaldo Rodrigues à presidência em janeiro de 2024, será o relator do pedido de afastamento protocolado pela deputada Daniela Carneiro. O processo será analisado pelo Supremo Tribunal Federal em 28 de maio de 2025, conforme agendamento feito pelo presidente da Corte, Luís Roberto Barroso.

O caso remonta a dezembro de 2023, quando o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro anulou o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que sustentava juridicamente a permanência de Ednaldo na presidência da CBF. Na ocasião, Gilmar Mendes argumentou haver “perigo de dano” institucional na destituição de Ednaldo e reverteu a decisão em caráter liminar.

Nota oficial da CBF

Em resposta às denúncias e à petição protocolada no STF, a Confederação Brasileira de Futebol divulgou nota oficial na noite de segunda-feira (06/05/2025), na qual nega qualquer irregularidade no processo de reeleição de Ednaldo Rodrigues e afirma que “todas as etapas obedeceram aos critérios legais e foram devidamente homologadas pela Justiça”.

Segundo a nota, a CBF “confia plenamente na legalidade dos atos administrativos e na integridade de seus dirigentes”, reafirmando que “irá colaborar com todas as instâncias competentes para o total esclarecimento dos fatos, respeitando a autonomia dos Poderes e a legislação vigente”.

A entidade também afirmou que medidas judiciais serão adotadas contra o que classificou como “tentativas de desestabilização institucional motivadas por interesses alheios ao futebol brasileiro”.


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