ALBA: Deputado Paulo Câmara denuncia abusos na comercialização de livros escolares e convoca audiência pública sobre venda casada

Deputado estadual critica práticas de escolas particulares na Bahia e propõe debate com órgãos públicos, pais e entidades educacionais.
Deputado Paulo Câmara (PSDB) denuncia imposição de sistemas fechados de ensino por escolas particulares e propõe audiência pública para discutir abusos na venda de livros didáticos.

Na manhã desta terça-feira (13/05/2025), o deputado estadual Paulo Câmara (PSDB) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) para denunciar a adoção de práticas comerciais que, segundo ele, caracterizam venda casada de material didático em instituições privadas de ensino. De acordo com o parlamentar, escolas particulares impõem aos pais a aquisição de livros didáticos por meio de sistemas fechados, impedindo a reutilização dos conteúdos e restringindo a livre escolha do fornecedor.

Segundo Paulo Câmara, essa imposição é resultado da verticalização da educação por grupos empresariais e fundos de investimento, que operam escolas e editoras de forma integrada, ampliando seus lucros à custa das famílias. “Muitas dessas escolas exigem a compra de módulos fechados que custam até R$ 8 mil reais, além de mensalidades que variam entre R$ 2 mil e R$ 6 mil. Caso o aluno perca um dos volumes, os responsáveis precisam adquirir novamente o kit completo”, explicou.

O parlamentar classificou a prática como um “acinte à educação” e ressaltou que não há competitividade nem alternativa de escolha, forçando os pais a seguir as determinações da escola ou a optar pela transferência do aluno.

Audiência pública debaterá a venda casada no ensino privado

Como resposta à denúncia, o deputado anunciou a realização de uma audiência pública no próximo dia 30 de maio, às 9h, no Plenarinho da ALBA, com o objetivo de debater o tema com pais, professores, representantes do Ministério Público, sindicatos, órgãos de defesa do consumidor e entidades da sociedade civil organizada. A iniciativa conta com o apoio solicitado à Comissão de Educação da ALBA.

“É nosso dever mobilizar os entes competentes para impedir que as famílias permaneçam reféns desse sistema. Não temos competência legal para resolver a questão diretamente, mas podemos e devemos fomentar o debate e pressionar por soluções concretas”, afirmou o parlamentar.

Impactos econômicos e ausência de regulamentação

A denúncia foi motivada por relatos recebidos de associações de pais e responsáveis, que alertaram para o impacto financeiro causado pela prática, sobretudo em um cenário de aumento do custo de vida. O deputado enfatizou a ausência de regulamentação específica que impeça a imposição desses sistemas de ensino e defendeu a possibilidade de reutilização de materiais didáticos, como forma de combater o desperdício e ampliar o acesso à educação de qualidade.

“Educação e saúde são hoje os maiores custos das famílias brasileiras. A falta de alternativa fere o direito de escolha e agrava a desigualdade no acesso ao ensino privado”, concluiu.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.