O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou nesta segunda-feira (22/09/2025) que aguarda um posicionamento público do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), sobre a PEC da Blindagem, aprovada na semana passada no Congresso Nacional com amplo apoio da bancada de seu partido.
Segundo Jerônimo, o silêncio do ex-prefeito de Salvador diante de um tema de alta relevância institucional representa um fator de omissão política.
“Espero que ele esclareça de que lado está. Se está a favor dessa PEC, que o partido dele apoia”, declarou o governador.
PEC da Blindagem e seus impactos
A chamada PEC da Blindagem altera regras de investigação contra parlamentares, estabelecendo que processos só possam ser abertos com autorização prévia da Câmara ou do Senado. A medida tem sido criticada por especialistas em direito constitucional e por setores da sociedade civil, que veem risco de impunidade e de enfraquecimento do controle externo sobre o Legislativo.
Na Bahia, o tema ganhou peso adicional, já que parte da bancada local do União Brasil votou a favor da proposta, reforçando o alinhamento da legenda à medida considerada polêmica.
Denúncias contra o presidente do União Brasil
Além da cobrança sobre a PEC, Jerônimo Rodrigues também mencionou as denúncias que atingem Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil. Investigações apontam Rueda como suposto dono oculto de jatos executivos usados para o transporte de integrantes de organizações criminosas dentro e fora do país.
Jerônimo classificou como contraditório que lideranças do União Brasil exijam “postura ética” nas redes sociais enquanto enfrentam acusações relacionadas ao cartel do crime organizado. A fala amplia a pressão política sobre ACM Neto, principal liderança da sigla na Bahia.
ACM Neto e o desafio da resposta política
Até o momento, ACM Neto não se pronunciou publicamente sobre a PEC da Blindagem ou sobre as denúncias contra Rueda. O silêncio gera especulações nos bastidores políticos, especialmente diante da possibilidade de Neto disputar novos cargos majoritários em 2026.
A cobrança do governador insere Neto no centro de uma disputa narrativa: de um lado, a defesa da imagem de independência e renovação política; de outro, o risco de ser associado a medidas e lideranças marcadas por denúncias graves.
Dilemas de lideranças
A cobrança de Jerônimo Rodrigues evidencia como a PEC da Blindagem e os casos envolvendo o União Brasil ultrapassam a esfera jurídica, convertendo-se em instrumento de disputa política regional. A ausência de manifestação de ACM Neto pode ser interpretada tanto como cálculo estratégico, preservando espaço de manobra, quanto como sinal de fragilidade diante das contradições internas de seu partido. O episódio ilustra os dilemas de lideranças que buscam projetar imagem nacional enquanto enfrentam pressões éticas e institucionais no plano local.











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