O Partido dos Trabalhadores (PT) lançou nesta semana uma nova campanha de comunicação nacional com o mote “Que país você quer?”, marcando o início de uma estratégia política voltada à reconstrução da imagem do governo Lula e à consolidação de uma narrativa de contraste direto com o legado do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação, que combina vídeos para TV e redes sociais, procura ressaltar conquistas sociais e econômicas do atual governo, contrapondo-as aos retrocessos vividos entre 2019 e 2022.
Comparação entre dois projetos de país
O vídeo principal da campanha utiliza imagens de manifestações bolsonaristas com bandeiras dos Estados Unidos para ilustrar o que o partido define como “dois Brasis”. De um lado, o “país que voltou ao mapa da fome” e defende privilégios para os super-ricos; de outro, o “Brasil que combate a desigualdade com comida na mesa, empregos e direitos”.
Na peça, o narrador questiona:
“Que país você quer? O que quer blindar políticos corruptos e que cometem crimes contra a democracia? Ou o que quer reduzir a escala de trabalho sem cortar salário? O país que mantém privilégios para os bilionários? Ou o que taxa quem é super-rico para zerar o imposto de quem ganha menos?”
O tom da mensagem, ainda que institucional, traz forte conotação eleitoral e mira o pleito de 2026. O partido busca reforçar a imagem de Lula como defensor dos trabalhadores, em contraposição ao que classifica como uma direita orientada à anistia, blindagem e impunidade.
Estratégia de reposicionamento da comunicação
Desde agosto à frente da Secretaria Nacional de Comunicação do PT, o baiano Éden Valadares vem coordenando uma mudança de foco na narrativa partidária. O objetivo é reverter a tendência de desgaste na opinião pública, sobretudo após o impacto político do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos ao Brasil e das sanções internacionais ao ministro Alexandre de Moraes, temas que têm influenciado a percepção popular sobre o governo.
Valadares afirmou que a nova estratégia busca “mudar a referência de comparação” no debate público.
“O Brasil irá às urnas em 2026 para decidir entre dois caminhos: o do PT, de Lula, da democracia e do combate às desigualdades e privilégios; ou o projeto da direita, que terá um candidato escolhido por um Bolsonaro preso e condenado”, declarou.
O dirigente também destacou que o partido quer “levar às telas e às redes os dois Brasis: o que defende o povo trabalhador e o que protege os poderosos”.
Repercussão e contexto político
A campanha surge em um momento de reorganização interna do PT e de crescente polarização nacional. Pesquisas recentes mostram recuperação parcial da aprovação de Lula, impulsionada por programas sociais e reajustes no salário mínimo, mas também apontam avanço de nomes da direita — especialmente Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas — nas projeções para 2026.
Analistas políticos observam que o partido aposta em ressignificar o debate público, relembrando conquistas econômicas e sociais da era petista, como redução da fome, ampliação do crédito e programas de habitação popular, em contraposição à crise e ao isolamento internacional durante o governo Bolsonaro.
Recompor o imaginário político
A nova campanha do PT representa uma tentativa de recompor o imaginário político nacional em torno de Lula e de seus símbolos históricos: o trabalho, a soberania e a inclusão social. A estratégia é clara — transformar a comparação com o bolsonarismo em eixo narrativo central da eleição de 2026. Contudo, o desafio é duplo: manter a coerência entre o discurso e a realidade econômica do país, ainda marcada por baixo crescimento e pressões fiscais, e reconquistar a confiança do eleitorado de centro, decisivo em um cenário de polarização persistente.











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