O deputado estadual Marcelino Galo (PT) voltou a cobrar na sexta-feira (17/10/2025) explicações públicas do prefeito Bruno Reis (União Brasil) sobre o financiamento de cursos de pós-graduação e doutorado de integrantes do alto escalão da Prefeitura de Salvador. O parlamentar levantou dúvidas sobre quem custeia o próprio doutorado do prefeito, realizado em Brasília, e questionou se há uso de recursos públicos para fins pessoais.
“Quem paga o doutorado que o prefeito Bruno Reis faz em Brasília? Será que também sai do bolso do contribuinte soteropolitano?”, declarou Galo, durante entrevista à imprensa.
Ele classificou o caso como parte de um suposto “bolsa-pistolão”, expressão usada para denunciar o que descreveu como um esquema de benefícios acadêmicos concedidos a aliados políticos.
Política de bolsas sob suspeita
Segundo o parlamentar, Salvador possui um dos IPTUs mais caros e desiguais do país, o que torna “inaceitável que o dinheiro do contribuinte financie privilégios acadêmicos de servidores de elite”. Marcelino Galo destacou que a Prefeitura deveria priorizar investimentos em áreas essenciais, como saúde, educação e saneamento, em vez de custear cursos de pós-graduação de alto valor para ocupantes de cargos de confiança.
O deputado citou como exemplo duas decisões judiciais recentes que atingiram diretamente o programa de capacitação de gestores municipais. A primeira envolveu a vice-prefeita Ana Paula Matos (PDT), que foi beneficiada com uma bolsa de cerca de R$ 203 mil para cursar doutorado na Fundação Dom Cabral, em Minas Gerais. A segunda se refere à secretária da Fazenda, Giovanna Victer, cujo curso de doutorado na Fundação Getulio Vargas (FGV), orçado em R$ 183 mil, teve o pagamento suspenso por decisão judicial.
Repercussão política e questionamentos éticos
Marcelino Galo afirmou que o programa de bolsas da Prefeitura teria se desvirtuado de sua finalidade original, transformando-se em um mecanismo de autopromoção pessoal de figuras políticas. Para o parlamentar, a gestão de Bruno Reis precisa esclarecer critérios, fontes de financiamento e resultados desses investimentos educacionais.
“Enquanto a população enfrenta filas em hospitais e escolas sem estrutura, o alto escalão cursa doutorado de luxo pago com o suor do trabalhador”, declarou.
O deputado também defendeu que a Câmara Municipal e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) apurem possíveis irregularidades no uso de recursos públicos em cursos de formação destinados a agentes políticos.
Contexto institucional
O debate sobre o custeio de cursos de pós-graduação para gestores públicos tem ganhado força em diversas capitais brasileiras. Embora a capacitação técnica de servidores seja prevista em normas administrativas, há limites legais e éticos para o financiamento de estudos em instituições privadas de alto custo, sobretudo quando envolve ocupantes de cargos eletivos.
No caso de Salvador, as decisões judiciais recentes indicam que o tema será acompanhado com maior rigor pelo Ministério Público e pelos órgãos de controle financeiro. O episódio reacende a discussão sobre transparência, moralidade administrativa e responsabilidade fiscal no uso de recursos públicos.










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