Sexta-feira (05/01/2026) — O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caminha para uma ampla reformulação ministerial a partir de abril, com a saída de quase metade dos ministros para disputar as eleições de 2026. A estratégia do Palácio do Planalto busca preservar a continuidade administrativa, evitar paralisia de obras e projetos e abrir espaço para secretários-executivos, considerados mais técnicos. No centro das articulações políticas está Rui Costa, que deve deixar a Casa Civil para concorrer ao Senado pela Bahia, integrando chapa liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues, ao lado do ex-governador e senador Jaques Wagner.
Mudanças em larga escala e cálculo político do Planalto
O presidente já admitiu publicamente que ao menos 18 ministros devem deixar o governo, número que pode chegar a 22. A orientação central é não interromper o ritmo de entregas em um ano-chave para a construção do ambiente eleitoral. Em dezembro, Lula afirmou que não impedirá as saídas, indicando compreensão do movimento natural de transição entre Executivo e disputa eleitoral.
A aposta do Planalto é promover os “números dois” — secretários-executivos das pastas — para manter estabilidade administrativa. O desenho reflete uma tentativa de separar gestão e campanha, reduzindo ruídos institucionais e preservando agendas estratégicas.
Fazenda e Justiça abrem a fila
Entre os primeiros a sair estão Fernando Haddad e Ricardo Lewandowski. Haddad já conversou com Lula sobre sua saída, prevista para fevereiro, e não pretende disputar eleição, embora setores do PT defendam sua candidatura em São Paulo. A tendência é que a Fazenda seja assumida pelo secretário-executivo Dario Durigan.
Lewandowski, por sua vez, indicou que cumpriu sua missão e deseja reduzir o ritmo de trabalho. A sucessão no Ministério da Justiça permanece em aberto.
Casa Civil e articulação política no Planalto
No núcleo do Planalto, as mudanças têm alto impacto político. Rui Costa deve deixar a Casa Civil para disputar o Senado pela Bahia, movimento que reorganiza a correlação de forças do PT no estado. A expectativa é que Miriam Belchior, ex-ministra do Planejamento, assuma a pasta.
Na Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann deve concorrer a novo mandato pelo Paraná. Entre os nomes cotados para substituí-la está o diplomata Marcelo Costa. Há ainda a possibilidade de Sidônio Palmeira deixar a Comunicação Social para comandar o marketing da campanha de reeleição.
Saídas fora do Planalto e destinos eleitorais
Fora do Planalto, a lista de ministros que devem sair inclui Marina Silva, Simone Tebet, Renan Filho, Silvio Costa Filho, Paulo Teixeira, Sonia Guajajara e Anielle Franco, entre outros.
Renan Filho é o único com planos claros de disputar um governo estadual, buscando retornar ao comando de Alagoas. Marina Silva e Simone Tebet avaliam candidaturas ao Senado, decisões que dependem diretamente do aval político de Lula e das composições partidárias em seus estados.
Solução caseira e ministérios estratégicos
A chamada “solução caseira” — promoção de secretários-executivos — tende a prevalecer, sobretudo em infraestrutura. Em Transportes, o nome mais citado é George Santoro; em Portos e Aeroportos, Tomé Franca.
Também são cogitadas as saídas de Camilo Santana, que pode tentar retornar ao governo do Ceará, e Alexandre Silveira, citado como possível candidato ao Senado por Minas Gerais.
Ajustes recentes e precedentes
Antes do fim de 2025, o Ministério do Turismo passou por mudança: Celso Sabino foi substituído por Gustavo Feliciano. Sabino busca legenda para concorrer ao Senado pelo Maranhão, ilustrando a antecipação do calendário eleitoral dentro da Esplanada.
Governo, eleições e risco de politização da máquina
A reforma ministerial projetada por Lula expõe a tensão clássica entre governabilidade e calendário eleitoral. A opção por promover secretários-executivos reduz descontinuidade, mas não elimina o risco de politização indireta da máquina pública, sobretudo em áreas com forte capilaridade orçamentária.
No caso da Bahia, a saída de Rui Costa para disputar o Senado reorganiza o tabuleiro petista, reforçando uma chapa robusta com Jerônimo Rodrigues e Jaques Wagner, mas também concentra poder político em um mesmo campo, o que exigirá vigilância institucional e escrutínio público.
Por fim, a amplitude das mudanças coloca à prova a capacidade do governo de manter foco administrativo enquanto a lógica eleitoral se impõe. A promessa de continuidade técnica será testada na prática, especialmente em um ano de pressão por resultados e popularidade.
*Com informações do jornal O Globo.
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