Com 91,86% das obras executadas, o Ramal do Salgado, empreendimento vinculado ao Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), avança para a fase final de implantação e tem entrada em operação prevista para 2026. A obra amplia o alcance da transposição das águas no Nordeste, com foco no Ceará, e integra a estratégia federal de segurança hídrica conduzida pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), beneficiando milhões de pessoas em regiões historicamente afetadas pela escassez de água.
Expansão do PISF e consolidação dos eixos estruturantes
O Projeto de Integração do Rio São Francisco opera atualmente por meio de dois grandes eixos. O Eixo Norte, com 260 quilômetros de extensão, atende cerca de 8,1 milhões de pessoas, enquanto o Eixo Leste, com 217 quilômetros, abastece aproximadamente 3,9 milhões nos estados de Pernambuco e Paraíba. Ambas as estruturas encontram-se em operação plena, permitindo a conexão com novos ramais complementares.
A lógica de expansão do PISF está centrada na capilarização da infraestrutura hídrica, de modo a alcançar áreas mais distantes dos eixos principais. Nesse contexto, os ramais assumem papel estratégico ao levar a água do São Francisco a bacias hidrográficas regionais, fortalecendo sistemas de abastecimento urbano e rural.
Segundo o MIDR, a operação integrada entre eixos e ramais representa uma mudança estrutural no enfrentamento das estiagens no semiárido, reduzindo a dependência de soluções emergenciais e ampliando a previsibilidade do abastecimento.
Ramal do Salgado: traçado, alcance e relevância regional
O Ramal do Salgado nasce no quilômetro 30 do Trecho IV do Ramal do Apodi, no município de Cachoeira dos Índios, na Paraíba, e segue até Lavras de Mangabeira, no Ceará, onde deságua no rio Salgado. Ao todo, o empreendimento possui 36 quilômetros de extensão.
A estrutura foi projetada para garantir abastecimento regular a 54 municípios cearenses, alcançando cerca de 4,7 milhões de habitantes, o que o coloca entre os ramais com maior impacto populacional dentro do PISF. O traçado atende áreas do Cariri, Sertão Central, Litoral Leste e Região Metropolitana de Fortaleza.
Para o MIDR, o Ramal do Salgado consolida uma nova etapa da política hídrica federal, ao integrar grandes centros urbanos e municípios do interior a uma fonte perene de água, com efeitos diretos sobre desenvolvimento econômico, saúde pública e resiliência climática.
Avanço físico e execução financeira da obra
Dados da Secretaria Nacional de Segurança Hídrica (SNSH) indicam que o Ramal do Salgado registra 31,66% de avanço físico e 30,94% de execução financeira no contrato em andamento. O ritmo de execução apresentou aceleração expressiva ao longo de 2025.
Em 2024, a obra havia encerrado o ano com 8,03% de avanço físico. Apenas em 2025, foram incorporados 23,77 pontos percentuais, evidenciando intensificação das frentes de trabalho e maior regularidade no fluxo de recursos.
O investimento total estimado é de R$ 357,85 milhões, valor destinado à implantação de estruturas hidráulicas, obras de arte especiais e sistemas de apoio viário e operacional.
Estrutura técnica e componentes do empreendimento
O Ramal do Salgado possui uma ficha técnica complexa, compatível com seu papel estratégico no sistema de transposição. Entre os principais componentes estão três aquedutos, totalizando 1.270 metros, além de um túnel com 760 metros de extensão.
O projeto inclui ainda oito rápidos, que somam 2.750 metros, mais de sete quilômetros de sistema viário, fundamental para operação e manutenção, e 200 metros de galerias. Essas estruturas asseguram a condução da água com controle hidráulico adequado e estabilidade operacional ao longo do percurso.
A concepção técnica priorizou soluções capazes de garantir eficiência energética, durabilidade e segurança, reduzindo perdas e assegurando regularidade no fornecimento às bacias receptoras.
Impacto no abastecimento urbano e regional
Com a entrada em operação, o Ramal do Salgado reforçará o abastecimento de importantes centros urbanos cearenses, incluindo a Região Metropolitana de Fortaleza e municípios estratégicos do interior. A expectativa é de aumento da segurança hídrica tanto para consumo humano quanto para usos produtivos e industriais.
O reforço no sistema de abastecimento também amplia a capacidade de gestão dos reservatórios estaduais, reduzindo a pressão sobre açudes locais em períodos de estiagem prolongada. Para o governo federal, o efeito combinado entre infraestrutura hídrica e planejamento regional tende a mitigar impactos socioeconômicos das secas cíclicas.
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