Deputado Zé Neto defende fim da escala 6×1 e propõe jornada 5×2 com 40 horas semanais sem redução salarial

Durante reunião conjunta das Frentes Parlamentares do Empreendedorismo e do Comércio realizada na quarta-feira (08/04/2026), o deputado federal Zé Neto (PT-BA) defendeu o fim da escala de trabalho 6×1 e a adoção de um modelo alternativo baseado na escala 5×2 com jornada de 40 horas semanais, sem redução salarial, como forma de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e estimular a economia. A proposta, segundo o parlamentar, busca equilibrar as demandas do setor produtivo com as transformações do mundo do trabalho e as necessidades sociais contemporâneas.

O parlamentar destacou que a substituição da escala 6×1 exige uma construção gradual e dialogada, capaz de contemplar diferentes setores da economia. Segundo ele, a adoção da escala 5×2 representa uma solução intermediária viável, diante das dificuldades estruturais de uma mudança mais radical, como a proposta de escala 4×3, que chegou a ganhar espaço no debate público, mas não avançou institucionalmente.

Zé Neto afirmou que a proposta visa reduzir a carga de trabalho sem comprometer a remuneração, criando condições para que os trabalhadores tenham mais tempo disponível para a vida pessoal, o convívio familiar e o lazer. Ao mesmo tempo, argumentou que essa reorganização pode contribuir para o aquecimento da economia, ao ampliar o consumo e dinamizar setores como comércio e serviços.

O deputado também enfatizou a necessidade de que a mudança seja construída por meio de convenções coletivas, permitindo ajustes conforme as especificidades de cada segmento produtivo, preservando a atividade econômica e a geração de empregos.

Impactos sociais e econômicos da redução da jornada

Durante sua intervenção, Zé Neto ressaltou que a atual escala 6×1 impõe uma rotina exaustiva, especialmente para trabalhadores que enfrentam jornadas prolongadas e pouco tempo de descanso. Para ele, o modelo atual não acompanha as transformações sociais e econômicas das últimas décadas.

O parlamentar destacou que a redução da jornada pode ter impactos positivos na organização social, permitindo maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Ele defendeu que o aumento do tempo livre tende a impulsionar atividades econômicas ligadas ao consumo, como comércio, serviços e lazer, criando um ciclo virtuoso de geração de renda.

Ao mesmo tempo, reconheceu que setores específicos, sobretudo micro e pequenos empreendedores, podem enfrentar dificuldades na adaptação ao novo modelo. Por isso, defendeu a necessidade de políticas de transição e mecanismos de compensação que garantam sustentabilidade econômica durante o processo de mudança.

Ênfase na desigualdade de gênero e dupla jornada

Um dos principais pontos abordados pelo deputado foi o impacto da escala 6×1 sobre as mulheres. Segundo ele, esse modelo de trabalho agrava a chamada dupla jornada, na qual muitas mulheres acumulam atividades profissionais e responsabilidades domésticas.

Zé Neto afirmou que as mulheres são as principais afetadas por esse sistema, enfrentando sobrecarga física e emocional, além de desigualdades históricas no mercado de trabalho. Para ele, a redução da jornada representa também uma medida de justiça social e equidade de gênero, ao permitir maior divisão de responsabilidades familiares e melhor qualidade de vida.

O parlamentar também mencionou que as mudanças no perfil das novas gerações e as transformações no mundo contemporâneo exigem uma revisão das relações de trabalho, com foco em bem-estar, produtividade e sustentabilidade social.

Debate institucional e articulação política

A proposta defendida por Zé Neto está alinhada com declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que também têm defendido a necessidade de revisar a jornada de trabalho no país.

Segundo o deputado, o desafio central é construir uma proposta que seja tecnicamente viável e politicamente consensual, capaz de atender às demandas dos trabalhadores sem comprometer a competitividade das empresas. Ele ressaltou a importância do diálogo com o setor produtivo e com representantes do comércio e da indústria.

A discussão ocorre em um contexto mais amplo de revisão das políticas trabalhistas, em que temas como produtividade, formalização do emprego e segurança jurídica também estão em pauta.

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