Governo da Bahia repassa R$ 140 milhões à Asseba, ligada a ex-diretor do Banco Master Augusto Lima, e Coaf aponta fluxo financeiro atípico e vínculos com empresas privadas

Informações reveladas neste sábado (11/04/2026) a partir de relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que o governo da Bahia destinou R$ 140,1 milhões à Associação dos Servidores da Saúde do Estado (Asseba), entidade ligada ao ex-diretor do Banco Master, Augusto Lima. Parte significativa dos valores foi posteriormente repassada a empresas vinculadas ao próprio executivo e à instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro, levantando suspeitas de irregularidades na movimentação dos recursos.

Os dados apontam que os repasses foram realizados por diferentes frentes do aparato estatal baiano. A Secretaria da Fazenda transferiu diretamente R$ 65 milhões, enquanto fundos de pensão de servidores públicos estaduais — incluindo o fundo de proteção social de policiais e bombeiros e o fundo previdenciário — contribuíram com R$ 74,1 milhões adicionais.

Ao todo, os valores transferidos à Asseba representam mais de 80% das receitas totais da entidade, que somaram R$ 168,7 milhões no período analisado. Além disso, duas empresas públicas estaduais realizaram pagamentos adicionais, ainda que de menor volume, totalizando R$ 150 mil.

Destinação dos valores e repasses subsequentes

De acordo com o relatório do Coaf, a Asseba direcionou R$ 101,3 milhões ao Banco Master e outros R$ 21,7 milhões a duas empresas privadas — Vida Serviços Administrativos e ACB Processamento de Dados — ambas com participação societária de Augusto Lima.

Outro ponto destacado é o pagamento de R$ 626,7 mil a um escritório de advocacia vinculado a um executivo do banco, identificado como André Kruschewsky.

O órgão de controle identificou indícios de movimentações financeiras incompatíveis com o faturamento declarado, incluindo operações caracterizadas por entrada e saída imediata de recursos, além de pagamentos a terceiros sem justificativa aparente.

Estrutura de controle e vínculos societários

A investigação também aponta que a Asseba é gerida pelo Instituto Terra Firme, fundado por Augusto Lima e atualmente administrado por sua esposa, Flávia Peres, ex-ministra da Secretaria de Governo durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Polícia Federal identificou ainda sobreposição de contatos institucionais entre a associação e empresas privadas do grupo Terra Firme. A Asseba utilizava o mesmo e-mail corporativo e contatos telefônicos da empresa Terra Firme da Bahia Ltda, reforçando a hipótese de interligação operacional entre as entidades.

Relação com o crédito consignado e o Credcesta

O Banco Master ampliou sua atuação no setor público baiano ao assumir o controle do Credcesta, programa de crédito consignado destinado a servidores públicos estaduais. A estatal foi privatizada pelo governo da Bahia, e a instituição financeira passou a operar empréstimos com desconto em folha.

Criado em 2018, o Credcesta tinha como objetivo inicial facilitar o acesso ao consumo para populações de baixa renda por meio de uma rede pública de supermercados. Com o tempo, expandiu suas atividades para operações de crédito, alcançando 24 estados e 176 municípios.

Na Bahia, o modelo mantém exclusividade até 2033, consolidando a presença do Banco Master no sistema de crédito consignado estadual. Augusto Lima foi identificado como um dos principais articuladores da negociação que resultou na transferência do controle da operação.

Ausência de posicionamento e apuração em curso

Procurada, a Asseba informou, por meio de representante, que não se manifestaria sobre o caso. Outros envolvidos citados no relatório também não foram localizados ou não responderam aos questionamentos até o momento.

O conteúdo do relatório do Coaf, acessado pelo jornal O Estado de S. Paulo, sustenta a existência de indícios de irregularidades financeiras, mas não configura, por si só, comprovação definitiva de ilícitos.


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