A crise envolvendo o chamado escândalo financeiro associado ao Banco Master ganhou novos contornos políticos, nesta terça-feira (17/03/2026), após declarações do deputado estadual Marcelino Galo (PT), que apontou a existência do nome do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, na agenda telefônica de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro preso por suspeitas de crimes financeiros. A informação, segundo o parlamentar, teria emergido no âmbito da CPMI do INSS, ampliando o debate sobre possíveis conexões políticas e financeiras.
De acordo com Galo, os novos elementos reforçam suspeitas já levantadas anteriormente, especialmente após a identificação de R$ 3,6 milhões oriundos do Banco Master e da empresa Reag em contas ligadas ao ex-prefeito, conforme dados revelados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O parlamentar sustenta que a sucessão de indícios torna mais difícil dissociar ACM Neto das investigações em curso.
Novos elementos ampliam controvérsia política
O deputado Marcelino Galo afirmou que a presença do nome de ACM Neto no celular de Daniel Vorcaro, aparelho apreendido pela Justiça, representa um novo fator de pressão no caso. Segundo ele, a informação foi apresentada durante discussões na CPMI do INSS, colegiado que apura irregularidades envolvendo o sistema previdenciário.
Em sua avaliação, o conjunto de dados — incluindo transferências financeiras e registros de contato — compõe um cenário que exige maior esclarecimento público. “Surge na CPMI do INSS a presença de ACM Neto no celular de Vorcaro”, afirmou o parlamentar ao comentar o avanço das apurações.
O caso ganhou relevância política adicional por envolver figuras de destaque no cenário baiano, especialmente no contexto de articulações para as eleições de 2026.
Transferências financeiras e dados do Coaf
As declarações do deputado também retomam informações anteriores relacionadas a movimentações financeiras. Segundo dados mencionados por Galo, valores que somam R$ 3,6 milhões, provenientes do Banco Master e da Reag, foram identificados em contas vinculadas ao ex-prefeito.
Essas transações teriam sido apontadas em relatórios do Coaf, órgão responsável por monitorar operações financeiras suspeitas. O parlamentar argumenta que tais registros, somados aos novos elementos, reforçam a necessidade de investigação aprofundada.
Até o momento, as explicações apresentadas por aliados de ACM Neto têm buscado contextualizar os pagamentos como decorrentes de serviços de consultoria. No entanto, o tema segue em disputa no campo político e jurídico.
Reação política e troca de acusações
O episódio também provocou reações entre lideranças políticas da Bahia. Marcelino Galo criticou a atuação de membros da oposição, afirmando que há tentativa de desviar o foco das informações apresentadas.
O deputado também ironizou declarações do prefeito de Salvador, Bruno Reis, que saiu em defesa de ACM Neto. Segundo Galo, a justificativa de que os valores recebidos estariam relacionados à manutenção pessoal do ex-prefeito não se sustentaria diante do patrimônio declarado.
De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ACM Neto possui patrimônio superior a R$ 41 milhões, informação citada pelo parlamentar para contestar os argumentos apresentados por seus aliados.
Contexto institucional: CPMI do INSS e investigações
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS tem como objetivo apurar possíveis irregularidades envolvendo o sistema previdenciário, incluindo fraudes, desvios de recursos e conexões com agentes públicos e privados.
A eventual inclusão de nomes de figuras políticas em documentos ou dispositivos apreendidos no curso das investigações amplia o alcance político da comissão, que passa a operar também como espaço de disputa narrativa entre governo e oposição.
Nesse cenário, o caso envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro ganha projeção nacional, sobretudo pela possibilidade de conexões com agentes políticos relevantes.







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