Dados do Painel do Relatório de Transparência Salarial, divulgados nesta segunda-feira (27/04/2026) pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pelo Ministério das Mulheres, indicaram que as mulheres ocupam 40,6% dos vínculos empregatícios em empresas com 100 ou mais funcionários na Bahia, totalizando 338,3 mil postos formais. Apesar do avanço na participação feminina — especialmente entre mulheres negras — o levantamento evidencia a persistência da desigualdade salarial, com rendimentos médios significativamente inferiores aos dos homens no estado.
Crescimento do emprego feminino e recorte racial
A Bahia contabilizava, em dezembro de 2025, 2.123 estabelecimentos de grande porte, responsáveis por 832,1 mil vínculos formais. Desse total, os homens ocupavam 493,8 mil postos, enquanto as mulheres respondiam por pouco mais de um terço do total.
Entre as mulheres empregadas, destaca-se a predominância de mulheres negras, que representam 84,8% dos vínculos femininos nesse segmento, o equivalente a 286,9 mil postos. Mulheres não negras somam 51,4 mil vínculos, correspondendo a 15,1%.
No cenário nacional, o crescimento da inserção feminina no mercado formal foi expressivo entre 2023 e 2025. O número de mulheres pretas e pardas empregadas em grandes empresas aumentou 29%, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões — mais de 1 milhão de novas contratações formais no período.
Desigualdade salarial permanece elevada
Apesar da expansão do emprego feminino, o relatório aponta que a disparidade salarial entre homens e mulheres continua estrutural. Na Bahia, a remuneração média das mulheres em empresas com mais de 100 empregados foi de R$ 2.842,22, enquanto os homens receberam, em média, R$ 3.567,60.
O recorte racial acentua ainda mais a desigualdade:
- Mulheres negras: R$ 2.645,93
- Mulheres não negras: R$ 3.989,63
- Homens negros: R$ 3.288,50
- Homens não negros: R$ 5.119,82
No plano nacional, mulheres receberam, em média, 21,3% a menos que os homens em 2025, percentual superior ao registrado em 2023 (20,7%). A diferença também se manifesta no momento da admissão, com mulheres ganhando 14,3% menos que homens.
Políticas de incentivo e inclusão no mercado de trabalho
O levantamento também apresenta dados sobre a adoção de políticas afirmativas nas empresas. Na Bahia, 25,6% dos estabelecimentos com mais de 100 empregados adotam algum tipo de incentivo à contratação de mulheres.
Entre as iniciativas registradas:
- 21,8% incentivam a contratação de mulheres negras
- 16,5% promovem inclusão de mulheres com deficiência
- 14,4% incluem políticas para mulheres LGBTQIAP+
- 4,7% direcionam ações para vítimas de violência doméstica
Esses números indicam uma ampliação gradual de políticas corporativas voltadas à diversidade, ainda que com alcance limitado.
Expansão do emprego formal e impacto econômico
Entre 2023 e 2025, o número de empresas com mais de 100 empregados no Brasil cresceu 5,5%, alcançando 53,5 mil estabelecimentos. No mesmo período, o total de empregos formais nesse segmento aumentou 7%, chegando a 19,3 milhões.
O relatório destaca ainda o impacto econômico da desigualdade salarial. Para que a remuneração feminina correspondesse à sua participação no mercado formal — atualmente em 41,4% — seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões por ano na massa salarial das mulheres. Esse ajuste elevaria em mais de 10% a renda total do país, indicando que a equidade salarial também representa um vetor de crescimento econômico.
Liderança feminina e desafios estruturais
O estudo aponta avanços na presença de mulheres em cargos de liderança. O número de empresas com mulheres em posições de gerência ou direção suficientes para análise de paridade salarial cresceu 12%, alcançando 13,7 mil estabelecimentos.
Ainda assim, a desigualdade tende a se intensificar em empresas de maior porte, onde os salários são mais elevados e a diferença remuneratória se amplia. Em organizações menores, a equivalência salarial na admissão chega a 90%, mas essa proporção diminui em estruturas mais complexas.
Autoridades que participaram da divulgação do relatório, como Márcia Lopes e Luiz Marinho, destacaram que a desigualdade vai além da remuneração, abrangendo também acesso a cargos, condições de trabalho e progressão na carreira.








Deixe um comentário