O Governo do Brasil oficializou na quarta-feira (29/04/2026)a aprovação do novo Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) para o período de 2026 a 2036, por meio de portaria interministerial publicada no Diário Oficial da União. A política pública, coordenada pelo Ministério da Cultura e pelo Ministério da Educação, estabelece metas para ampliar o acesso ao livro, fortalecer bibliotecas, formar leitores e impulsionar a cadeia produtiva editorial ao longo da próxima década, com atuação integrada entre União, estados, municípios e sociedade civil.
Estrutura e princípios do plano
O novo PNLL reconhece o livro como elemento estratégico da economia criativa e a leitura como instrumento fundamental de cidadania. Entre seus princípios, destacam-se:
- Promoção da diversidade cultural e linguística
- Combate às desigualdades sociais
- Direito universal à literatura
- Acessibilidade ao livro em múltiplos formatos
- Valorização da leitura como base do desenvolvimento humano e democrático
O documento também reforça a necessidade de consolidar o livro no imaginário coletivo, incentivar práticas de leitura no ambiente familiar e transformar as escolas em espaços centrais de formação de leitores.
Outro ponto relevante é a ênfase na erradicação do analfabetismo, na melhoria da qualidade da educação e na valorização dos profissionais do ensino, inserindo o plano em uma agenda mais ampla de desenvolvimento social e educacional.
Governança e articulação federativa
A implementação do plano será realizada por meio de cooperação entre os entes federativos, com participação ativa de órgãos públicos e da sociedade civil organizada. A governança inclui instâncias como:
- Conselho Diretivo
- Coordenação Executiva
- Conselho Consultivo do PNLL
Esses órgãos serão responsáveis por monitorar metas, avaliar resultados e propor ajustes ao longo da vigência do plano.
Além disso, estados e municípios deverão elaborar ou revisar seus próprios planos locais, alinhando-se às diretrizes nacionais e garantindo transparência e participação social em todas as etapas.
Quatro eixos estratégicos e metas centrais
Democratização do acesso ao livro
O primeiro eixo prevê ações estruturantes para ampliar o acesso, incluindo:
- Reabertura e modernização de bibliotecas públicas
- Garantia de pelo menos uma biblioteca por município
- Expansão de bibliotecas escolares
- Distribuição de 100 milhões de livros literários até 2035
- Criação de uma biblioteca digital pública e gratuita
O plano também prioriza territórios vulneráveis, comunidades indígenas, quilombolas e o sistema prisional.
Fomento à leitura e formação de mediadores
O segundo eixo estabelece metas para ampliar o hábito da leitura no país, com destaque para:
- Elevação do percentual de leitores de 47% para 55%
- Expansão de clubes de leitura
- Programas de incentivo em diferentes territórios
- Formação de mediadores de leitura
Há ainda incentivo à produção literária indígena e afro-brasileira, com foco na valorização da diversidade cultural.
Valorização institucional da leitura
O terceiro eixo propõe o fortalecimento institucional do setor, incluindo:
- Criação do Instituto Brasileiro do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas
- Instituição do Fundo Setorial do Livro e Leitura
- Implantação de indicadores nacionais, como o Índice de Qualificação das Bibliotecas Públicas
- Realização de edições da Semana Nacional do Livro e da Biblioteca
Também estão previstas campanhas permanentes de comunicação para estimular a leitura na sociedade.
Fortalecimento da cadeia produtiva
O quarto eixo aborda o desenvolvimento econômico do setor editorial, com medidas como:
- Apoio a pequenas e médias editoras e livrarias
- Incentivo à escrita criativa
- Ampliação da presença brasileira em feiras internacionais
- Estímulo à bibliodiversidade
O plano também prevê políticas voltadas à equidade regional, racial e de gênero na produção e circulação de livros.
Monitoramento e adaptação
O PNLL estabelece mecanismos contínuos de monitoramento e avaliação, com integração ao Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais. As metas poderão ser revisadas periodicamente para acompanhar transformações sociais, tecnológicas e culturais.
A execução detalhada das ações será definida em atos complementares dos ministérios responsáveis, conforme suas competências.











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