Deputado Robinson Almeida apresenta moção de repúdio ao presidente Donald Trump na ALBA e critica ameaça à soberania brasileira

O deputado estadual Robinson Almeida (PT), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), protocolou na sexta-feira (29/05/2026) uma moção de repúdio contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a decisão do governo norte-americano de designar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A iniciativa ocorre na mesma semana em que o deputado Leandro de Jesus (PL), aliado do bolsonarismo, apresentou na Casa Legislativa uma moção de aplausos ao líder norte-americano pela mesma medida.

No documento apresentado à ALBA, Robinson Almeida sustenta que a decisão dos Estados Unidos representa uma tentativa de interferência em assuntos internos do Brasil e pode abrir precedentes considerados perigosos para a soberania nacional.

O parlamentar afirma que o enfrentamento ao crime organizado é responsabilidade das instituições brasileiras e deve ocorrer por meio de políticas públicas, investigações, cooperação internacional regular e fortalecimento do Estado, sem submissão a medidas unilaterais de governos estrangeiros.

O governo Trump utiliza o discurso do combate ao terrorismo como instrumento político para ampliar sua influência internacional e pressionar países soberanos. O Brasil não pode aceitar qualquer tentativa de tutela estrangeira sobre suas instituições, suas leis e seu território”, declarou Robinson.

Decisão dos EUA ampliou debate político no Brasil

A controvérsia ganhou dimensão nacional após o governo dos Estados Unidos anunciar, em 28/05/2026, que passará a designar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, medida com entrada em vigor prevista para 05/06/2026.

A classificação foi apresentada por Washington como parte de uma estratégia de enfrentamento ao crime transnacional. No Brasil, porém, a medida passou a ser debatida sob duas perspectivas: de um lado, parlamentares de oposição ao governo federal defenderam a iniciativa como instrumento de pressão internacional contra facções criminosas; de outro, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apontaram risco de interferência externa em questões de segurança pública e soberania.

Na Bahia, o tema provocou reação direta na Assembleia Legislativa. Enquanto Leandro de Jesus (PL) protocolou moção de aplausos a Trump, Robinson Almeida apresentou manifestação em sentido oposto, classificando a decisão norte-americana como politicamente motivada e incompatível com o princípio de autodeterminação dos Estados.

Robinson vê estratégia de pressão geopolítica

Para o deputado petista, a decisão de Washington não pode ser analisada apenas no campo da segurança pública. Robinson afirma que a medida estaria inserida em uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos para preservar sua influência global diante das mudanças na correlação de forças internacionais, especialmente com o crescimento econômico e geopolítico da China.

Os Estados Unidos tentam manter sua posição dominante a qualquer custo. Vemos isso nas guerras e intervenções promovidas pelo governo americano em diversas partes do mundo e agora em iniciativas que buscam criar mecanismos para interferir em países latino-americanos. O discurso do combate ao terrorismo não pode ser transformado em instrumento de violação da soberania nacional”, afirmou Robinson.

A avaliação do parlamentar coloca o episódio dentro de uma disputa diplomática mais ampla, na qual temas como segurança, crime organizado, comércio internacional, influência militar e relações com países latino-americanos passam a ser tratados como instrumentos de pressão política.

Críticas aos filhos de Jair Bolsonaro

Robinson Almeida também criticou a participação dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, na articulação política junto ao governo norte-americano.

Segundo o parlamentar, a atuação de agentes políticos brasileiros em busca de apoio estrangeiro para influenciar temas internos do país é grave e exige reação institucional.

É muito grave que agentes políticos brasileiros busquem apoio estrangeiro para interferir em questões internas do país. A história mostra que o Brasil já sofreu consequências de intervenções externas em momentos decisivos da sua história. Não podemos aceitar qualquer tentativa de manipulação política patrocinada por interesses internacionais”, declarou.

A crítica se insere no embate entre governistas e bolsonaristas em torno da política externa brasileira, da relação com os Estados Unidos e da condução das políticas de segurança pública.

Cooperação internacional é defendida, mas com limites

Apesar das críticas à medida norte-americana, Robinson Almeida afirmou que o Brasil deve manter cooperação internacional no combate ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e ao crime transnacional. Para o deputado, o ponto central da controvérsia está nos limites dessa cooperação.

O Brasil deve cooperar com todos os países no combate ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e ao crime transnacional. Mas cooperação não significa submissão. Nenhum país tem o direito de utilizar sua força econômica ou militar para impor decisões sobre outro Estado soberano”, afirmou.

O parlamentar também elogiou a postura do presidente Lula, a quem atribuiu a defesa da soberania brasileira diante da pressão externa.

O Brasil é uma nação soberana e o presidente Lula age com altivez ao defender os interesses do nosso país. Não somos quintal dos EUA, não somos colônia americana, e, ao contrário dos Bolsonaros, não somos vassalos de Trump”, declarou Robinson.

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