Senador Jaques Wagner critica ACM Neto em plenária do PGP em Ipirá e defende vitória “sem humilhar ninguém”

O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do Governo Lula no Senado, criticou neste domingo (07/06/2026), em Ipirá, declarações atribuídas ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto durante a Plenária Territorial do Programa de Governo Participativo (PGP) do Território Bacia do Jacuípe, evento que reuniu o governador Jerônimo Rodrigues (PT-BA), o ex-ministro Rui Costa (PT-BA), o senador Otto Alencar (PSD-BA), deputados, prefeitos, vereadores e lideranças políticas regionais para discutir propostas destinadas à elaboração do próximo programa de governo na Bahia.

Durante o discurso, Wagner afirmou que a disputa eleitoral deve ser conduzida sem ataques pessoais ou tentativa de desqualificação pública de adversários. A crítica foi direcionada a uma fala atribuída a ACM Neto, segundo a qual o ex-prefeito teria manifestado intenção de “humilhar” o governador da Bahia.

Alguém que lidera um grupo político e se expressa dizendo: ‘eu quero humilhar o governador da minha terra’, me perdoe, essa pessoa não presta. Eu quero ganhar a eleição, com Jerônimo e Lula, mas não quero humilhar ninguém. Ele que siga o caminho dele”, declarou o senador.

A manifestação ocorreu em meio à intensificação do debate político na Bahia, num ambiente já marcado pela antecipação das articulações para as eleições de 2026. Ao formular a crítica, Wagner buscou contrapor a estratégia discursiva da oposição ao modelo de mobilização política apresentado pelo grupo governista durante a plenária territorial.

Senador defende papel de prefeitos, vereadores e lideranças municipais

Além da crítica direta ao adversário político, Wagner também comentou declarações relacionadas ao papel dos prefeitos na organização política e administrativa dos municípios. O senador afirmou considerar inadequada qualquer sinalização de distanciamento em relação aos gestores municipais.

Eu fico triste de ver alguém que foi prefeito falar por aí que não precisa de prefeito. Realmente, se o cara não entende isso, algo está errado na cabeça dele. Mas tudo bem, cada um fala o que quer”, disse.

Na sequência, o senador valorizou a atuação de prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e vereadoras, classificando esses agentes públicos como figuras centrais no atendimento cotidiano da população. Para Wagner, a política municipal ocupa posição estratégica porque é no município que as demandas sociais chegam primeiro às autoridades.

Considero prefeitos, prefeitas, ex-prefeitos, ex-prefeitas, vereadores e vereadoras os verdadeiros heróis da política. Quando a coisa aperta, não dá para bater na porta do presidente, do governador, mas, na porta do vereador, do prefeito, a gente bate logo de manhã para pedir socorro. Então, minha homenagem a todos vocês”, afirmou.

PGP reúne lideranças da Bacia do Jacuípe em Ipirá

A plenária territorial do PGP da Bacia do Jacuípe reuniu representantes políticos de diferentes municípios da região. O evento contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues, do ex-ministro e pré-candidato ao Senado Rui Costa, do senador Otto Alencar, além de deputados federais, deputados estaduais, prefeitos, prefeitas e demais lideranças locais.

O encontro integrou a agenda de escuta territorial voltada à formulação de propostas para o próximo programa de governo. Segundo Wagner, a metodologia adotada busca aproximar a elaboração programática das necessidades concretas apresentadas pela população e pelas lideranças regionais.

O senador afirmou que a iniciativa é inspirada no método político associado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem se referiu como uma influência pessoal e política de longa data. “Muito feliz em levarmos para os territórios essa metodologia que é inspirada no modo de governar do presidente Lula, de quem sou amigo há 48 anos e que pra mim é uma grande inspiração”, declarou.

Mais de 10 mil propostas teriam sido apresentadas ao programa

Ao comentar o andamento do processo participativo, Wagner informou que mais de 10 mil propostas já haviam sido recebidas pela equipe responsável pela construção do programa de governo. O dado foi apresentado como indicativo de adesão popular à metodologia de escuta territorial.

“Esse método é um respeito a vocês, estamos aqui para ouvir quais são as prioridades de vocês”, afirmou o senador, ao defender a participação popular como elemento estruturante da formulação de políticas públicas.

A fala reforçou o papel político do PGP como instrumento de mobilização eleitoral, mas também como mecanismo de coleta de demandas locais. No caso da Bacia do Jacuípe, a expectativa é que as contribuições apresentadas por lideranças e moradores subsidiem propostas voltadas a áreas como infraestrutura, saúde, educação, desenvolvimento regional, assistência social e fortalecimento da gestão municipal.

Disputa eleitoral aparece no centro do discurso governista

Embora a plenária tenha sido apresentada como espaço de escuta e formulação programática, o discurso de Wagner evidenciou a dimensão eleitoral do encontro. Ao mencionar a intenção de “ganhar a eleição” ao lado de Jerônimo Rodrigues e Lula, o senador enquadrou o evento no contexto da reorganização das forças políticas para 2026.

A presença simultânea de Jerônimo Rodrigues, Rui Costa, Otto Alencar e Jaques Wagner também sinalizou a tentativa de demonstrar unidade no campo governista. A composição do palanque, com lideranças estaduais e nacionais, reforçou a centralidade da Bahia no tabuleiro político do PT e de seus aliados.

A crítica a ACM Neto, por sua vez, mostra que a disputa estadual tende a manter tom elevado. Mesmo sem anúncio formal de candidaturas para todos os cargos em disputa, as declarações públicas já indicam movimentos de demarcação de território político, disputa narrativa e busca por aproximação com prefeitos e lideranças municipais.

Municipalismo ganha peso na estratégia política

Ao defender prefeitos e vereadores, Wagner buscou reforçar uma mensagem de valorização do municipalismo. Essa estratégia tem relevância eleitoral porque os gestores locais exercem influência direta sobre a organização política nos territórios, especialmente em municípios de pequeno e médio porte.

Na Bahia, onde a capilaridade política depende fortemente das alianças municipais, a relação com prefeitos, ex-prefeitos e vereadores costuma ser decisiva para a construção de palanques regionais. A fala do senador procurou apresentar o grupo governista como sensível às demandas locais e atento à importância dos agentes públicos que atuam mais próximos da população.

O discurso também teve função de contraste político. Ao afirmar que prefeitos e vereadores são os “verdadeiros heróis da política”, Wagner procurou vincular o PGP a uma lógica de escuta territorial e, ao mesmo tempo, atribuir à oposição uma postura de distanciamento em relação às lideranças municipais.


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