Fernando Haddad escolhe Márcio França como vice em São Paulo e terá Tebet e Marina na disputa ao Senado

O pré-candidato do PT ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, definiu nesta quinta-feira (25/06/2026) Márcio França (PSB) como vice de sua chapa, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada, em Brasília. A composição também prevê as candidaturas de Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) ao Senado por São Paulo, em uma articulação considerada estratégica para o projeto de reeleição de Lula e para a disputa no maior colégio eleitoral do país, onde o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) busca manter a hegemonia política construída em 2022.

Reunião no Alvorada consolida chapa governista em São Paulo

A decisão foi tomada após encontro realizado na quarta-feira, 24/06/2026, no Palácio da Alvorada. Além de Lula e Haddad, participaram da reunião o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o presidente nacional do PSB, João Campos.

No encontro, os nomes de Márcio França, Simone Tebet e Marina Silva foram apresentados como alternativas para a vaga de vice. Após a reunião, Haddad informou publicamente que os três se colocaram à disposição para compor a chapa e que faria a escolha no dia seguinte.

A opção por França encerra uma etapa relevante da negociação entre PT, PSB e Rede em São Paulo. O ex-governador passa a ocupar a posição de companheiro de chapa de Haddad, enquanto Tebet e Marina assumem a disputa pelas duas vagas ao Senado, formando uma aliança com presença de nomes nacionais e perfil político heterogêneo.

Márcio França prevalece pela experiência estadual

A escolha de Márcio França foi associada à sua experiência política em São Paulo. Ex-governador do estado em 2018, ele é visto por aliados de Lula como um nome com maior conhecimento do território paulista e capacidade de atuação direta no confronto político com Tarcísio de Freitas.

França havia tentado articular, entre aliados do presidente, a possibilidade de disputar o Governo de São Paulo. O argumento era evitar uma eleição concentrada apenas entre Haddad e Tarcísio, cenário que poderia favorecer a definição da disputa estadual ainda no primeiro turno.

A tese, no entanto, foi rejeitada por lideranças petistas. A avaliação do PT foi a de que dois palanques vinculados a Lula poderiam confundir o eleitorado e dividir votos no campo governista, enfraquecendo a candidatura de Haddad no momento inicial da campanha.

Tebet e Marina reforçam disputa pelo Senado

Com a definição de França como vice, Simone Tebet e Marina Silva foram deslocadas para a disputa ao Senado por São Paulo. Ambas têm trajetórias políticas consolidadas fora do estado, mas transferiram domicílio eleitoral para a capital paulista antes da composição da chapa.

Tebet foi senadora por Mato Grosso do Sul, disputou a Presidência da República em 2022 pelo MDB e, posteriormente, aproximou-se da base de Lula. No novo arranjo, filiada ao PSB, tenta retornar ao Senado como parte da aliança governista em São Paulo.

Marina Silva, filiada à Rede, foi senadora pelo Acre por dois mandatos e concorreu à Presidência em 2010, 2014 e 2018. Em 2022, reconciliou-se politicamente com Lula, apoiou o petista na disputa contra Jair Bolsonaro e foi eleita deputada federal por São Paulo, antes de assumir novamente o Ministério do Meio Ambiente.

São Paulo ocupa posição central na estratégia de Lula

A eleição paulista é tratada como prioridade pela coordenação política de Lula. O diagnóstico da pré-campanha presidencial é que o desempenho no estado precisa alcançar, no mínimo, patamar semelhante ao registrado em 2022, quando Lula obteve 44,77% dos votos válidos no segundo turno presidencial em São Paulo.

O estado reúne o maior eleitorado do país, concentra peso econômico nacional e costuma exercer influência política direta sobre a disputa presidencial. Por isso, a composição da chapa de Haddad não se limita à eleição estadual: ela integra a estratégia nacional da base governista.

Em 2022, Haddad perdeu a eleição para Tarcísio de Freitas no segundo turno. No primeiro turno daquele pleito, o petista obteve 35,70% dos votos válidos, enquanto Tarcísio avançou em primeiro lugar. O objetivo do PT, agora, é ampliar a votação de Haddad já na etapa inicial da eleição estadual e, com isso, reforçar simultaneamente o desempenho de Lula em São Paulo.

Desistências reduzem campo competitivo e aumentam polarização

A retirada de candidaturas como as de Kim Kataguiri e Paulo Serra alterou o ambiente político paulista e fortaleceu a percepção de que a disputa pelo Governo de São Paulo poderá ficar concentrada em Haddad e Tarcísio.

Esse cenário aumenta a pressão sobre a chapa governista. Para aliados de Lula, uma votação expressiva de Haddad no primeiro turno poderia produzir efeito positivo sobre a campanha presidencial. Por outro lado, caso a eleição estadual seja encerrada nessa etapa, Lula poderia ficar sem um cabo eleitoral competitivo em atividade no segundo turno nacional dentro do maior colégio eleitoral brasileiro.

A composição com França, Tebet e Marina busca responder a essa tensão. O arranjo procura reunir experiência administrativa, capilaridade partidária, presença feminina, discurso ambiental e amplitude política, elementos considerados relevantes para disputar segmentos diferentes do eleitorado paulista.

Chapa tenta combinar PT, PSB e Rede

A formação da aliança também revela a tentativa de organizar o campo governista em torno de três partidos: PT, PSB e Rede. Haddad representa o núcleo petista, França amplia a participação socialista na chapa majoritária e Marina incorpora a pauta ambiental e uma trajetória política própria, vinculada a temas socioambientais e institucionais.

Tebet, por sua vez, agrega ao palanque uma imagem associada ao centro político e à campanha presidencial de 2022, quando se apresentou como alternativa à polarização antes de apoiar Lula no segundo turno. Sua presença no Senado pode ser explorada pela campanha como sinal de abertura para setores moderados.

Composição define palanque, mas disputa dependerá de território, campanha e formalização partidária

A escolha de Márcio França como vice de Fernando Haddad e a indicação de Simone Tebet e Marina Silva ao Senado consolidam o principal movimento da base de Lula em São Paulo nas Eleições 2026. A chapa busca unir experiência, amplitude política e presença nacional em um estado decisivo para a disputa presidencial e para o equilíbrio de forças no Congresso.


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