O deputado estadual Robinson Almeida (PT) cobrou, nesta terça-feira (14/07/2026), explicações do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) e do atual chefe do Executivo municipal, Bruno Reis (União Brasil), após uma operação do Ministério Público do Estado da Bahia investigar a atuação de uma suposta organização criminosa em contratos da Prefeitura de Salvador. A apuração conduzida pelo Gaeco aponta possíveis fraudes em licitações, superfaturamento, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro, com prejuízo estimado em R$ 38,3 milhões, além do afastamento cautelar de agentes públicos. ssocia investigação à continuidade do grupo político
A manifestação do parlamentar ocorreu um dia após o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra empresários, servidores, o vereador licenciado George Carlos Reis Pereira, conhecido como Gordinho da Favela (PP), e o secretário municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro, Luciano Ricardo Gomes Sandes.
Robinson afirmou que a permanência de Sandes em funções estratégicas da administração municipal desde o primeiro mandato de ACM Neto amplia a necessidade de esclarecimentos políticos e administrativos. O secretário ingressou na estrutura da Prefeitura em 2013, passou por áreas relacionadas à infraestrutura e à manutenção urbana e permaneceu no primeiro escalão durante a gestão de Bruno Reis. rata de um gestor recém-chegado, mas de alguém que atravessou sucessivas gestões do mesmo grupo político”**, declarou Robinson.
Para o deputado, a trajetória do auxiliar municipal impede que as suspeitas sejam apresentadas apenas como acontecimentos pontuais ou desvinculados da estrutura administrativa construída nas duas gestões.
Gaeco apura atuação de três núcleos
De acordo com informações extraídas da decisão da 3ª Vara das Garantias de Salvador, a organização investigada teria funcionado por aproximadamente dez anos, especialmente em contratos relacionados à Secretaria Municipal de Manutenção da Cidade e à Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador.
A estrutura teria sido dividida em três segmentos: um núcleo empresarial, responsável pela participação em licitações; um núcleo operacional, encarregado da circulação dos recursos; e um núcleo formado por agentes públicos, que supostamente atuaria na entrada e na permanência das empresas nos contratos municipais.
O empresário Lázaro de Carvalho Nunes é apontado pelo Ministério Público como possível líder do grupo empresarial. Segundo a investigação, um conglomerado composto pelas empresas G3 Polaris Serviços, MP2 Construções, LN Distribuidora, Podium Distribuidora e WLSP Logística teria sido utilizado alternadamente para simular concorrência e conferir aparência de regularidade aos procedimentos licitatórios. As empresas e os investigados ainda poderão contestar as acusações no curso do processo. e aditivos estão sob análise
Entre os procedimentos examinados está o Pregão Eletrônico nº 25/2018, da Secretaria Municipal de Manutenção. O contrato, inicialmente firmado por R$ 8,9 milhões, teria alcançado aproximadamente R$ 15,2 milhões após aditivos.
Outro contrato investigado foi celebrado pela Desal, em 2020, para o fornecimento de grama sintética. O valor teria passado de cerca de R$ 434 mil para mais de R$ 1,4 milhão.
A investigação também menciona transferências no valor total de R$ 118,5 mil supostamente destinadas a um fiscal de contratos. Caberá ao Ministério Público demonstrar a origem, a finalidade e a eventual relação desses pagamentos com decisões administrativas ou contratuais. termina afastamentos e bloqueio patrimonial
A juíza Martha Carneiro Terrin e Souza determinou o afastamento cautelar de Luciano Sandes e a suspensão do exercício do mandato de Gordinho da Favela. Outros servidores citados na investigação também foram afastados de suas funções.
A magistrada autorizou buscas em aproximadamente 20 endereços, o acesso a aparelhos eletrônicos e serviços de armazenamento digital, a proibição de contato entre investigados e o bloqueio de bens até o limite de R$ 38.321.127,95, montante calculado como possível prejuízo ao patrimônio público.
O Ministério Público havia solicitado a prisão preventiva de seis investigados. A Justiça, entretanto, considerou que os afastamentos funcionais, as restrições patrimoniais e as demais medidas cautelares seriam suficientes nesta fase da apuração. ossuem caráter cautelar e não representam condenação. A responsabilização criminal dependerá da comprovação individualizada da autoria, da materialidade e do elemento subjetivo de cada conduta, com observância do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência.
Luciano Sandes é apontado como ligação entre contratos e gestão pública
Segundo os elementos divulgados da investigação, Sandes teria facilitado a entrada e a permanência das empresas investigadas em contratos municipais, além de exercer influência sobre liberações de pagamentos e aditivos.
O secretário ocupou funções relacionadas à manutenção da infraestrutura entre 2013 e 2020. Na gestão Bruno Reis, assumiu o comando da Secretaria Municipal de Manutenção e, posteriormente, foi transferido para a Secretaria Municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro. gestor pelas áreas responsáveis pelos contratos investigados constitui um dos fundamentos da cobrança apresentada por Robinson. A trajetória administrativa, porém, não comprova, isoladamente, participação em ilegalidades. A eventual responsabilidade dependerá da análise de documentos, mensagens, movimentações financeiras e decisões administrativas.
Prefeitura anuncia procedimento administrativo
Em nota divulgada após a operação, a Prefeitura de Salvador informou que cumprirá as determinações judiciais e colaborará com as investigações conduzidas pelo Ministério Público da Bahia.
“A Prefeitura de Salvador informa que irá cumprir a determinação judicial e que vai colaborar com as investigações conduzidas pelo Ministério Público do Estado da Bahia.”
A administração municipal também anunciou a abertura de um procedimento administrativo para verificar se houve dano ao erário nos fatos examinados pelo Gaeco. rá avaliar contratos, medições, pagamentos, aditivos, pareceres técnicos e a atuação dos servidores responsáveis pela fiscalização. O resultado do procedimento poderá subsidiar medidas disciplinares, ações de ressarcimento e a revisão de mecanismos internos de controle.
Deputado menciona Operação Overclean
Ao ampliar a cobrança política, Robinson Almeida citou a Operação Overclean, investigação distinta conduzida pela Polícia Federal, pela Controladoria-Geral da União, pelo Ministério Público Federal e pela Receita Federal.
Deflagrada inicialmente em dezembro de 2024, a Overclean apura supostas fraudes em licitações, desvios de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro em contratos relacionados ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. As autoridades estimaram que o grupo investigado teria movimentado aproximadamente R$ 1,4 bilhão por meio de contratos suspeitos e obras superfaturadas. stigados está o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, apontado como figura central da organização investigada e proprietário de empresas com atuação no setor de limpeza urbana.
Robinson mencionou publicamente a proximidade pessoal e política entre Moura e ACM Neto como elemento que, na avaliação do parlamentar, reforça a necessidade de o ex-prefeito se manifestar. Essa relação, entretanto, não representa prova de participação de Neto nos fatos examinados pela Polícia Federal.
Parlamentar cobra responsabilidade política e administrativa
Para Robinson, a sucessão de investigações envolvendo agentes, empresas e estruturas relacionadas à administração de Salvador exige respostas dos dirigentes que comandaram o Município desde 2013.
“São sucessivas operações que lançam dúvidas sobre a forma como a máquina municipal vem sendo conduzida. ACM Neto e Bruno Reis precisam prestar contas à sociedade e explicar por que tantos auxiliares e estruturas da prefeitura aparecem no radar das investigações.”
O deputado também relacionou o episódio ao projeto eleitoral de ACM Neto para o Governo da Bahia. Segundo Robinson, um eventual candidato ao Executivo estadual deve explicar previamente as suspeitas surgidas em estruturas administrativas formadas ou mantidas durante sua gestão municipal.
ACM Neto e Bruno Reis não são apontados como investigados na operação do Gaeco que alcançou Luciano Sandes e Gordinho da Favela. A cobrança apresentada pelo deputado situa-se, portanto, no campo da responsabilidade política e administrativa, e não corresponde a uma acusação criminal formal contra os dois dirigentes.








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