Neste sábado, 25/07/2026, durante a plenária do Programa de Governo Participativo (PGP) 2026 – Encontros para o Futuro, realizada em Valença, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, defendeu a elaboração de um planejamento territorial destinado a preparar os 15 municípios do Baixo Sul para as transformações econômicas, urbanas e sociais associadas à construção da Ponte Salvador–Itaparica. O encontro reuniu prefeitos, lideranças políticas, representantes de movimentos sociais e integrantes da sociedade civil, em um contexto no qual o Governo da Bahia informa ter investido R$ 870,7 milhões no território desde o início da atual gestão.
Ponte Salvador–Itaparica amplia debate sobre o futuro do Baixo Sul
A avaliação apresentada durante o PGP é de que a implantação da ponte não deve ser tratada apenas como uma intervenção de engenharia ou mobilidade. Pela dimensão do empreendimento, a nova ligação entre Salvador e a Ilha de Itaparica poderá modificar fluxos de transporte, estimular investimentos privados e ampliar a circulação de pessoas, mercadorias e serviços entre a capital, o Recôncavo, o Baixo Sul e outras regiões baianas.
Jerônimo Rodrigues afirmou que o período de construção precisa ser utilizado para organizar o território, qualificar trabalhadores, fortalecer os setores produtivos e preparar os municípios para uma possível expansão das atividades ligadas ao turismo, à indústria, ao comércio e à prestação de serviços.
“Precisamos discutir o que nós estamos fazendo para além da ponte. Não estou falando da ponte concreta. Nós temos que nos preparar para receber o que virá de bom: emprego, indústria, comércio e turismo, mas também para os desafios. Quero, junto com o consórcio e o colegiado territorial, discutir esse futuro assim que passar esse período eleitoral”, afirmou Jerônimo Rodrigues.
A declaração introduz no debate regional uma preocupação que ultrapassa a execução física do empreendimento. O crescimento da circulação econômica poderá exigir ampliação da infraestrutura urbana, atualização dos planos diretores, ordenamento da ocupação territorial, preservação ambiental e expansão de serviços públicos essenciais.
PGP reúne representantes dos 15 municípios do território
A plenária realizada em Valença reuniu representantes de Aratuípe, Cairu, Camamu, Gandu, Ibirapitanga, Igrapiúna, Ituberá, Jaguaripe, Nilo Peçanha, Piraí do Norte, Presidente Tancredo Neves, Taperoá, Teolândia, Valença e Wenceslau Guimarães, municípios que formam oficialmente o Território de Identidade Baixo Sul.
Durante o encontro, o governador convocou a população a utilizar o PGP para indicar as prioridades regionais que deverão orientar a elaboração das políticas públicas e dos futuros programas governamentais. Entre as principais demandas mencionadas estão abastecimento de água, saneamento básico, infraestrutura urbana, mobilidade, saúde, educação e desenvolvimento econômico.
A metodologia do programa busca reunir propostas formuladas diretamente nos territórios, permitindo que moradores, organizações sociais, gestores municipais e representantes dos setores produtivos participem da definição das ações consideradas prioritárias para os próximos anos.
O objetivo declarado é evitar que decisões relacionadas ao desenvolvimento regional sejam concentradas exclusivamente na administração estadual. As demandas apresentadas durante as plenárias deverão ser sistematizadas e analisadas pelos responsáveis pela elaboração do programa de governo.
Participação social é defendida como instrumento de inclusão
Representando os movimentos sociais, Roberta Gonzaga afirmou que o PGP amplia a presença de segmentos historicamente afastados dos processos decisórios e contribui para aproximar as políticas públicas das necessidades concretas das comunidades.
“Quando a sociedade civil se organiza, o governo consegue nos ver mais ainda. Esse espaço também é nosso e precisa ser ocupado por nós. As políticas públicas têm levado dignidade às comunidades, fortalecido a agricultura familiar, gerado emprego, renda e mostrado que quem historicamente esteve esquecido também pode ocupar esses espaços”, declarou.
A participação de organizações comunitárias, associações rurais, movimentos de mulheres, trabalhadores, juventudes e representantes de povos e comunidades tradicionais também amplia o conjunto de temas submetidos ao planejamento governamental.
No Baixo Sul, essa diversidade social está relacionada a uma economia que reúne agricultura familiar, cacauicultura, produção de dendê, pesca, comércio, serviços e atividades turísticas. A preparação para os efeitos da ponte, portanto, dependerá da capacidade de conciliar expansão econômica, inclusão produtiva e preservação dos recursos naturais.
Gestão estadual informa R$ 870,7 milhões em investimentos
Segundo os dados apresentados durante a plenária, a gestão do governador Jerônimo Rodrigues já destinou R$ 870,7 milhões aos 15 municípios do Baixo Sul. Os recursos abrangem projetos e obras nas áreas de saúde, educação, infraestrutura, mobilidade, desenvolvimento rural, segurança pública e abastecimento de água.
O montante inclui intervenções executadas diretamente pelas secretarias estaduais, empresas públicas e autarquias, além de parcerias com o Governo Federal e administrações municipais. Parte dos investimentos está concentrada em equipamentos de alcance regional, destinados a atender moradores de diferentes cidades.
Somente em Valença, sede da plenária, os investimentos informados ultrapassam R$ 260 milhões. O município exerce papel estratégico no território por concentrar serviços públicos, atividades comerciais, equipamentos de saúde e conexões rodoviárias e marítimas utilizadas pela população do Baixo Sul.
Entre os principais projetos em execução está o Hospital e Maternidade Regional Costa do Dendê, empreendimento com investimento informado de R$ 154,5 milhões durante o encontro. A unidade está sendo construída no bairro da Jaqueira, em Valença, e deverá funcionar como referência regional em atendimentos hospitalares e materno-infantis.
Hospital regional terá 255 leitos em Valença
O projeto do Hospital e Maternidade Regional Costa do Dendê prevê 255 leitos, incluindo unidades de terapia intensiva adulta e neonatal, serviços de urgência e emergência, internações adulta e pediátrica, diagnóstico por imagem e centros cirúrgico e obstétrico.
O complexo terá mais de 22 mil metros quadrados de área construída, com duas edificações interligadas. Também estão previstos quartos de pré-parto, parto e pós-parto, Casa da Gestante, Bebê e Puérpera, Banco de Leite Humano e estruturas destinadas ao atendimento de gestantes, recém-nascidos e pacientes de média e alta complexidade.
Em maio de 2026, a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia informou que a obra havia alcançado aproximadamente 12% de execução, após a conclusão de parte das fundações. A previsão apresentada pelo órgão estadual é finalizar a etapa de construção no primeiro semestre de 2027.
A implantação do hospital busca reduzir a necessidade de deslocamentos para outras regiões da Bahia em busca de atendimentos especializados. O equipamento integra uma estratégia de regionalização dos serviços de saúde e de fortalecimento da rede pública no Baixo Sul.
Água, saneamento e infraestrutura aparecem entre prioridades
Durante a plenária, Jerônimo Rodrigues destacou que os municípios precisam apresentar suas principais necessidades nas áreas de abastecimento de água e saneamento básico. A expansão econômica esperada com a ponte poderá ampliar a demanda sobre sistemas que já enfrentam limitações em áreas urbanas, rurais e turísticas.
O crescimento populacional ou a maior circulação de visitantes também poderá pressionar redes de esgotamento sanitário, manejo de resíduos sólidos, drenagem urbana, abastecimento de energia, transporte coletivo e atendimento de saúde.
A preparação territorial deverá envolver o Governo da Bahia, prefeituras, consórcios públicos e colegiados territoriais. Esse trabalho exigirá diagnósticos municipais, definição de prioridades e compatibilização entre investimentos estaduais, federais e locais.
A infraestrutura rodoviária interna também será determinante. Sem conexões adequadas entre os municípios e os principais corredores estaduais, parte dos benefícios logísticos da Ponte Salvador–Itaparica poderá permanecer concentrada em áreas mais próximas da ligação com a capital.
Turismo e comércio podem receber novos fluxos
O Baixo Sul reúne destinos turísticos como Morro de São Paulo, Boipeba, Guaibim, Pratigi, Barra Grande e Camamu, além de patrimônio histórico, áreas de Mata Atlântica, manguezais, ilhas, rios e comunidades tradicionais.
A redução do tempo de deslocamento entre Salvador e o território poderá aumentar o fluxo de visitantes e estimular investimentos em hotelaria, alimentação, transporte, comércio e serviços. Entretanto, a expansão deverá ser acompanhada por políticas de qualificação profissional, saneamento, fiscalização ambiental e ordenamento do uso do solo.
Outro desafio será garantir que as oportunidades econômicas não fiquem restritas a grandes grupos empresariais. Agricultores familiares, pescadores, comerciantes locais, cooperativas, artesãos, trabalhadores do turismo e pequenos empreendedores precisarão ter acesso a crédito, assistência técnica, capacitação e canais de comercialização.
As mudanças também poderão produzir valorização imobiliária e pressão sobre áreas urbanas, rurais, costeiras e ambientalmente protegidas. Por isso, os municípios deverão atualizar instrumentos de planejamento e reforçar mecanismos destinados a impedir ocupações irregulares e deslocamentos sociais provocados pela especulação.
Ponte integra sistema viário de R$ 11,6 bilhões
A Ponte Salvador–Itaparica terá 12,4 quilômetros de extensão sobre a Baía de Todos-os-Santos e integra um sistema viário estimado em R$ 11,6 bilhões. Além da estrutura principal, o projeto contempla acessos em Salvador, uma via expressa na Ilha de Itaparica e a duplicação de trecho da BA-001.
O empreendimento deverá se tornar a maior ponte sobre lâmina d’água da América Latina. O projeto inclui ainda 4,4 quilômetros de vias estruturadas em Salvador, uma via expressa de aproximadamente 22 quilômetros na Ilha de Itaparica e a duplicação de oito quilômetros da BA-001, entre Tairu e a Ponte do Funil.
O sistema é apresentado pelo Governo da Bahia como uma nova conexão logística entre Salvador, a Ilha de Itaparica, o Recôncavo, o Baixo Sul e outras regiões do estado. A expectativa oficial é que a obra influencie aproximadamente 250 municípios e reduza distâncias percorridas por cargas oriundas do Oeste baiano.
Em junho de 2026, a Secretaria Extraordinária do Sistema Viário Oeste informou ao Tribunal de Contas do Estado da Bahia que havia movimentação em três canteiros, montagem da Plataforma Linear Provisória e início das intervenções terrestres. O TCE acompanha o contrato, o cronograma, a execução financeira e as garantias públicas envolvidas na parceria.
Linha do tempo da Ponte Salvador–Itaparica e dos investimentos regionais
Julho de 2025 — início da implantação do hospital
Foi emitida a ordem de serviço para a construção do Hospital e Maternidade Regional Costa do Dendê, em Valença. A etapa inicial incluiu elaboração de projetos, topografia, sondagens, limpeza do terreno e instalação do canteiro.
16 de março de 2026 — cronograma apresentado ao TCE
O Governo da Bahia apresentou ao Tribunal de Contas do Estado o cronograma atualizado da Ponte Salvador–Itaparica, com previsão de início das fundações em junho de 2026 e conclusão do empreendimento em 2031.
25 de maio de 2026 — avanço do hospital regional
A Conder informou que o Hospital e Maternidade Regional Costa do Dendê havia alcançado cerca de 12% de execução, com previsão de conclusão da fase de construção no primeiro semestre de 2027.
Junho de 2026 — mobilização das frentes de trabalho
A obra da Ponte Salvador–Itaparica avançou com a movimentação de canteiros, equipamentos, estruturas metálicas e componentes destinados à montagem da plataforma provisória e às intervenções em terra.
1º de julho de 2026 — primeira estaca em Vera Cruz
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Jerônimo Rodrigues participaram, em Vera Cruz, do ato que marcou a cravação simbólica da primeira estaca e a entrada do empreendimento em uma fase de maior visibilidade física.
25 de julho de 2026 — PGP debate preparação do Baixo Sul
Durante a plenária do PGP em Valença, Jerônimo Rodrigues defendeu que os municípios aproveitem o período de construção para planejar investimentos, qualificar trabalhadores e preparar a região para novos fluxos de turismo, comércio, indústria e serviços.







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