O candidato ao Senado pela Bahia Rui Costa (PT) concentrou sua agenda política entre o domingo (13/09/2026) e a segunda-feira (14/09/2026) em três temas: expansão de programas sociais, segurança pública e relação federativa. O ex-governador afirmou que o Gás do Povo alcançou 1,82 milhão de famílias na Bahia, defendeu a ampliação do sistema penitenciário federal e a transformação de unidades baianas em presídios de segurança máxima, além de acusar o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro de interromper recursos destinados ao estado.
As declarações ocorreram durante agenda eleitoral em Bom Jesus da Lapa, no Oeste da Bahia, e em entrevista à Rádio Brisa Mar FM, de Esplanada. Rui disputa uma das duas vagas baianas no Senado ao lado do senador Jaques Wagner (PT) e integra a chapa política que apoia as candidaturas à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Jerônimo Rodrigues.
No domingo, Rui participou de mobilizações do grupo governista em Salvador e Bom Jesus da Lapa. Pela manhã, a chapa realizou uma carreata no bairro de Cajazeiras, na capital baiana. À noite, participou de um comício em Bom Jesus da Lapa, com presença, entre outros integrantes da aliança, do senador Otto Alencar.
Gás do Povo chega a 1,82 milhão de famílias na Bahia, segundo Rui Costa
Durante a agenda, Rui Costa afirmou que o Gás do Povo beneficia 1,82 milhão de famílias na Bahia, frente às 528,8 mil famílias anteriormente atendidas pelo Auxílio Gás. Pelos números apresentados pelo candidato, a ampliação corresponde a 244,3%. O programa federal oferece gratuitamente recargas de botijões de GLP de 13 quilos às famílias que atendem aos critérios estabelecidos pela legislação.
A atual política foi instituída inicialmente pela Medida Provisória nº 1.313, de 4 de setembro de 2025, posteriormente convertida na Lei nº 15.348, de 13 de fevereiro de 2026. A legislação modificou o antigo Auxílio Gás dos Brasileiros, criou modalidades de operacionalização e estabeleceu a modalidade de gratuidade da recarga do botijão. Segundo o Governo Federal, podem participar famílias inscritas no Cadastro Único, com dados atualizados e renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa, observados os demais requisitos legais.
Rui relacionou a ampliação do programa às políticas sociais adotadas pelo Governo Lula e utilizou os números para defender a continuidade da atual composição política nos governos federal e estadual. A declaração foi feita no contexto da campanha eleitoral e associou a política de acesso ao gás de cozinha à segurança alimentar das famílias de menor renda.
Mulheres representam mais de 92% das responsáveis familiares, afirma candidato
Segundo os dados apresentados por Rui, 92,45% das famílias beneficiadas pelo Gás do Povo na Bahia são chefiadas por mulheres. Em âmbito nacional, o candidato informou que o programa alcança 14,87 milhões de famílias, das quais 93,19% têm mulheres como responsáveis familiares.
Os números divulgados pelo candidato estão próximos da dimensão nacional prevista pelo desenho do programa. Documentação do Governo Federal estima atendimento de aproximadamente 15 milhões de famílias, enquanto o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social mantém uma plataforma específica para consulta de dados consolidados por Brasil, região, estado e município.
O benefício não corresponde à transferência direta do preço do botijão em dinheiro. A política garante a recarga gratuita do recipiente de 13 kg em revendas credenciadas. Famílias com duas ou três pessoas podem receber quatro recargas por ano, enquanto aquelas com quatro ou mais integrantes podem ter direito a seis recargas anuais, conforme as regras em vigor.
Rui Costa propõe mais presídios federais e unidades de segurança máxima na Bahia
Na segunda-feira (14/09/2026), durante entrevista à Rádio Brisa Mar FM, em Esplanada, Rui Costa apresentou propostas para a área de segurança pública. O candidato afirmou que pretende defender no Senado a ampliação do número de penitenciárias federais e medidas destinadas a elevar o nível de segurança de unidades prisionais na Bahia.
Rui argumentou que presos classificados como integrantes de organizações criminosas ou de maior risco deveriam permanecer submetidos a regimes capazes de reduzir a comunicação com integrantes das organizações fora das unidades. Segundo o candidato, uma das prioridades seria interromper cadeias de comando mantidas a partir do interior dos estabelecimentos prisionais.
A proposta parte de uma situação objetiva: atualmente, a Bahia não possui penitenciária federal. De acordo com a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), o Sistema Penitenciário Federal conta com cinco unidades de segurança máxima, instaladas em Catanduvas (Paraná), Campo Grande (Mato Grosso do Sul), Porto Velho (Rondônia), Mossoró (Rio Grande do Norte) e Brasília (Distrito Federal).
Transformação de presídios estaduais dependeria de definição institucional e recursos
Rui afirmou que pretende buscar apoio do Governo Federal para transformar unidades prisionais existentes na Bahia em estabelecimentos de segurança máxima. A execução de uma medida desse tipo, entretanto, depende de definição sobre a natureza das unidades, competências administrativas, requisitos de segurança, investimentos, pessoal e eventuais alterações legislativas.
O candidato sustentou que o isolamento de lideranças criminosas e a redução da comunicação entre presos e organizações externas poderiam contribuir para o combate à violência. A discussão sobre sistema penitenciário já havia aparecido na agenda eleitoral de Rui: em agosto de 2026, ele incluiu mudanças na execução penal entre as pautas que pretende levar ao Senado.
A política penitenciária envolve atribuições dos estados e da União. O Sistema Penitenciário Federal é administrado pela Senappen, enquanto as unidades estaduais permanecem sob responsabilidade dos respectivos governos. Por isso, uma eventual conversão ou implantação de estabelecimentos com novo regime de segurança exigiria detalhamento jurídico, financeiro e operacional.
Rui acusa governo Bolsonaro de interromper recursos destinados à Bahia
Na mesma entrevista, Rui Costa afirmou que a Bahia enfrentou dificuldades no relacionamento com o Governo Federal durante a Presidência de Jair Bolsonaro. O candidato citou como exemplos o financiamento das obras do metrô de Salvador e os recursos destinados a leitos de UTI durante a pandemia de Covid-19.
Ao tratar do sistema metroviário, Rui declarou que recursos federais previstos para o empreendimento teriam deixado de ser repassados e afirmou que o Governo da Bahia precisou assumir despesas para assegurar a continuidade das obras. O candidato classificou o episódio como consequência de divergências políticas entre a administração estadual e o governo Bolsonaro.
O financiamento do metrô de Salvador possui histórico anterior ao governo Bolsonaro e foi estruturado com participação federal e estadual. Em 2012, decreto federal incluiu o Sistema Metroviário de Salvador e Lauro de Freitas no PAC, com previsão de recursos do Orçamento Geral da União e financiamento para implantação da infraestrutura. A afirmação específica de Rui sobre a interrupção dos repasses durante o governo Bolsonaro foi apresentada por ele no contexto da atual campanha eleitoral.
STF determinou retomada de custeio federal de UTIs na Bahia durante pandemia
Na área da saúde, Rui afirmou que o Governo Federal reduziu o financiamento de leitos de UTI destinados ao atendimento de pacientes com Covid-19 e lembrou que o Governo da Bahia recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para assegurar a retomada dos recursos.
Há registro oficial do episódio. Em 1º de março de 2021, a ministra Rosa Weber determinou que a União restabelecesse, de forma proporcional às demais unidades da Federação, os leitos de UTI destinados ao tratamento da Covid-19 na Bahia que haviam sido custeados pelo Ministério da Saúde até dezembro de 2020 e reduzidos nos meses seguintes. A decisão também determinou análise de pedidos de habilitação de novos leitos e suporte técnico e financeiro da União para a expansão da rede, conforme a evolução da pandemia.
A medida foi posteriormente referendada pelo Plenário do STF por unanimidade, no julgamento da ação apresentada pela Bahia. A documentação judicial registra que a controvérsia envolvia a redução do custeio federal de leitos nos primeiros meses de 2021, em meio ao aumento da demanda hospitalar provocada pela pandemia.
Debate eleitoral aproxima políticas públicas e relação entre União e Bahia
As declarações de Rui Costa inserem programas sociais, segurança pública e relações federativas no centro da disputa eleitoral de 2026. O candidato busca associar sua candidatura ao Senado à continuidade da aliança entre os governos de Lula e Jerônimo Rodrigues, enquanto direciona críticas ao campo político adversário.
Rui disputa o Senado ao lado de Jaques Wagner, composição homologada durante a convenção da Federação Brasil da Esperança realizada em Salvador em 1º de agosto de 2026. O grupo também apoia a reeleição de Jerônimo Rodrigues ao Governo da Bahia.
As propostas relativas ao sistema penitenciário deverão ser acompanhadas quanto ao modelo institucional, fontes de financiamento, participação da União e eventuais mudanças legislativas. No campo social, a evolução do número de beneficiários do Gás do Povo pode ser acompanhada pelas bases oficiais do Governo Federal. Já as declarações referentes aos repasses durante o governo Bolsonaro integram o confronto político da campanha e devem ser analisadas à luz dos registros administrativos, orçamentários e judiciais de cada programa.








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