Os eleitores brasileiros escolheram neste domingo (04/10/2026) os ocupantes de 54 das 81 cadeiras do Senado Federal, equivalentes a dois terços da Casa, e o PL obteve o maior número de vitórias: 20 senadores eleitos, ou aproximadamente 37% das vagas em disputa. O MDB conquistou sete cadeiras e o PT, seis. Como cada estado e o Distrito Federal elegeram dois representantes, os dois candidatos mais votados em cada unidade conquistaram mandatos de oito anos, sem segundo turno.
Os 54 senadores eleitos, por unidade da Federação
Norte: no Acre, Marcio Bittar (PL) e Mara Rocha (Republicanos); no Amapá, Rayssa Furlan (Podemos) e Lucas Barreto (PSD); no Amazonas, Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB); no Pará, Helder Barbalho (MDB) e Éder Mauro (PL); em Rondônia, Fernando Máximo (PL) e Bruno Scheid (PL); em Roraima, Nicoletti (PL) e Teresa Surita (MDB); e, no Tocantins, Eduardo Gomes (PL) e Alexandre Guimarães (MDB).
Nordeste: em Alagoas, Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB); na Bahia, Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT); no Ceará, Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede); no Maranhão, Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo); na Paraíba, João Azevêdo (PSB) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB); em Pernambuco, Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT); no Piauí, Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD); no Rio Grande do Norte, Styvenson Valentim (Podemos) e Samanda de Lula (PT); e, em Sergipe, Rogério Carvalho (PT) e Alessandro Vieira (MDB).
Centro-Oeste: no Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL); em Goiás, Gustavo Gayer (PL) e Gracinha Caiado (União Brasil); em Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil) e Zé Medeiros (PL); e, em Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL).
Sudeste: no Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB) e Evair de Melo (Republicanos); em Minas Gerais, Domingos Sávio (PL) e Marília Campos (PT); no Rio de Janeiro, Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL); e, em São Paulo, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).
Sul: no Paraná, Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo); no Rio Grande do Sul, Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel Van Hattem (Novo); e, em Santa Catarina, Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL).
PL vence 20 das 54 cadeiras
A totalização dos resultados por partido mostra ampla vantagem numérica do PL entre as vagas submetidas às urnas:
- PL: 20
- MDB: 7
- PT: 6
- PP: 3
- PSB: 3
- Novo: 3
- Republicanos: 2
- PSDB: 2
- Podemos: 2
- PSD: 2
- União Brasil: 2
- Rede: 1
- PDT: 1
- Total: 54 cadeiras
O resultado significa que o PL conquistou aproximadamente 37,0% das cadeiras renovadas. MDB ficou com aproximadamente 13%, enquanto o PT obteve pouco mais de 11%.
A dimensão política dessa votação só pode ser aferida integralmente quando os 54 eleitos forem somados aos 27 senadores escolhidos em 2022, cujos mandatos prosseguem até 2031.
Federações conquistam 14 das 54 vagas
Considerando as cinco federações atualmente registradas no TSE, mas sem duplicar a contagem dos respectivos partidos, a Federação Brasil da Esperança — PT, PCdoB e PV — conquistou seis vagas, todas por candidatos do PT.
A Federação União Progressista — União Brasil e PP — conquistou cinco, três pelo PP e duas pelo União Brasil. A Federação PSDB Cidadania obteve duas cadeiras pelo PSDB. A Federação PSOL-Rede conquistou uma vaga, com Luizianne Lins, da Rede. A Federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade, não aparece entre as 54 cadeiras eleitas.
Assim, partidos integrantes de federações somam 14 das 54 vagas, enquanto legendas não integrantes dessas estruturas concentram as outras 40 cadeiras.
Bahia elege dois senadores do PT
Na Bahia, Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT, conquistaram as duas vagas. Com 96,62% das urnas apuradas no momento em que a eleição foi matematicamente definida, Rui tinha 29,88% e Wagner, 27,45% dos votos válidos.
O resultado confirma o cenário de liderança que vinha aparecendo em levantamentos anteriores, embora as pesquisas fossem apenas fotografias pré-eleitorais. Os dois formarão, a partir de 2027, a representação baiana com Otto Alencar (PSD), eleito em 2022 e com mandato até 2031.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 2022: eleitorado escolhe um senador por estado e pelo Distrito Federal; essas 27 cadeiras têm mandato até 2031.
- 10/09/2026: Agência Senado registra que 54 das 81 cadeiras estariam em disputa em outubro e confirma que cada eleitor teria dois votos para senador.
- 04/10/2026: eleitores escolhem os dois senadores mais votados de cada unidade da Federação, totalizando 54 eleitos.
- 04/10/2026: PL encerra a eleição com 20 das 54 vagas, seguido por MDB, com sete, e PT, com seis.
- 2027: os eleitos iniciam os novos mandatos de oito anos; na Bahia, a posse de Rui Costa e Jaques Wagner está prevista para fevereiro.
A conquista de 20 das 54 cadeiras coloca o PL como principal vencedor partidário da eleição senatorial de 2026. Trata-se de resultado quantitativamente expressivo porque a renovação alcança dois terços da Casa, conferindo à votação atual capacidade de alterar de maneira duradoura a correlação de forças no Senado.
Isso, entretanto, não significa maioria autônoma. Mesmo após incorporar os mandatos remanescentes de 2022, nenhuma legenda individualmente se aproxima das 41 cadeiras correspondentes à maioria absoluta. A governabilidade legislativa continuará dependente de negociações entre partidos, federações e blocos parlamentares.
Também é necessário diferenciar federações eleitorais de comportamento parlamentar. O fato de União Brasil e PP integrarem a Federação União Progressista, por exemplo, permite agregação institucional sob a legislação eleitoral, mas não significa que todos os senadores votarão necessariamente da mesma forma em cada matéria. Lideranças, interesses estaduais e composição dos blocos continuarão relevantes.
A consequência concreta da eleição é uma renovação profunda: 54 cadeiras começam novo mandato em 2027, enquanto somente 27 vêm do ciclo eleitoral de 2022. O resultado coloca o PL em posição de forte influência na próxima legislatura, mas a distribuição completa de poder dependerá da soma das duas gerações de mandatos e de substituições decorrentes da eleição de atuais senadores para governos estaduais.








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