Terça-feira (27/10/2026) — O Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Limpeza Pública e Terceirizados da Bahia (SindilimpBA) anunciou uma greve por tempo indeterminado dos trabalhadores da limpeza urbana de Salvador, com início previsto para 0h de domingo (01/11/2026). A decisão ocorre após sete rodadas de negociação sem acordo entre a representação sindical e as empresas sobre pontos do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027.
Segundo o comunicado encaminhado pelo sindicato, as negociações envolvem principalmente reajuste salarial, data-base e adicional de insalubridade. A paralisação foi aprovada em Assembleia Geral Extraordinária da categoria e formalizada por meio de edital de comunicação de greve.
O sindicato afirma que as conversas realizadas até agora não produziram entendimento com a representação patronal. O material divulgado não identifica, no texto encaminhado, todas as empresas envolvidas na negociação nem apresenta a posição ou eventual contraproposta patronal sobre as reivindicações da categoria.
Sete rodadas de negociação terminam sem acordo
De acordo com o SindilimpBA, foram realizadas sete rodadas de negociação antes da decisão pela greve. O principal impasse está relacionado às cláusulas econômicas e às condições de trabalho que deverão integrar o acordo coletivo referente ao período 2026/2027.
Entre as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores estão a definição do reajuste salarial, as condições relacionadas à data-base da categoria e o tratamento do adicional de insalubridade. O percentual de reajuste ainda deverá ser definido no processo de negociação entre trabalhadores e empresas.
A coordenadora-geral do SindilimpBA, Ana Angélica Rabello, afirmou que a paralisação foi aprovada como instrumento de pressão para que as negociações avancem. “A greve é uma forma de pressionar as empresas a sair da inércia e tratar com seriedade as reivindicações da categoria, que incluem insalubridade e reajuste salarial”, declarou.
Sindicato cobra definição sobre reajuste salarial e insalubridade
Segundo Ana Angélica Rabello, os trabalhadores aguardam respostas sobre os pontos apresentados nas rodadas de negociação. A dirigente sindical sustenta que questões relacionadas a remuneração e condições de trabalho permanecem sem definição.
“Os trabalhadores não podem continuar esperando indefinidamente por respostas, enquanto direitos e condições de trabalho seguem em discussão”, afirmou a coordenadora-geral do SindilimpBA ao comentar a decisão tomada pela categoria.
O anúncio não significa, entretanto, que a paralisação necessariamente começará em 1º de novembro. O próprio sindicato informa que um acordo obtido antes do horário marcado para o início da greve poderá alterar o cenário, e mantém aberta a possibilidade de continuidade das negociações com as empresas.
Greve pode atingir coleta e serviços de limpeza em Salvador
No Edital de Comunicação de Greve, o SindilimpBA informa que, caso o impasse permaneça, a paralisação poderá afetar atividades da limpeza urbana da capital baiana. Entre os possíveis efeitos estão atrasos na coleta de resíduos e acúmulo de lixo em ruas e espaços públicos.
A extensão de um eventual impacto dependerá do grau de adesão dos trabalhadores, da organização das escalas durante a mobilização, das medidas adotadas pelas empresas responsáveis pelos serviços e do resultado das negociações que poderão ocorrer até o início da greve.
O sindicato afirma no comunicado que adotará medidas para preservar os serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades da comunidade. A entidade também declarou que continuará disponível para negociar uma solução para o conflito.
Lei de Greve prevê manutenção de serviços indispensáveis
A legislação brasileira estabelece regras específicas para greves envolvendo atividades essenciais. A Lei Federal nº 7.783/1989 inclui entre os serviços essenciais a captação e o tratamento de esgoto e lixo e determina que trabalhadores, sindicatos e empregadores garantam a prestação dos serviços indispensáveis às necessidades inadiáveis da comunidade durante paralisações.
A mesma legislação estabelece que, em serviços ou atividades essenciais, a decisão de greve deve ser comunicada aos empregadores e aos usuários com antecedência mínima de 72 horas. A definição concreta sobre contingentes, atividades mantidas e funcionamento dos serviços pode ser objeto de negociação entre as partes ou de decisão da Justiça do Trabalho, caso haja conflito.
Ao informar que pretende preservar atividades indispensáveis, o SindilimpBA sinaliza que a mobilização deverá ser organizada levando em consideração essas exigências. O alcance efetivo da paralisação, entretanto, somente poderá ser dimensionado após o início do movimento ou eventual acordo anterior à data prevista.
Salvador teve paralisação da limpeza urbana em junho de 2026
A nova mobilização ocorre cerca de quatro meses depois de trabalhadores da limpeza urbana participarem de uma greve nacional dos garis e margaridas em junho de 2026. Na ocasião, a principal reivindicação estava relacionada à tramitação do Projeto de Lei 4.146/2020, conhecido como PL dos Garis e Margaridas, no Senado Federal.
A paralisação de junho teve reflexos na coleta em Salvador e contribuiu para o registro de acúmulo de resíduos em diferentes pontos da capital, especialmente no período próximo ao São João. Aquele movimento, contudo, tinha caráter nacional e pauta legislativa, diferente da negociação coletiva que fundamenta o anúncio atual.
O episódio anterior demonstra a possibilidade de efeitos urbanos decorrentes da interrupção da coleta, mas não permite antecipar a dimensão da greve prevista para novembro. O cenário dependerá das negociações dos próximos dias, da adesão da categoria e das medidas operacionais adotadas para preservar atividades consideradas indispensáveis.
Negociação poderá continuar até o início da paralisação
O início da greve está marcado para 0h de domingo (01/11/2026). Até esse horário, sindicato e empresas poderão realizar novas reuniões e apresentar propostas que permitam a construção de um acordo para o Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027.
O SindilimpBA informa que permanece disponível para negociar. Entre os pontos que deverão ser acompanhados estão o percentual do reajuste salarial, a definição da data-base, as regras relacionadas ao adicional de insalubridade e eventuais cláusulas sobre condições de trabalho.
Caso não haja entendimento, o movimento passará a exigir acompanhamento também da Prefeitura de Salvador, dos órgãos trabalhistas, das empresas prestadoras de serviços e da Justiça do Trabalho, especialmente se surgirem divergências sobre a manutenção das atividades indispensáveis ou sobre o funcionamento do sistema de coleta durante a paralisação.








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