Em um gesto de deselegância e desrespeito para com a OAB e os colegas, ministro Gilmar Mendes abandona sessão do STF

Gilmar Mendes adota postura indigna para com os colegas, a OAB e a sociedade. Ministro protagoniza triste momento na carreira do STF.
Gilmar Mendes adota postura indigna para com os colegas, a OAB e a sociedade. Ministro protagoniza triste momento na carreira do STF.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) abandonou na quarta-feira (16/09/2015) a parte final da sessão após se desentender com o presidente da Corte, Ricardo Lewandowski, quando o presidente deu a palavra ao representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), depois da proclamação do voto no qual Mendes se posicionou a favor do financiamento privado de campanhas políticas.

O gesto de Gilmar Mendes evidencia a falta de preparo ao expor ideias, a incapacidade de perceber que nem todos concordam com a posição que adota. A postura do ministro é um flerte com o chovinismo barato, com o discurso raso, observando que a doação financeira para o processo eletivo feita por empresas macula o princípio republicano sob o qual está submetido o sufrágio, ou seja, o processo eleitoral deve ser determinado pelos cidadãos, isso incluí o desejo pessoal de contribuir financeiramente para que o processo ocorra. Esse princípio traz equilíbrio ao jogo político e encontra amparo em diferentes segmentos da sociedade.

Ao criticar a OAB de servir de instrumento do Partido dos Trabalhadores, Gilmar Mendes, de forma indireta, também atribui os mesmos valores ao colegas ministros. Observando que se de um lado a OAB demandou, coube aos ministros decidirem. Triste momento de Gilmar Mendes.

O voto derrotado

No seu voto, Mendes criticou a OAB por ter entrado com a ação para proibir doações privadas para campanhas políticas. Segundo o ministro, a entidade criou uma articulação com o PT para que o Supremo mudasse a lei sem passar pelo Congresso. O ministro ainda afirmou que a OAB e o partido tentam envolver a Corte em uma conspirata.

Após a proclamação do voto do ministro, o secretário-geral da OAB, Claudio Pereira, subiu à tribuna para defender a entidade e afirmar que a OAB não tem vinculação partidária e atua com posição crítica ao governo. Mendes protestou  contra a decisão de Lewandowski de aceitar o pedido de esclarecimentos do representante da OAB.

O desentendimento começou após Lewandowski afirmar que o representante da entidade tinha direito à palavra. “Vossa Excelência pode deixar ele falar por dez horas, mas não fico”, disse Mendes. Em seguida, o presidente retrucou: “Quem preside a sessão sou eu, ministro”. Diante da posição de Lewandowski, Mendes abandonou a sessão.

O julgamento foi retomado hoje, depois de um ano e cinco meses parado, devido a um pedido de vista de Gilmar Mendes. Em voto proferido durante mais de quatro horas, o ministro disse que os partidos políticos devem receber apoio privado, como forma de provar que as legendas existem de fato e que têm apoio de parte da sociedade, fatos essenciais para a democracia.

*Com informação da Agência Brasil


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.