Em nota encaminhada ao Jornal Grande Bahia nesta sexta-feira (11/01/2020), o Comando Geral da Polícia Militar da Bahia rechaçou a conduta tenente-coronel Eurico Filho Silva Costa por culpabilizar vítima de episódio em Salvador e afirmou que “Polícia Militar da Bahia tem como missão cuidar das pessoas e, para isso, realiza o policiamento ostensivo com o objetivo de prevenir o cometimento de crimes”.
Confira ‘Nota do Comando Geral da Polícia Militar da Bahia’
O Comando Geral da Polícia Militar da Bahia (PMBA) informa que as declarações do comandante da 15ª CIPM já estão sendo tratadas internamente e ressalta que, em nenhuma circunstância, uma vítima deve ser culpabilizada. A Polícia Militar da Bahia tem como missão cuidar das pessoas e, para isso, realiza o policiamento ostensivo com o objetivo de prevenir o cometimento de crimes.
A PMBA lamenta profundamente o crime cometido contra o casal de turistas e se solidariza com as vítimas, bem como reafirma o compromisso de fazer o melhor sempre para garantir a segurança de baianos e turistas.
Comandante da 15ª CIPM pede desculpas
O tenente-coronel Eurico Filho Silva Costa, comandante da 15ª Companhia Independente da Polícia Militar (Itapuã), pediu desculpas pelas declarações na tarde desta sexta-feira (10/11/2020). “Peço desculpas se fui mal interpretado pelas minhas declarações. Como policial militar, nunca defendi culpabilização de vítimas. Não seria diferente no caso absurdo envolvendo turistas em Salvador. Meu respeito e total solidariedade às vítimas de uma cruel violência contra as mulheres. Continuarei na trincheira em nome da segurança da sociedade e sendo intolerante contra qualquer tipo de violência”, falou o comandante.
Entendo o caso
Para oficial Eurico Filho Silva Costa, comandante da 15ª Companhia Independente da Polícia Militar (Itapuã), a turista piauiense estuprada na noite desta terça-feira (07/01/2020), em uma praia de Itapuã, em Salvador, contribuiu para a ocorrência do crime.
“Foi um comportamento de risco. O que uma pessoa vai fazer numa praia deserta das 19h às 23h, quando ocorreu estupro? Vai fazer o quê? Ela assumiu o risco”, declarou Eurico Costa ao site Correio, na manhã desta sexta-feira (10).
Ainda em entrevista, Eurico Costa afirmou que a Polícia Militar não pode ser responsabilizada pelo que aconteceu com o casal. “Trabalhamos constante na região, mas não temos efetivo para garantir a segurança somente daquelas pessoas que estavam naquele horário, num local onde não havia ninguém”, opinou o coronel.
Segundo o policial militar, o comportamento do casal foi de risco e, portanto, eles devem assumir as consequências.
“O casal teve um tipo de comportamento que não podemos nos responsabilizar. Se um carro trafega a 200 km/h, o motorista assume as consequências, o risco de bater, capotar. Foi a mesma coisa que aconteceu”.
O crime
A turista e o namorado foram surpreendidos por dois criminosos quando caminhavam na praia de Itapuã, em Salvador. Eles foram abordados e ameaçados por dois criminosos. “Eu só pensava que ia matar a gente. Ele disse que estava doido para matar gente”, disse o homem em entrevista à TV Bahia. As identidades das vítimas foram preservadas.
O rapaz relatou ainda que estava andando com a namorada, quando os dois resolveram sentar numa pedra. Nesse momento, foram abordados.
“A praia estava cheia, mas começou a esvaziar. Depois, dois homens chegaram por trás dizendo: ‘É assalto, é assalto! Você é polícia, passa tudo’. Ele perguntou onde estava minha carteira e eu disse que estava no hotel. Então, ele mandou que eu fosse no hotel pegar o dinheiro e disse que se eu não voltasse, ele mataria a minha namorada. Quando eu saí, ao invés de ir para o hotel, fui para delegacia”, contou o homem, que já tinha visitado Salvador anteriormente.
A moça que pela primeira vez passeava por Salvador, está traumatizada e nunc amais pretende voltar. Ela contou que ainda tentou alertar que estava em período menstrual para evitar o estupro, sem sucesso.
“Ele me levou para trás de uma pedra e me estuprou. Depois, quando viu as luzes da viatura da polícia, ele me puxou pelo braço e disse que era pra eu fingir que éramos um casal e começou a correr. Eu não pude correr porque comecei a ficar com falta de ar, tenho asma. Ele pegou na minha mão e disse que se eu tentasse alguma coisa que iria me matar. Então, ele foi andando, parou em um condomínio e pediu água para mim na portaria”, completou.
A jovem só conseguiu fugir após o criminoso deixá-la sozinha em uma rua, com a promessa que retornaria em meia hora para buscar o dinheiro que o namorado dela teria ido buscar. “Aproveitei e fugi. Fui me escondendo atrás dos carros, suspeitava que ele estava me vigiando”, disse.
A jovem chegou a retornar ao condomínio onde o bandido pediu água para ela e pediu ajuda ao porteiro, que disse que nada poderia fazer. Depois, caminhou até um hotel, onde uma recepcionista chamou um táxi. “Eu voltei pro meu hotel, encontrei meu namorado e então fomos para delegacia para registrar o caso”, relatou.
Após o crime, a mulher foi levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Itapuã, onde também cuidou de ferimentos nos joelhos, e depois foi levada para o Departamento de Polícia Técnica (DPT) para fazer exame de corpo de delito.
O casal prestou queixa em três delegacias: a de Itapuã, a do Turista, que fica no Centro Histórico de Salvador, e na Central de Flagrantes, na região do Iguatemi.
Prisão
O autor do estupro se apresentou na 12ª Delegacia (Itapuã) na sexta-feira (10) e foi levado para a Delegacia de Proteção ao Turista (Deltur), onde está preso. Já o comparsa dele está internado no Hospital Geral do Estado (HGE), após ter sido espancado por populares durante um assalto no bairro de Sussuarana.
O suspeito de estupro foi levado para a Delegacia de Proteção ao Turista (Deltur), onde prestará depoimento à delegada Marita Souza. Já o segundo segue sendo procurado pela Polícia Civil, responsável pela investigação do caso.
*Com informações dos Correios e da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP Bahia).
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