Protocolo do feminicídio da Bahia torna ALBA relevante ator contra essa tragédia social

O presidente em exercício da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), deputado Paulo Rangel (PT), foi enfático ao afirmar, na manhã desta quarta-feira (08/06/2022), que a Casa se tornou um dos principais braços auxiliares no enfrentamento ao crime de feminicídio na Bahia.

“Não temos mais a desculpa de não termos um instrumento eficiente para combater o feminicídio. Estamos diante de uma temática cara à nossa sociedade, por não ter sido tratada anteriormente como deveríamos. Esse não é um protocolo qualquer, é um instrumento com o objetivo de prevenir, investigar, processar, julgar e punir esse crime intolerável”, afirmou o petista.

A afirmação de Paulo Rangel foi feita em concorrida solenidade, no Saguão Deputado Nestor Duarte, da Alba, durante o lançamento do livro Protocolo do Feminicídio da Bahia, ante parlamentares e outras autoridades civis e militares do Estado.

A edição do livro, com 247 páginas, é um trabalho conjunto da Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres (SPM) e a ONU Mulheres, por meio do Selo Cultural Respeita as Mina.

O trabalho teve o apoio de outras seis secretarias e órgãos do Governo da Bahia, além da colaboração do Tribunal de Justiça da Bahia, Ministério Público do Estado, Defensoria Pública do Estado e Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia.

A Assembleia Legislativa da Bahia, através de seu Programa Alba Cultural, ficou encarregada da publicação, que será atualizada anualmente. Paulo Rangel destacou ainda o ineditismo do livro.

“Estamos inaugurando algo novo. A parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres faz com que a gente não só avance politicamente, mas também em relação ao conteúdo cultural e teórico. Ao ser dirigido às delegacias, às varas, aos centros, polícias etc, será um protocolo que se revestirá de grande importância e que vai ajudar a combater efetivamente a violência contra a mulher e qualquer outra violência de gênero, raça e cultura machista”, pontuou, Rangel.

Outra tônica dos discursos foi a importância do livro de se buscar evitar que o crime de feminicídio seja tipificado como crime comum. A titular da SPM, secretária Julieta Palmeira, comentou: o protocolo é uma grande conquista da sociedade, na medida que promove interação entre os órgãos. Visibilizar o feminicídio é relevante para que não seja classificado como crime comum e entre na subnotificação.

Presidente da Comissão da Mulher da Alba, deputada Olívia Santana (PCdoB) salientou o oportunismo do lançamento do protocolo, face os ataques aos direitos humanos promovidos pelo governo federal. Vivemos um tempo distópico. Feminicídio é um crime de ódio, em que há a destruição de vidas. Precisamos de uma rede de homens que defenda a pauta das mulheres. Sem mulheres não há democracia. A Bahia tem uma grande contribuição a dar”, disse, a parlamentar.

O secretário estadual de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), Carlos Martins, classificou o feminicídio de tragédia e pontuou a relevância de se padronizar as ações no combate ao crime. “Estamos num momento de agressão aos direitos humanos e muito difícil da vida brasileira”, salientou, Martins.

Feminicídio 

É o assassinato de mulheres cometido em razão do gênero. Ou seja, a vítima é morta pelo simples fato de ser mulher.

Lei Federal nº 13.104/2015  –  A lei que tipifica o crime de feminicídio foi criada a partir de recomendação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), do Congresso Nacional, que investigou a violência contra a mulher nos Estados brasileiros, entre os anos de 2012 e 2013.

A lei alterou o Código Penal Brasileiro (CPB), incluindo como qualificador do crime de homicídio o feminicídio, colocando-o no rol dos crimes hediondos. O crime de homicídio prevê pena de 6 a 20 anos de reclusão. Quando caracterizado o feminicídio, a punição parte de 12 anos de reclusão.

Feminicídio no Brasil

O Brasil é considerado o 5º país com maior número de assassinato de mulheres por razão de gênero. Conforme o Fórum Brasileiro de Segurança, em 2020 foram registrados no país 1.351 feminicídios. Ano passado, foram 1.319.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.



Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner do Governo da Bahia: Campanha Ações Bahia Projetos Institucionais 0526.
Banner da CMFS: Campanha de abril de 2026 2.
Banner do INSV 20260303.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading