Parem de nos matar, exige líder indígena nos Diálogos Amazônicos

A cidade de Belém foi palco de uma contundente manifestação contra o atual modelo de desenvolvimento na região amazônica durante a cerimônia de abertura dos Diálogos Amazônicos nesta sexta-feira (04/08/2023). A presidente da Federação dos Povos Indígenas do Pará, Concita Sompre, fez um apelo emocionado em nome das comunidades indígenas, denunciando a violência causada pelo agronegócio, mineradoras e invasões de territórios para criação de gado. Ela pediu a revisão do modelo de desenvolvimento, clamando pelo fim da exploração do minério que enriquece países estrangeiros enquanto deixa fome e miséria em seus territórios. Já o líder indígena Raoni Metuktire, conhecido internacionalmente, defendeu a demarcação das terras indígenas ainda não demarcadas e denunciou que a maioria dos não-indígenas é contra as comunidades nativas.

Os Diálogos Amazônicos, evento que reúne entidades e líderes da sociedade civil, buscam produzir propostas que serão apresentadas aos chefes de Estado durante a Cúpula da Amazônia, marcada para os dias 7 a 9 de agosto em Belém. Essa cúpula tem a proposta de discutir e encontrar soluções para os problemas enfrentados pela região amazônica, que abrange nove países da América do Sul e representa uma das maiores florestas tropicais do mundo.

No entanto, o discurso de Concita Sompre e Raoni Metuktire evidencia a tensão existente entre o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental e dos direitos das comunidades indígenas. A região amazônica é alvo constante de atividades econômicas predatórias que têm impactos socioambientais graves. O desmatamento, a exploração mineral, a expansão do agronegócio e a invasão de territórios indígenas são alguns dos problemas que afetam a região e ameaçam a vida e cultura dos povos tradicionais que lá habitam.

Uma pesquisa da ONG Imazon divulgada em 2020 revelou que o desmatamento na Amazônia atingiu a maior taxa em 12 anos, confirmando a gravidade da situação. Além disso, a violência contra lideranças indígenas e ambientalistas tem sido uma triste realidade na região.

É importante destacar que a luta pela proteção da Amazônia e pelos direitos dos povos indígenas não é um fenômeno recente. O ativismo e a mobilização das comunidades tradicionais têm sido constantes e têm ganhado visibilidade internacional. Raoni Metuktire, por exemplo, tem se tornado uma figura emblemática na defesa da floresta e dos povos indígenas, tendo recebido reconhecimento em diversos fóruns globais.

A Amazônia é um patrimônio natural e cultural de extrema relevância, abrigando uma biodiversidade rica e diversas culturas ancestrais. Preservar esse ecossistema e respeitar os direitos das comunidades indígenas é essencial para a garantia de um futuro sustentável e equitativo. Os Diálogos Amazônicos e a Cúpula da Amazônia representam uma oportunidade importante para debater essas questões e buscar soluções coletivas que promovam o desenvolvimento sustentável, a justiça social e a preservação desse tesouro natural que é a floresta amazônica. O desafio é grande, mas é urgente a união de esforços para proteger esse importante bioma e seus habitantes, garantindo um futuro melhor para todos.

*Com informações da Agência Brasil.


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