O Hamas anunciou na segunda-feira (06/05/2024) que aceitava uma proposta de cessar-fogo com Israel. A declaração veio horas após o início da operação de retirada de milhares de pessoas de Rafah. Israel indicou que estava examinando a mesma proposta. No entanto, no final do dia, o leste de Rafah foi alvo de bombardeios israelenses.
Um representante do Hamas informou à AFP durante a tarde que a decisão estava nas mãos de Israel, após o movimento palestino anunciar que aceitava uma oferta de cessar-fogo na Faixa de Gaza apresentada pelo Egito e o Catar. “A bola está agora no campo de Israel, que tem a escolha entre aceitar o acordo de cessar-fogo ou obstruí-lo”, disse o representante, que pediu anonimato.
Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro israelense, afirmou que Israel continuará as negociações, mas alertou que as propostas do Hamas estão aquém das exigências israelenses. Um alto funcionário israelense disse à AFP que Israel estava examinando o texto. “Recebemos a proposta e estamos revisando. Este não é o quadro com o qual concordamos. Vamos revisá-la”, disse o funcionário, que pediu anonimato e não deu detalhes sobre o conteúdo do documento.
Ismail Haniyeh, chefe do gabinete político do Hamas, falou por telefone com o primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdelrahmane Al Thani, e com o ministro da Inteligência egípcio, Abbas Kamel, e informou que o Hamas tinha aprovado sua proposta de “acordo de cessar-fogo”, segundo um comunicado publicado no site do movimento islâmico palestino.
A proposta, que não foi apresentada publicamente, inclui um cessar-fogo, a volta à casa dos civis deslocados pelo conflito em Gaza e uma troca de reféns e prisioneiros, disse um representante do Hamas à Reuters. O representante do Hamas indicou que a delegação de negociadores que regressou ao Catar no domingo voltaria em breve ao Cairo para discutir o acordo.
Pouco depois do anúncio do Hamas, os Estados Unidos disseram que estavam “revisando” a resposta do movimento islâmico palestino e mais uma vez pediram a Israel que não atacasse Rafah. “Posso confirmar que o Hamas emitiu uma resposta. Estamos analisando essa resposta e discutindo com nossos parceiros na região”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Matthew Miller, a jornalistas.
Reagindo a estes anúncios, o Presidente turco, Tayyip Erdogan, saudou a posição do Hamas e fez um apelo aos países ocidentais para aumentarem a pressão sobre Israel.
Cenas de alegria e tiros no ar foram vistos nesta segunda-feira em Rafah, no extremo sul da sitiada Faixa de Gaza, após o anúncio do Hamas. No entanto, as forças israelenses reiteraram durante toda a tarde pedidos para que a população deixasse a cidade, alertando para uma possível “operação terrestre”. No começo da noite, intensos bombardeios israelenses foram registrados no leste de Rafah.
O Hamas afirmou que Israel se preparava para lançar uma ofensiva “sem levar em consideração a catástrofe humanitária em curso na Faixa de Gaza ou o destino dos reféns”, que estão detidos no território desde 7 de outubro.
O Exército israelense lançou uma vasta operação para evacuar civis do leste de Rafah, que se tornou um refúgio para muitas pessoas deslocadas, no extremo sul da Faixa de Gaza, em preparação para uma ofensiva militar terrestre.
Apesar das condenações internacionais, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu lançar esta ofensiva, que considera essencial para destruir os últimos batalhões do movimento islâmico no território palestino.
Brasil condena operações militares de Israel em Rafah
Rafah, no sul da Faixa de Gaza, é considerado o maior campo de refugiados do mundo, abrigando mais de um milhão de palestinos desalojados pelo conflito com Israel, além de quase 80 mil feridos. A operação militar na região, iniciada pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, gerou preocupação em países ao redor do mundo.
Em meio ao avanço das Forças de Defesa de Israel (FDI) para a cidade de Rafah, o governo brasileiro condenou o início das operações militares na região na segunda-feira (6). O Itamaraty divulgou uma nota criticando a ação militar de Israel por intensificar o conflito em uma área de alta concentração da população civil de Gaza.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil pediu ação das organizações de governança global, principalmente o Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), para evitar o agravamento da catástrofe humanitária em andamento na Faixa de Gaza. O Brasil reafirmou seu compromisso com a solução de dois Estados, com base nas fronteiras de 1967.
Na manhã de segunda-feira (6), militares de Israel começaram a evacuar civis em Rafah devido à ameaça de ataque à cidade no sul de Gaza. Em um ataque aéreo subsequente, pelo menos 26 pessoas morreram, incluindo oito crianças, e mais de dez casas foram atingidas.
Enquanto isso, o Hamas concordou com uma proposta de cessar-fogo apresentada pelo Catar e Egito para interromper os combates com Israel na Faixa de Gaza. Ismail Haniyeh, chefe do gabinete político do grupo, informou ao primeiro-ministro do Catar e ao chefe da inteligência do Egito sobre o acordo.
*Com informações da RFI.
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