Imposto seletivo sobre bebidas açucaradas ameaça setor de bares e restaurantes, diz Abrasel

A recente pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) revela um cenário preocupante para o setor. Com a participação de 2.416 empreendedores, o estudo mostra que os bares e restaurantes ainda enfrentam desafios financeiros significativos. Mais de dois terços dos negócios não obtiveram lucro em maio: 25% registraram prejuízo e 39% ficaram em equilíbrio, enquanto apenas 36% conseguiram lucrar.

Os estabelecimentos lidam com margens de lucro cada vez mais apertadas. Dados de inflação indicam que os principais insumos, como alimentos e bebidas, subiram 4,2% neste ano, enquanto a inflação no setor foi de apenas 1,99%. O estudo da Abrasel destaca que 39% dos estabelecimentos não conseguem reajustar os preços conforme a inflação, agravando a situação.

A situação é ainda mais crítica devido à discussão sobre a regulamentação da reforma tributária, que inclui a adoção de alíquotas mais altas para produtos amplamente consumidos em bares e restaurantes, como as bebidas adoçadas. O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, alerta para os impactos graves dessa medida em um setor já fragilizado.

“O imposto seletivo sobre bebidas açucaradas pode ser um golpe duro para o setor. Nossos estabelecimentos já estão lutando para manter os preços acessíveis aos consumidores e aumentar essa carga tributária só irá agravar a situação”, afirmou.

Solmucci também criticou a incoerência da medida proposta na regulamentação da reforma.

“Essa taxação sobre as bebidas açucaradas é incompreensível. O açúcar, quando vendido como parte da cesta básica, é considerado essencial e, por isso, não é taxado. Contudo, quando utilizado em bebidas, passa a ser tratado como um vilão”, completou.

Outro desafio econômico enfrentado pelo setor é o alto número de empresas endividadas. De acordo com a pesquisa da Abrasel, 39% dos negócios têm dívidas em atraso. Entre esses, 69% devem impostos federais, como parcelas do Simples e imposto de renda, 48% devem impostos estaduais, 39% têm parcelas de empréstimos em atraso e 29% devem encargos trabalhistas.

Paulo Solmucci enfatizou a gravidade da situação.

“A inadimplência não afeta apenas o nosso setor, mas também impacta negativamente toda a economia do país. Precisamos de medidas que incentivem a recuperação e não que penalizem ainda mais quem já está fragilizado”, concluiu.


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