Em entrevista concedida à Andréia Sadi — publicada nesta sexta-feira (22/11/2024) no G1 — o advogado de Mauro Cid, Cezar Bittencourt, fez uma série de declarações contraditórias sobre o conhecimento do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre um suposto plano de execução envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Durante uma entrevista à jornalista Andréia Sadi, no programa Estúdio I, Bittencourt afirmou, inicialmente, que o ex-presidente Bolsonaro estava ciente de tudo que estava sendo planejado, inclusive de um golpe de Estado e do plano de execução.
Ao ser questionado sobre o depoimento de Cid, Bittencourt disse: “Confirma que sabia, sim. Na verdade, o presidente de então sabia tudo, comandava essa organização”, alegando que Cid havia participado do planejamento como assessor e indicado as ações para Bolsonaro, que teria tido plena liderança sobre o que estava sendo orquestrado. Contudo, nove minutos após essa declaração, a entrevista foi interrompida devido à queda de conexão, e, quando retomada, o advogado fez um recuo significativo.
Bittencourt esclareceu que, na realidade, não teria afirmado que Bolsonaro sabia de “tudo”, um termo que considerou amplo demais. Segundo ele, o ex-presidente tinha conhecimento de parte dos acontecimentos que estavam se desenvolvendo, mas não de todos os detalhes do plano, que, segundo o advogado, tinha uma “desenvolvimento muito grande”. Além disso, Bittencourt enfatizou que não usou os termos “plano de morte” ou “plano de execução” em sua fala, explicando que se referia à execução de um “plano pensado”, mas sem relação direta com mortes.
A divergência nas declarações de Bittencourt gerou insatisfação por parte dos investigadores, que consideraram que Cid havia omitido informações cruciais em seu depoimento. Por conta disso, o andamento da delação correu o risco de ser comprometido. No entanto, no dia seguinte, 22 de novembro, o ministro Alexandre de Moraes, que conduziu o depoimento, decidiu manter os termos do acordo de delação premiada de Cid. Moraes afirmou que, apesar das contradições, o depoimento ainda servia como base para o prosseguimento das investigações, que agora devem ser encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR) para análise e possível denúncia.
A investigação, que envolve membros da cúpula do governo Bolsonaro, continua a ser um ponto central nas apurações sobre os acontecimentos que antecederam a tentativa de golpe no Brasil, levantando questões sobre o envolvimento de altas autoridades em um suposto plano de desestabilização do governo eleito.








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