Presidentes de Parlamentos do G20 defendem reformas nas instituições de governança global

Presidentes dos Parlamentos do G20 reúnem-se para debater reformas nas instituições globais, enfatizando o papel dos legislativos na construção de uma governança mais inclusiva e cooperativa.
Presidentes dos Parlamentos do G20 reúnem-se para debater reformas nas instituições globais, enfatizando o papel dos legislativos na construção de uma governança mais inclusiva e cooperativa.

Na 10ª Cúpula de Presidentes de Parlamento do G20 (P20), realizada neste mês, líderes legislativos de países membros e convidados defenderam mudanças estruturais nas instituições de governança global, como a Organização das Nações Unidas (ONU), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. A iniciativa visa enfrentar crises emergentes e fortalecer o papel dos parlamentos, ampliando a representatividade e assegurando uma cooperação mais inclusiva e justa. Os dirigentes presentes destacaram que, para superar desafios globais, é fundamental que o sistema de governança global reflita melhor as diversidades regionais e respeite a autonomia das nações em desenvolvimento.

A Reforma do Conselho de Segurança da ONU

Um dos temas centrais do debate foi a reforma do Conselho de Segurança da ONU, que, segundo os líderes, precisa ser mais representativo e inclusivo. Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, argumentou que a reforma é fundamental para a paz e segurança mundiais e que uma nova estrutura do conselho é necessária para atender as demandas de um cenário internacional em rápida transformação. Lira enfatizou a importância de uma ONU renovada, com um Conselho de Segurança mais eficaz e capaz de garantir a justiça nas decisões, evitando privilégios desiguais entre os membros.

Instituições Financeiras Internacionais e Desigualdade

Lira também abordou a necessidade de reformar instituições financeiras globais, como o FMI e o Banco Mundial, que atualmente enfrentam críticas por seu processo decisório e critérios de distribuição de recursos. Ele ressaltou que o FMI e o Banco Mundial devem ajustar seus mecanismos de financiamento para apoiar o desenvolvimento econômico e a sustentabilidade ambiental. Essa visão é compartilhada por outros representantes, como o vice-presidente da Câmara Alta da Rússia, Konstantin Kosachev, que afirmou que tais instituições precisam refletir a realidade de um mundo multipolar e promover a inclusão dos países emergentes.

Papel do Parlamento na Governança Global

Vários líderes destacaram a necessidade de ampliar a participação dos parlamentos nos processos de governança global. Para Lindsay Hoyle, presidente da Câmara dos Comuns do Reino Unido, os parlamentos são essenciais para a democracia e devem ter papel ativo na construção de um sistema de governança mais inclusivo e equilibrado. Lorenzo Fontana, presidente da Câmara dos Deputados da Itália, reforçou a importância de os legislativos se envolverem nas decisões multilaterais, considerando que representam a pluralidade e a diversidade dos interesses populares.

Representatividade Feminina e Direitos Humanos

A inclusão das mulheres e a defesa dos direitos humanos foram temas destacados. Hoyle enfatizou que a participação feminina nos parlamentos fortalece as instituições democráticas e combate as desigualdades. Já Puan Maharani, presidente do Parlamento da Indonésia, ressaltou que o fortalecimento dos direitos humanos deve ser central nas reformas. Segundo Maharani, a comunidade internacional deve buscar soluções multilaterais para conflitos e respeitar o direito internacional, o que inclui esforços para prevenir a violência contra minorias e a marginalização social.

Desafios Ambientais e Cooperativos

A crise climática foi outro ponto relevante nas discussões. A presidente do Parlamento de São Tomé e Príncipe, Celmira Sacramento, defendeu uma resposta cooperativa para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, incentivando o intercâmbio de práticas sustentáveis entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento. José Pedro Correia Aguiar-Branco, presidente do Parlamento de Portugal, observou que o combate à mudança climática, assim como o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis, exige abordagens globais inovadoras que incluam parcerias entre setores público e privado.

Reformas na Organização Mundial do Comércio (OMC)

Os líderes também apontaram a importância de uma revisão nas políticas da Organização Mundial do Comércio (OMC). Para Arthur Lira e Annelie Lotriet, vice-presidente da Câmara Baixa da África do Sul, a OMC deve adotar políticas que promovam o comércio justo e respeitem as demandas dos países em desenvolvimento. Lotriet argumentou que a inclusão de representantes africanos no Conselho de Segurança da ONU e a eliminação do poder de veto são essenciais para a justiça na tomada de decisões e para garantir que os interesses de todos os membros sejam respeitados.

Voz dos Países em Desenvolvimento e o Sul Global

O papel dos países em desenvolvimento e a cooperação Sul-Sul foram temas discutidos pelo vice-presidente do Parlamento da China, Weihua Wu, que afirmou que a China apoia a promoção do desenvolvimento sustentável e cooperação entre as nações do Sul Global. A vice-presidente do Parlamento Pan-Africano, Lucia Maria dos Passos, salientou que os países africanos devem ter voz ativa nos fóruns globais para garantir uma governança equitativa.

Conclusão: Uma Governança Multilateral Renovada

A 10ª Cúpula de Presidentes de Parlamento do G20 foi marcada pela defesa de uma governança global mais inclusiva, representativa e cooperativa. Parlamentares dos países do G20 e convidados ressaltaram a importância de reformas nas instituições globais, que devem considerar os interesses e a representatividade dos países em desenvolvimento e dos mais afetados pelas desigualdades econômicas e ambientais. Os participantes da cúpula argumentaram que a governança multilateral deve evoluir para responder aos desafios modernos de forma justa e democrática, incorporando os valores de paz, igualdade e sustentabilidade.

Principais Dados do Evento

  1. Reforma da ONU e Conselho de Segurança:
    • Objetivo: Maior representatividade e inclusão.
    • Líderes: Arthur Lira (Brasil), Numan Kurtulmus (Turquia), Annelie Lotriet (África do Sul).
    • Proposta: Inclusão de países emergentes e abolição do poder de veto.
  2. Revisão das Instituições Financeiras Internacionais:
    • Objetivo: Ajuste nos mecanismos de financiamento para promover avanços sociais e econômicos.
    • Líderes: Arthur Lira (Brasil), Konstantin Kosachev (Rússia), Shri Harivansh (Índia).
    • Proposta: Reforma do FMI e do Banco Mundial para maior justiça nas políticas globais.
  3. Inclusão dos Parlamentos na Governança Global:
    • Objetivo: Garantir papel ativo dos legislativos nas decisões multilaterais.
    • Líderes: Lindsay Hoyle (Reino Unido), Lorenzo Fontana (Itália).
    • Proposta: Incluir parlamentos nas negociações e no acompanhamento de decisões globais.
  4. Inclusão de Mulheres e Minorias:
    • Objetivo: Ampliar a representatividade feminina e fortalecer os direitos humanos.
    • Líderes: Lindsay Hoyle (Reino Unido), Christel Schaldemose (Parlamento Europeu).
    • Proposta: Garantir proteção contra violência e promover igualdade de gênero nos espaços legislativos.
  5. Desafios Climáticos e Sustentabilidade:
    • Objetivo: Enfrentar mudanças climáticas de forma cooperativa.
    • Líderes: Puan Maharani (Indonésia), Celmira Sacramento (São Tomé e Príncipe), José Pedro Correia Aguiar-Branco (Portugal).
    • Proposta: Reformar políticas ambientais e apoiar transição para uma economia sustentável.
  6. Reformas na Organização Mundial do Comércio:
    • Objetivo: Promover comércio justo e seguro.
    • Líderes: Arthur Lira (Brasil), Annelie Lotriet (África do Sul).
    • Proposta: Adaptar regras comerciais para assegurar igualdade no comércio internacional.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.