A Polícia Federal (PF) revelou em relatório divulgado nesta terça-feira (26/11/2024) que investigados pela tentativa de golpe de Estado em 2022 buscaram acessar informações sigilosas relacionadas ao acordo de delação premiada firmado por Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento aponta que essas ações representaram tentativas de obstrução das investigações.
Embora o relatório tenha tido o sigilo derrubado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), o conteúdo específico da delação de Mauro Cid permanece confidencial. Desde o ano passado, Cid está proibido de manter contato com Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e outros investigados nos inquéritos sobre a tentativa de golpe.
Mensagens apreendidas pela PF mostram que integrantes do grupo investigado demonstraram preocupação com a delação de Cid, especialmente no que poderia implicar figuras como os generais Braga Netto e Augusto Heleno. Essas mensagens foram encontradas em documentos localizados na sede do Partido Liberal (PL), na mesa do coronel Flávio Botelho Peregrino, assessor de Braga Netto.
Entre os diálogos, destacam-se perguntas direcionadas sobre o teor das reuniões mencionadas por Mauro Cid e sobre a existência de documentos físicos que mencionassem o artigo 142 da Constituição, frequentemente citado no contexto de propostas de intervenção institucional. As respostas, atribuídas a Cid, sugerem que ele buscou minimizar sua participação, afirmando que “não entrava nas reuniões” e que apenas “colocava o pessoal para dentro”.
Os questionamentos também incluíram menções a figuras políticas, como Filipe Martins, ex-assessor internacional de Bolsonaro, e o senador Rogério Marinho. De acordo com a PF, as respostas indicam preocupações estratégicas sobre os desdobramentos da colaboração premiada e os potenciais alvos das investigações.
O relatório conclui que o acesso indevido às informações da delação foi uma tentativa deliberada de antecipar e neutralizar os impactos das revelações de Mauro Cid, demonstrando, segundo a PF, “a gravidade do contexto e o caráter organizado das ações do grupo criminoso”. A documentação reforça que esses atos foram conduzidos por figuras centrais no planejamento da tentativa de golpe, como Braga Netto e seu assessor direto.
O inquérito segue em análise no STF, com a expectativa de que os indiciamentos resultem em novos desdobramentos processuais. Até o momento, 37 pessoas foram formalmente acusadas de envolvimento em ações que buscavam subverter a ordem democrática.









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