Justiça Federal determina teletrabalho para servidores e magistrados que atuam no Fórum Teixeira de Freitas em Salvador devido à violência no Bairro Susuarana

A Seção Judiciária da Bahia (SJBA) determinou nesta quinta-feira (30/01/2025) a adoção de teletrabalho extraordinário para servidores e magistrados lotados no Fórum Teixeira de Freitas, devido às condições de insegurança na região do Bairro Nova Susuarana, em Salvador. A medida, estabelecida pela Portaria SJBA-DIREF 33/2025 e assinada pela juíza federal Sandra Lopes Santos de Carvalho, entra em vigor a partir desta sexta-feira (31/01) e permanecerá até deliberação posterior.

A decisão foi motivada pelo aumento dos confrontos armados em Susuarana Nova, nos dias 22, 23 e 30 de janeiro de 2025, que ameaçam a segurança de servidores e colaboradores do fórum. A portaria destaca a necessidade de reduzir o trânsito de pessoas na área até que seja realizada uma análise técnica das condições de segurança pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).

O documento estabelece que todas as atividades das unidades judiciárias e administrativas do fórum serão realizadas de forma remota, incluindo o atendimento ao público externo, que permanecerá suspenso. As varas federais deverão disponibilizar contatos telefônicos e e-mails para garantir a continuidade do atendimento a advogados e partes interessadas.

Para assegurar o cumprimento das obrigações funcionais, a portaria determina que os atos praticados em regime remoto serão submetidos a controle administrativo pelas chefias imediatas. Além disso, o acesso aos prédios do Fórum Teixeira de Freitas será restrito, cabendo ao Núcleo de Segurança e Inteligência do TRF1 (NUSIT) monitorar a situação e coordenar eventuais providências junto aos órgãos de segurança pública.

A direção da SJBA reforça que a medida tem caráter temporário e visa garantir a segurança dos servidores e da comunidade que frequenta o fórum. O regime de teletrabalho permanecerá vigente até que seja emitido um novo posicionamento pelas autoridades competentes.

Das Falhas na Política de Segurança Pública ao Estado Disfuncional e de Privilégios

Falhas nas Políticas de Segurança do Governo Jerônimo

A violência na Bahia, especialmente em áreas próximas à sede do governo estadual, expõe falhas nas estratégias de segurança pública adotadas pelo Governo Jerônimo Rodrigues. A persistência do crime organizado, visível em divesas situações como o caso de trabalho remoto para servidores e magistrados do Fórum Teixeira de Freitas, coloca em xeque a eficácia das políticas implementadas, que não têm conseguido garantir a proteção adequada das instituições públicas e da população local.

Proximidade e Ineficiência nas Ações Governamentais

O agravamento da situação torna-se ainda mais evidente pela localização estratégica do Fórum Teixeira de Freitas, que está a apenas 2,4 km da Governadoria e a poucos minutos das sedes dos três poderes do Estado da Bahia, bem como de órgãos de segurança pública e do Ministério Público (MPBA). Esta proximidade deveria garantir maior agilidade na resposta às crises, mas, na prática, reflete a ineficiência das medidas de combate ao crime, que seguem impactando negativamente a rotina das instituições.

A Lógica Estatal e a Casta de Privilegiados

As falhas não se limitam ao Governo Estadual, mas refletem uma lógica mais ampla, envolvendo o Poder Legislativo, o Judiciário e o Ministério Público. Estes poderes têm se tornado protagonistas na patrimonialização da atividade pública, com foco em atender aos interesses próprios dos servidores e agentes estatais, em detrimento do bem-estar social. O resultado é uma estrutura que perpetua desigualdades, formando castas de servidores privilegiados, enquanto a sociedade enfrenta uma crescente miséria e precariedade de serviços públicos essenciais.

O Estado Disfuncional: Um Sistema Sem Coordenação

Especialistas apontam que a disfuncionalidade do sistema federativo brasileiro agrava ainda mais a situação. A falta de coordenação entre os diferentes níveis de governo e a sobreposição de competências geram ineficiências que resultam em custos econômicos elevados, injustiças sociais e um ambiente institucional que inibe o crescimento econômico e a inovação. Esta fragmentação dificulta a implementação de políticas públicas eficazes e amplia as desigualdades.

Além disso, a concentração de recursos em determinadas castas de servidores públicos, especialmente no Judiciário, agrava ainda mais a desigualdade social. Dados apontam que as despesas com tribunais de justiça no Brasil representam 1,6% do PIB — quatro vezes a média internacional. Mais de 80% desses recursos são destinados a magistrados e servidores, com grande parte sendo alocada para benefícios que ultrapassam o teto remuneratório do funcionalismo público, como os conhecidos “penduricalhos”. Isso compromete a qualidade do sistema judiciário e desvia recursos essenciais que poderiam ser aplicados em áreas como saúde, educação e segurança.

A Necessidade de Reestruturação

A combinação desses fatores resulta na formação de um Estado disfuncional, onde a falta de integração entre as instituições e a má alocação de recursos comprometem a eficácia das políticas públicas e o bem-estar da população. É fundamental que o governo estadual, em conjunto com as esferas federal e municipal, promova uma reestruturação das políticas de segurança pública. Essa reforma deve priorizar a integração entre as instituições, a transparência na gestão dos recursos públicos e a implementação de medidas que visem reduzir as desigualdades sociais, assegurando que os recursos sejam direcionados de forma mais eficiente para áreas essenciais.

As falhas nos serviços públicos que afetam a população não estão limitadas ao Governo Estadual; elas fazem parte de uma lógica estatal que envolve o Poder Legislativo, o Judiciário e o Ministério Público, todos voltados para a patrimonialização da atividade pública, com a finalidade de atender aos interesses dos próprios servidores e agentes estatais. Dessa forma, a sociedade é vilipendiada em seus direitos por um conjunto de servidores que se constituem em castas de privilegiados, em meio à miséria que se amplia na sociedade.
As falhas nos serviços públicos que afetam a população não estão limitadas ao Governo Estadual; elas fazem parte de uma lógica estatal que envolve o Poder Legislativo, o Judiciário e o Ministério Público, todos voltados para a patrimonialização da atividade pública, com a finalidade de atender aos interesses dos próprios servidores e agentes estatais. Dessa forma, a sociedade é vilipendiada em seus direitos por um conjunto de servidores que se constituem em castas de privilegiados, em meio à miséria que se amplia na sociedade.

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