Brasil e China firmam acordos bilionários em setores estratégicos durante visita oficial do presidente Lula

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participa do encerramento do Fórum Empresarial Brasil-China, realizado em Pequim, China.
Presidente Lula participa do Fórum Empresarial Brasil-China, em Pequim, durante visita de Estado que resultou na atração de R$ 27 bilhões em novos investimentos.

Durante visita de Estado à República Popular da China, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta segunda-feira (12/05/2025) do Fórum Empresarial Brasil-China, realizado em Pequim, e anunciou a atração de R$ 27 bilhões em investimentos provenientes de empresas chinesas e brasileiras. A iniciativa faz parte da estratégia de fortalecimento da parceria bilateral em setores como energia renovável, tecnologia, saúde, transporte, agronegócio, delivery e infraestrutura.

A viagem, que contou com a participação de 11 ministros, governadores e dirigentes de empresas públicas e privadas, resultou na formalização de dezenas de acordos empresariais, reforçando a aliança estratégica sino-brasileira em áreas críticas para o desenvolvimento sustentável e a soberania industrial do Brasil.

Investimentos confirmados durante o Fórum Empresarial Brasil-China

Durante os encontros realizados no âmbito da visita presidencial, foram anunciados os seguintes principais investimentos:

  • GWM (automotiva): R$ 6 bilhões para expansão no Brasil, com foco em exportação para América do Sul e México.

  • Meituan (delivery): R$ 5,6 bilhões para operação do aplicativo Keeta no Brasil, com previsão de geração de 100 mil empregos indiretos.

  • CGN (energia): Mais de R$ 3 bilhões para instalação de HUB de energia renovável no Piauí.

  • Envision (energia eólica e SAF): R$ 5 bilhões para o primeiro Parque Industrial Net-Zero da América Latina, com destaque para produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF).

  • Mixue (alimentação): R$ 3,2 bilhões para iniciar operação no Brasil, com estimativa de 25 mil empregos até 2030.

  • Baiyin Nonferrous (mineração): R$ 2,4 bilhões para aquisição da mina de cobre Serrote, em Alagoas.

  • DiDi (mobilidade): Ampliação de serviços de delivery e construção de 10 mil pontos de recarga para veículos elétricos.

  • Longsys (semicondutores): R$ 650 milhões para aumentar capacidade produtiva em São Paulo e Amazonas.

  • Nortec Química e parceiras chinesas (insumos farmacêuticos): R$ 350 milhões para plataforma industrial de IFAs no Brasil.

Cooperação em pesquisa, inovação e saúde pública

Além dos investimentos diretos, parcerias em pesquisa e desenvolvimento foram firmadas com o objetivo de fortalecer a base tecnológica brasileira. Destaques incluem:

  • Criação do Instituto Brasil-China para Inovação em Biotecnologia, parceria entre Eurofarma e Sinovac.

  • Instalação de centro de P&D de energia renovável com a Windey Technology e o SENAI CIMATEC, com unidade na Bahia.

  • Produção nacional de equipamentos médicos de imagem, ultrassom e radioterapia com empresas como Wandong, Careray, Shinva Medical e SIUI.

  • Expansão da produção de insulina glargina e desenvolvimento de vacina contra a dengue com apoio de Fiocruz, Biomm e Gan & Lee.

  • Acordos para construção de hospitais com inteligência artificial e cirurgia robótica, com apoio do BNDES e instituições chinesas.

Comércio exterior e infraestrutura estratégica

A China permanece como o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009. Em 2023, o comércio bilateral atingiu US$ 157,5 bilhões, com superávit de US$ 51,1 bilhões para o Brasil. No primeiro trimestre de 2025, as trocas chegaram a US$ 38,8 bilhões, sendo a China o destino de 36,2% das exportações do agronegócio brasileiro.

Na infraestrutura, o presidente Lula destacou o Corredor Ferroviário Leste-Oeste, as rotas bioceânicas e uma nova rota marítima direta entre a China e os portos de Salvador (BA) e Santana (ES), como eixos logísticos fundamentais para o escoamento da produção nacional e integração continental.

Bahia como polo de energia limpa e inovação tecnológica

Durante o evento, o governador Jerônimo Rodrigues apresentou o potencial da Bahia para receber investimentos em energia renovável, indústria verde e tecnologia aplicada, com destaque para a matriz energética estadual composta por 98% de fontes renováveis. Foi formalizada uma parceria com a Windey Energy para a criação de um centro de P&D em energia eólica, com sede no estado.

Crítica ao protecionismo e defesa do multilateralismo

No encerramento do Fórum, o presidente Lula criticou as políticas protecionistas adotadas por países desenvolvidos, como os Estados Unidos, e defendeu o fortalecimento do livre comércio, do multilateralismo e da integração do Sul Global. Segundo o presidente, o Brasil e a China formam uma relação indestrutível com impactos positivos sobre as cadeias globais de valor, soberania tecnológica e segurança alimentar.

Principais dados do encontro

Informações Gerais do Evento

  • Evento: Fórum Empresarial Brasil-China

  • Data: Segunda-feira, 12/05/2025

  • Local: Pequim, China

  • Presença: Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros, governadores (Bahia e Piauí), empresários e representantes do governo chinês

  • Resultado geral: R$ 27 bilhões em novos investimentos bilaterais

Investimentos Anunciados por Empresas Chinesas

Montadoras e Mobilidade:

  • GWM: R$ 6 bilhões para expansão e exportações automotivas a partir do Brasil

  • GAC: US$ 1,3 bilhão (R$ 7,35 bi) em carros elétricos e híbridos em Goiás e centro de P&D no Nordeste

  • DiDi (99 Táxi): Construção de 10 mil pontos públicos de recarga de veículos

Tecnologia e Indústria:

  • Envision Group: R$ 5 bilhões para construção do primeiro Parque Industrial Net-Zero da América Latina

  • Longsys: R$ 650 milhões em semicondutores (SP e AM)

  • CGN: R$ 3 bilhões em HUB de energia renovável no Piauí

  • Mixue: R$ 3,2 bilhões na cadeia de bebidas, com 25 mil empregos até 2030

  • Baiyin Group: R$ 2,4 bilhões na compra da mina de cobre Serrote (AL)

Delivery e Consumo:

  • Meituan (Keeta): R$ 5,6 bilhões em operações de delivery no Brasil

  • Geração prevista: 100 mil empregos indiretos e central no Nordeste com até 4 mil diretos

Saúde e Biotecnologia:

  • Eurofarma + Sinovac: Criação do Instituto Brasil-China para Inovação em Biotecnologia

  • Nortec + Aurisco + Goto Biopharm: R$ 350 milhões para fábrica de IFAs no Brasil

  • Parcerias com SIUI, Shinva, Iray, Wandong, Careray: Transferência de tecnologia e produção nacional de equipamentos médicos

Comércio Bilateral Brasil-China

  • Volume comercial em 2023: US$ 157,5 bilhões

    • Exportações do Brasil: US$ 104,3 bilhões

    • Importações da China: US$ 53,1 bilhões

    • Superávit brasileiro: US$ 51,14 bilhões

  • Trimestre Jan-Mar 2025: US$ 38,8 bilhões de intercâmbio comercial

  • Principais produtos exportados: Petróleo, soja, minério de ferro

  • Importações chinesas: Máquinas, eletrônicos, válvulas, embarcações

Setor de Saúde

  • Centro de excelência em vacinas (iBRID): Eurofarma + Sinovac

  • Fabricação de equipamentos médicos: Tomógrafos, ultrassons, raio-X e radioterapia

  • Parcerias para produção de insulina e vacina da dengue

  • Objetivo: Fortalecer o SUS, reduzir dependência externa e criar capacidades industriais nacionais

Infraestrutura e Energia

  • Centro de P&D em energia renovável: SENAI CIMATEC + Windey

  • Acordo SAF (Combustível Sustentável de Aviação): Raízen + SAFPAC

  • Projetos ferroviários e logísticos: Corredor Ferroviário Leste-Oeste, rotas bioceânicas (Atlântico–Pacífico)

  • Nova rota marítima direta: Zhuhai–Salvador–Vitória

Integração Geopolítica e Multilateral

  • Diálogos em fóruns: BRICS, G20, OMC, BASIC

  • Críticas ao protecionismo: Alusão direta às tarifas impostas pelos EUA

  • Enfatizada a integração irreversível com a China como pilar do Sul Global

Declarações Estratégicas

  • Lula: “China e Brasil são atores incontornáveis nos grandes temas globais”

  • Rui Costa: “Brasil será um dos maiores produtores de SAF

  • Alexandre Padilha: “Parcerias inovadoras com transferência tecnológica real

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