Sexta-feira (11/07/2025) — Salvador (BA) – O deputado estadual Manuel Rocha (União Brasil), presidente da Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), manifestou preocupação com a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre importações provenientes do Brasil. A medida, anunciada pelo presidente americano Donald Trump, impacta diretamente produtos do agronegócio brasileiro, como café, carne e suco de laranja, e já mobiliza entidades do setor, que veem riscos graves à economia rural.
Medida afeta produtos estratégicos do Agro
A decisão do governo norte-americano foi classificada por parlamentares e representantes do setor como unilateral e prejudicial. Segundo Manuel Rocha, a tarifa compromete a segurança jurídica, a geração de emprego e renda no campo, e pode influenciar a inflação interna.
“Essa decisão unilateral dos EUA de taxar produtos brasileiros em 50% é extremamente preocupante e pode ter efeitos devastadores sobre o nosso agronegócio”, afirmou o deputado, ao destacar que a medida compromete a estabilidade das relações comerciais entre os países.
Entre os produtos mais afetados estão:
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Suco de laranja: os EUA absorveram 41,7% das exportações brasileiras do produto na safra 2024/25, com faturamento de R$ 7,2 bilhões, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR);
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Carne bovina: segundo a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), o impacto tarifário elevaria o preço da tonelada para cerca de US$ 8.600, inviabilizando exportações para o mercado norte-americano;
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Café: o Brasil detém 32% do mercado dos EUA, sendo o principal exportador do produto ao país.
Entidades reagem e pedem diálogo
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) declarou que a tarifa é injustificada, ressaltando o histórico de cooperação comercial entre Brasil e EUA. A entidade reforça a importância de manter diálogo contínuo e sem pré-condições entre os governos e os setores privados envolvidos.
Associações regionais e nacionais já se articulam junto ao Ministério da Agricultura e ao Itamaraty, com o objetivo de buscar retaliação proporcional com base na Lei da Reciprocidade, defendida pelo governo brasileiro.
Impactos econômicos e cenário internacional
Especialistas apontam que a medida pode resultar em:
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Redução de até 0,5 ponto percentual no PIB do Brasil em 2025;
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Desvalorização cambial, pressionando a inflação;
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Queda na competitividade internacional das commodities brasileiras.
Segundo Manuel Rocha, o agronegócio brasileiro adota padrões elevados de produtividade, sustentabilidade e inovação, sendo injustificável que sofra sanções de caráter político e unilateral.
“O que está em jogo é o sustento de milhões de famílias, a confiança do mercado internacional e a estabilidade econômica do Brasil”, afirmou o parlamentar, ao defender união entre os setores público e privado para proteger os interesses do setor.
Perspectivas e articulação institucional
A Comissão de Agricultura da ALBA deve realizar, nos próximos dias, audiências públicas com representantes do setor produtivo, além de encaminhar ofícios ao Ministério das Relações Exteriores e ao Ministério da Agricultura, solicitando ações diplomáticas e comerciais urgentes.
Rocha também propôs a criação de um grupo de monitoramento técnico para avaliar os impactos diretos sobre o agronegócio baiano, especialmente nos segmentos de fruticultura, pecuária e café, que têm forte inserção no mercado externo.
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