O deputado estadual Robinson Almeida (PT) denunciou na quinta-feira (16/10/2025) o que chamou de “maquiagem ambiental” promovida pela Prefeitura de Salvador sob comando do prefeito Bruno Reis (União Brasil). O parlamentar afirmou que o programa “Corredor Verde”, mantido há uma década pela empresa ECO Irrigação e Jardim Ltda, tornou-se “uma mina de ouro disfarçada de jardim”, com valores que chegariam a R$ 15 mil por árvore.
Acusações sobre superfaturamento e ausência de transparência
De acordo com Robinson, o contrato de paisagismo e manutenção de áreas verdes da capital baiana é um símbolo de uma gestão marcada pela falta de transparência. Ele afirmou que a mesma empresa atua há dez anos com renovações automáticas, aditivos milionários e ausência de licitação real.
“Cada muda vale quase o salário anual de um trabalhador. Que frutos darão essas árvores — pomos de ouro?”, ironizou o deputado, ao acusar a administração de promover um “marketing verde” que não corresponde à realidade ambiental da cidade.
Segundo Robinson, enquanto a Pituba exibe canteiros ornamentais e jardins de vitrine, as áreas periféricas de Salvador sofrem com o abandono ambiental. “O que a Prefeitura chama de corredor é, na verdade, um tapume de propaganda que esconde o avanço da especulação imobiliária sobre as últimas áreas de respiro da cidade.”
Desmatamento e avanço da especulação imobiliária
O parlamentar destacou que o desmatamento urbano vem se intensificando sob a atual gestão. “A destruição se alastra em ritmo apocalíptico”, afirmou, citando obras em áreas sensíveis, como as restingas de Itapuã, torres em Stella Maris que impactam o ecossistema das tartarugas, e projetos que ameaçam a Lagoa do Abaeté e o Buracão, no Rio Vermelho.
Para Robinson, as intervenções urbanas demonstram a submissão do poder público aos interesses imobiliários. “Bruno ‘Motosserra’ Reis governa para os incorporadores, não para a cidade. Salvador está sendo repartida, e os ganhadores são sempre os mesmos.”
Críticas à desigualdade ambiental e à omissão institucional
O deputado também criticou a desigualdade na distribuição dos investimentos ambientais. “Enquanto a Prefeitura gasta R$ 15 mil por árvore na orla, bairros inteiros seguem sem sombra e sem parque. O verde virou privilégio de condomínio”, denunciou.
Ele afirmou que a crise ambiental da capital reflete uma falência ética e administrativa, com o esvaziamento do Conselho Municipal de Meio Ambiente, a flexibilização do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e licenças ambientais concedidas sem critérios públicos claros. “Isso não é gestão: é rendição.”
Propostas de auditoria e reestruturação ambiental
Robinson Almeida defendeu a reativação do Conselho Municipal de Meio Ambiente, a auditoria dos contratos de paisagismo e a elaboração de um plano de reflorestamento participativo. Segundo ele, as políticas ambientais precisam ser reconstruídas com base em transparência, justiça climática e controle social.
“Corredor verde de verdade não se pinta em outdoor. Constrói-se com participação popular e coragem para enfrentar os amigos do poder”, declarou o deputado.
Encerrando sua fala, Robinson ironizou a postura do prefeito:
“Se é para falar de meio ambiente, que se derrube primeiro o muro de concreto que separa a Prefeitura da realidade.”
Conflito estrutural
A denúncia de Robinson Almeida reforça um debate antigo sobre o uso político de programas ambientais municipais em grandes capitais. A falta de transparência em contratos públicos de manutenção urbana é um tema recorrente em gestões que priorizam a estética sobre a sustentabilidade real. No caso de Salvador, o questionamento vai além do gasto com paisagismo: trata-se de uma crítica à transformação do espaço urbano em produto de marketing eleitoral.
O episódio evidencia um conflito estrutural entre planejamento urbano e interesses imobiliários, com impactos diretos sobre a qualidade de vida e a justiça ambiental. Caso confirmadas as irregularidades apontadas, a Prefeitura de Salvador poderá enfrentar questionamentos jurídicos e políticos que repercutem tanto no campo institucional quanto na imagem pública da gestão.
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